22/01/2021 às 12h17min - Atualizada em 22/01/2021 às 12h17min

Mesmo com vacina, cuidados contra a Covid-19 devem continuar

Especialista de Uberlândia ouvido pelo Diário destaca a importância de continuar adotando medidas de biossegurança

FERNANDO NATÁLIO
Primeira dose da CoronaVac, que está sendo aplicada em Uberlândia, tem eficácia de cerca de 25% I Foto: Divulgação/ Secom/ PMU
Com o início da vacinação contra a covid-19 em Uberlândia e no restante do país, a esperança de ter de volta a normalidade ressurgiu. Mas, a condição não deve ser retomada de imediato. De acordo com um especialista ouvido pelo Diário de Uberlândia, mesmo com a imunização, os cuidados para evitar a contaminação pelo coronavírus deverão permanecer.  
 
Em entrevista à reportagem, o professor titular do Instituto de Biotecnologia da Universidade Federal de Uberlândia Filho (IBTec/UFU) e membro da Rede Vírus do Ministério de Ciência e Tecnologia, Luiz Ricardo Goulart Filho, disse que é preciso tomar as duas doses da vacina para que a eficácia seja ampliada.
 
“No caso da CoronaVac, vacina que está sendo aplicada neste momento, após a primeira dose, a eficácia será de cerca de 25%. Somente após a segunda dose é que haverá a eficácia geral de 50,8%. E essa segunda dose deve ser aplicada somente após, pelo menos, 20 dias que foi dada a primeira. Consideramos o tempo ideal entre uma dose e a outra o período de 20 a 30 dias”, explicou.
 
Entre os cuidados, o uso de máscara e de álcool em gel, além da lavagem constante das mãos e o distanciamento social precisarão continuar pelos próximos meses. Segundo o professor do Instituto de Biotecnologia da UFU, mesmo após a aplicação da segunda dose é necessário cerca de mais um mês para que o organismo da pessoa crie a chamada memória imunológica, que se caracteriza por uma reação imune mais intensa, e, assim, fique mais protegida contra a doença.
 
Enquanto isso, o especialista esclarece que é importante que os cuidados sejam mantidos até que a chamada “imunidade de rebanho” seja alcançada, que é quando a maioria da população for vacinada. “No Brasil, precisamos ter 60% a 70% da população imunizada, para que possamos chegar a esse patamar”, destacou.
 
TESTE
 Ainda de acordo com o professor ouvido pelo Diário, quem for vacinado poderá fazer um teste para identificação de IgG para saber se está produzindo os anticorpos necessários para evitar a contaminação pelo coronavírus. O exame pode ser feito em laboratórios. “Esse teste quantifica a imunoglobulina de classe G. Ele tem que ser feito, ao menos, 20 dias depois que a pessoa for imunizada”, explicou Luiz Ricardo.

Ainda segundo o especialista, o Brasil pode ter que promover vacinações anuais contra o coronavírus. “Já temos três cepas isoladas do coronavírus no nosso país: uma verificada no Rio de Janeiro, uma em São Paulo e outra no Amazonas. E se surgir novas variantes, poderão ser necessárias novas imunizações, talvez anuais, para combatê-las”, afirmou.


 


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