15/01/2021 às 15h00min - Atualizada em 15/01/2021 às 15h00min

Novos hábitos de saúde e higiene devem prevalecer no cotidiano mesmo após a pandemia

Moradores de Uberlândia mudaram comportamentos e pretendem manter os novos costumes; antropólogo fala sobre o que é esperado quando a pandemia acabar

BRUNA MERLIN
Preocupação com a saúde também aumentou durante a pandemia | Foto: Pixabay

O susto e a preocupação com a contaminação da Covid-19 são alguns dos fatores que fizeram muitas pessoas repensarem e mudarem alguns hábitos do cotidiano. O Diário de Uberlândia conversou com moradores da cidade que substituíram alguns comportamentos do dia a dia e pretendem continuar investindo neles ao longo de 2021, mesmo depois que a pandemia acabar.

É o caso da professora Elisamar Soares, de 41 anos. A profissional de educação contraiu o coronavírus em agosto de 2020 e, após o susto, decidiu investir mais na saúde e intensificar os hábitos de higiene pessoal e de produtos.

“Faço parte do grupo de risco porque tenho bronquite e asma, então, foi um susto quando descobri que estava com Covid e, apesar de ter tido somente sintomas leves, fiquei com medo da minha situação piorar. Assim que melhorei, comecei a me cuidar mais”, ressaltou.

Elisamar começou a praticar exercícios físicos e mudou a alimentação completamente. Além de suspender o consumo de frituras e refrigerantes, a professora passou a ingerir mais água e até conta com um aplicativo que a ajuda lembrar de sempre encher um copo d’água.

“Percebo que comecei a ganhar mais qualidade de vida. Tenho mais disposição para fazer as coisas. Com certeza, quero continuar aplicando isso neste ano porque faz uma diferença muito grande”, destacou.

A contaminação pelo coronavírus também fez com que Elisamar reforçasse a higiene em sua casa. Para ela, a lavagem dos produtos alimentícios é algo essencial, assim como a higiene das mãos. “Não consigo imaginar que antes de tudo isso nós apenas chegávamos do supermercado e colocávamos o alimento direto na geladeira ou armário. Essa higiene é essencial para toda a vida e não somente durante a pandemia”, complementou.
 
SAÚDE MENTAL
A preocupação com a saúde mental também atingiu diversas pessoas durante o período de isolamento social. A aposentada Leila Maria Leopoldino, de 64 anos, ficou sem sair de casa por diversos meses, já que faz parte do grupo de risco da doença, e precisou de um auxílio psicológico para lidar com as crises de ansiedade e o medo.

“No começo, eu fiquei muito assustada, porque tinha uma vida ativa. Eu frequentava diversos locais e da noite para o dia precisei me isolar. A partir daí, comecei a surtar dentro de casa e percebi a importância de cuidar da nossa saúde mental”, disse.

Além das consultas psicológicas, Leila investiu em exercícios físicos e melhorou a alimentação. Para ela, o corpo precisa de cuidados, diariamente, para que não sofra com eventuais doenças. “Com certeza, essa pandemia veio para mostrar que precisamos nos cuidar mais. É necessário manter uma vida mais saudável e mais leve. Pretendo aplicar isso todos os dias”, finalizou a aposentada.
 
COMPORTAMENTO
Conforme dito pelo antropólogo Sebastião Vianney Rodrigues Ferreira, é comum que o comportamento humanitário se transforme diante de problemas e catástrofes. “Na história da humanidade isso já aconteceu diversas vezes. Epidemias e pandemias deixaram lições e traços para que hábitos e comportamentos fossem mudados”, explicou.

Para Sebastião, muitos acontecimentos serão transformados em aprendizado como, por exemplo, a valorização do sistema nacional de saúde e a preocupação com a saúde pessoal. “É esperado que as pessoas realizem mais consultas médicas, que valorizem os profissionais dessa área e que tenham mais consciência em relação à higiene. Isso é esperado e faz parte desse aprendizado”, frisou.

Entretanto, o antropólogo acredita que é difícil dizer que as mudanças nos hábitos que estão sendo presenciadas agora prevaleçam para sempre na vida das pessoas. Sebastião ressaltou que os humanos têm o costume de se preocupar com a situação de uma forma mais momentânea e as chances de isso prevalecer, mesmo depois que a pandemia acabar, podem ser pequenas.

“Sim, temos muitas pessoas que estão preocupadas e que pretendem continuar investindo nessas mudanças de hábitos mesmo depois da situação atual. Contudo, vemos que diversos cidadãos já não se preocupam mais com isso, e a pandemia ainda nem acabou. É difícil esperar que essas alterações nos comportamentos prevaleçam de forma absoluta depois que tudo isso acabar”, concluiu o antropólogo.




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