24/12/2020 às 10h52min - Atualizada em 24/12/2020 às 10h52min

Após bancada histórica, mulheres miram maior representatividade na Câmara

Cargos na mesa diretora, entre eles a presidência, não estão descartados pelas parlamentares de Uberlândia

SÍLVIO AZEVEDO
Oito mulheres foram eleitas no último pleito para compor cadeiras no Legislativo Municipal | Foto: Aline Rezende/CMU

A eleição municipal deste ano mostrou um novo retrato da escolha política em grandes cidades, elegendo cada vez mais mulheres para os cargos de chefe do Executivo e também nas Câmaras Municipais. No Triângulo Mineiro, podemos destacar as duas maiores cidades, Uberlândia e Uberaba, que fizeram as maiores bancadas femininas de sua história, além de a capital do Zebu escolher Elisa Araújo (SD) como primeira mulher a assumir a prefeitura local.

Já em Uberlândia, as mulheres serão representadas por oito vereadoras. Além do aumento dessa representatividade, elas querem, e merecem, ainda mais. Há um movimento no Legislativo para buscar apoios para uma candidatura feminina para a mesa diretora da Casa, não apenas compondo, mas presidindo.

Para o professor de Direito Constitucional Ruan Espíndola, a luta das mulheres por espaço é o caminho natural da maior parte dos políticos e que, com as representantes eleitas possuindo capital político suficiente, podem conseguir influenciar na formação da mesa diretora.

“Se as mulheres, juntamente à comunidade LGBTQIA+ e os negros, que são grupos socialmente vulneráveis, ganharam representatividade nas últimas eleições ao aumentar o número dos representantes de suas pautas, lutar agora pela presidência da Câmara significa a consolidação dessa representatividade. Ou seja, essa representatividade não será apenas quantitativa, mas também qualitativa”, comentou.

Ruan ainda disse que, mesmo em um ambiente tão conservador e predominantemente masculino, os grupos mais vulneráveis ganharam força como forma de resposta ao conservadorismo, não apenas local, mas a nível nacional e internacional.

 

“Note que parece ser um movimento contraditório à ascensão de grupos vulneráveis [uma visão progressista] juntamente com uma política que continua conservadora. Então, ao que tudo indica, parece ser a falta de representatividade que fez aumentar o número de mulheres, negros e LGBTQIA+ nas Câmaras Municipais”, finalizou Espíndola.


OPINIÃO
Segundo a vereadora eleita Amanda Gondim (PDT), a participação cada vez maior das mulheres na política segue uma tendência, um crescimento histórico de ocupação feminina nos espaços com poder de decisão, incluindo a Câmara Municipal.

“Esse movimento não é de agora, ele é fruto de avanços históricos de mulheres que se levantaram frente às violências estruturais, inclusive na política, para conquistarem autonomia e independência na sociedade. Seguimos nesse movimento e caminhando para que mais mulheres também se juntem a nós e ocupem espaços políticos decisórios e cargos de liderança. Atualmente, os governos com melhores avaliações no mundo são liderados por mulheres, já demonstramos nossa potencialidade em atuar nos espaços de liderança, em especial na política”.

Para Amanda, mais do que a representatividade é indispensável quadros com qualificação para discutir as pautas relevantes para a sociedade.

“Temos a oportunidade de qualificar o debate no espaço legislativo e é necessário que as condições para isso sejam garantidas. Para isso, uma composição proporcional de mesa diretora que respeite a independência entre os poderes, valorizando o trabalho do legislativo e garantindo que todos tenham espaço para trabalhar pautas e projetos que sejam benéficos à cidade e não a grupos específicos”.

Sobre a possibilidade de a mesa diretora ter representantes femininas, Amanda disse que precisa funcionar garantindo o espaço de debate qualificado entre os diferentes campos políticos, valorizando a pluralidade de ideias e que as pautas importantes para a população possam ser trabalhadas. Além disso, é uma boa oportunidade de avançar significativamente na reestruturação da Casa.

 

“Historicamente não há a presença de mulheres em cargos expressivos dentro do Legislativo, sejam nas comissões ou na própria mesa diretora. É uma oportunidade de reorganizar o espaço de trabalho do legislativo. Somos capazes de ocupar espaços de liderança política na Câmara ou em qualquer outra esfera, nunca houve uma mulher presidindo a Câmara, o que atualmente, tendo em vista a qualificação das mulheres eleitas é a manutenção de um retrocesso histórico”.


Questionada sobre as conversas para a formação da chapa para concorrer à mesa diretora, Amanda disse que existem conversas entre grupos, mas não há a predominância de nenhum nome.



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