16/11/2020 às 13h06min - Atualizada em 16/11/2020 às 13h06min

Vereadoras eleitas revelam crescimento da força feminina na política de Uberlândia

Direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+ ganham mais representatividade com a maior bancada feminina da história do Legislativo

BRUNA MERLIN
Dandara (PT) foi a candidata mais votada pela população | Foto: Reprodução/Instagram
Oito mulheres, sendo uma transexual, fizeram história ao serem eleitas, neste domingo (15), para ocupar a bancada de vereadores da Câmara Municipal de Uberlândia. Representar e defender os direitos das mulheres e da comunidade LGBTQIA+ fazem parte dos objetivos que elas traçaram para colocar em prática ao longo dos próximos quatro anos. 

A pedagoda Dandara, representada pelo Partido dos Trabalhadores (PT), foi a candidata mais prestigiada pela população e recebeu 5.237 votos. Foram eleitas ainda, Cláudia Guerra (2.699 votos) do PDT, Drika Protetora (2.653 votos) do Patriota, Amanda Gondim (1.424 votos) do PDT, Gilvan Masferrer (1.347 votos) do DC e Thais Andrade (1.222 votos) do PV. 

Além disso, foram reeleitas as vereadoras Liza Prado (2.556 votos) do MDB e Gláucia da Saúde (1.813 votos) do PSDB, compondo então a maior bancada feminina do Legislativo de Uberlândia até hoje. 

Em conversa com o Diário, Dandara demonstrou imensa gratidão pelos cidadãos que acreditaram nela e relembrou um episódio de racismo que sofreu em 2017 que deu ainda mais força para que ela buscasse mudança para as mulheres e pessoas negras do município. 

A ativista foi discriminada por convidados de uma festa porque estava utilizando um turbante. O caso repercutiu nacionalmente e mesmo assim foi arquivado pelo juiz sem uma solução. Em razão disso, ela que já lutava pela igualdade sentiu mais vontade de lutar junto à comunidade e decidiu se candidatar a vereadora neste ano, sendo a mais votada entre mais de 800 candidatos. 

“Temos que pensar em pessoas que sofrem esse tipo de preconceito diariamente e não ficamos sabendo. Estarei lá para representá-las. Vim da periferia e quero dar voz aos cidadãos que trabalham incansavelmente, que usam o Sistema Único de Saúde (SUS) e o transporte público. Precisamos ouvir mais”, destacou. 

Dandara também ressaltou a importância da imagem feminina na política. Que, apesar de ainda não ser um número de ocupação ideal, já é um grande avanço porque mostra que a população anseia a mudança.

“Não existe mudança maior do que mulheres ocupando cargos políticos e transformando a cidade. Isso inspira outras de nós e mostra o tamanho da força que temos”, complementou ela. 

Em defesa da mulher
Cláudia Guerra (PDT) pretende defender mulheres que sofreram violência doméstica | Foto: Reprodução/Instagram 


Cláudia Guerra (PDT), que é professora universitária e uma das representantes da SOS Mulher e Família, também pretende dedicar suas experiências pessoais e seu espaço no legislativo municipal para proteger as vítimas de violência doméstica, levando educação e conhecimento à população. Ela foi a segunda mulher mais votada da cidade.

A reportagem tentou contato com ela para saber mais sobre as propostas da vereadora eleita, mas as ligações não foram atendidas. Entretanto, Cláudia fez um pronunciamento nas redes sociais agradecendo à população pela vitória e a equipe de voluntários que a ajudou na campanha.

“Fiz isso pelas mulheres e pelas pessoas que mais precisam. Quero propor uma união com a sociedade porque ela precisa ser ouvida. Promover mulheres é melhorar a vida de todas as famílias, portanto, de toda a cidade”, disse ela em um vídeo publicado no Instagram. 

COMUNIDADE LGBTQIA+
Gilvan Masferrer (DC) será a segunda mulher transexual a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal | Foto: Reprodução/Instagram

Além das mulheres, a comunidade LGBTQIA+ não ficará desamparada pelo legislativo de Uberlândia nos próximos quatro anos. Gilvan Masferrer (DC) será a segunda mulher transexual a ocupar uma cadeira na Câmara Municipal de Uberlândia. 

A parlamentar eleita também traz uma grande bagagem de vida em relação ao preconceito que sofreu desde que se aceitou como uma mulher transexual. Gilvan chegou a ser apedrejada no ano de 2013, no bairro Morumbi, e ficou em estado grave com fraturas na face e outros membros do corpo. 

“Quero transformar tudo isso que passei em força para acolher a minha comunidade e abrir cada vez mais espaço e oportunidade a ela com geração de empregos e inclusão social”, ressaltou. 

Gilvan também contou que pretende valorizar a população periférica, trazendo mais recursos e serviços públicos aos cidadãos mais pobres da cidade. “É de onde eu vim então irei levar tudo o que vivi comigo para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas. Só tenho que agradecer a todos que confiaram em mim”, finalizou a parlamentar. 

Advogada Amanda Gondim foi eleita a vereadora neste domingo (15) | Foto: Reprodução/Instagram

A população LGBTQIA+ também será representada pela advogada Amanda Gondim (PDT). A vereadora defende a diversidade e a igualdade para todos os moradores da cidade. Além disso, pretende buscar melhores políticas-públicas para as mulheres e pessoas que se identificam como mulheres.

“Quero avançar os debates que melhorem a saúde pública para todas, a inserção da educação pública sobre os crimes cometidos contra a comunidade feminina, inclusão de mulheres com deficiência e busco a evolução da lei de reeducação de autores de violência contra a mulher”, ressaltou. 

Por fim, Gondim expressou a importância da criação de políticas-públicas integradas e a participação da população nas decisões. Ela acredita que devem ser construídas pontes, fazendo um canal com os moradores e ouvi-los.

“Pretendo atender a realidade de Uberlândia e melhorar serviços como a saúde e transporte público”, concluiu a vereadora eleita. 


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