18/12/2020 às 12h37min - Atualizada em 18/12/2020 às 12h37min

Criança acusa treinador adversário de racismo durante jogo de futebol

Atleta está em Caldas Novas (GO) disputando torneio de base. Suspeito nega que tenha agido de forma discriminadora

SÍLVIO AZEVEDO
Atleta saiu do campo aos prantos relatando que se sentiu discriminado | Foto: Reprodução/Instagram
Uma denúncia de racismo envolvendo um atleta de 11 anos de Uberlândia, durante uma competição de futebol em Caldas Novas (GO), na última quarta-feira (16), vem ganhando repercussão nas redes sociais após o perfil oficial da escolinha Uberlândia Academy postar um vídeo da criança aos prantos após uma partida relatando o ocorrido.

No vídeo, Luiz Eduardo Bertoldo Santiago contou que o técnico do time adversário gritava palavras de cunho racistas para seus atletas ao pedir para que o marcassem nas jogadas. “Eu estava aqui no meio dos zagueiros e ele falava toda hora ‘fecha o preto, fecha o preto aí’. Eu guardei para falar no final para os meus pais. Ele falou um tantão de vezes”.

Um Registro de Atendimento Integrado (RAI) foi lavrado após o ocorrido. O acusado se apresentou às autoridades e negou ter cometido tal ato. Ainda de acordo com o documento, as partes chegaram a um acordo, assinaram um termo e encerraram a situação de maneira pacífica.

A reportagem entrou contato com o pai do atleta, Leones Antônio da Silva Santiago, que afirmou que a criança está bastante abalada com a situação. “Quem conhece meu filho, olhando para ele dá para ver que ele está bem abalado. Hoje de manhã ele estava no campo, fizeram uma homenagem para ele, todos de joelho, com punho cerrado. Foi muito importante para ele nesse momento difícil para ele, e para nós também. Começou a chorar, os coleguinhas também começaram a chorar falando para ele ter força”.

Leones contou ainda que nem o acusado, nem a equipe dele entraram em contato. Informou também que a família vai dar sequência no caso, em busca de justiça. “O delegado queria ouvir os pais e viemos de Uberlândia. Vamos dar sequência no caso. Não podemos deixar isso impune. Não queremos dinheiro, queremos justiça. Hoje foi com meu filho e amanhã onde ser com filhos de outros”.

Para o pai, o momento mais difícil foi receber a ligação do ocorrido e estar longe do filho para poder confortá-lo. “Para mim foi muito difícil. Como pai e como amigo. Após o jogo eles foram para a delegacia e, em seguida, o treinador entrou em contato comigo e conversei com ele por chamada de vídeo. Ele estava aos prantos e o que eu queria estar ao lado dele para abraçá-lo. Não estava em Caldas, chegamos só hoje pela manhã”.

Inicialmente ele imaginou que o caso teria acontecido com um atleta do outro clube somente tomou conhecimento das proporções no dia seguinte. “Agora é conversar com ele, explicar. A gente nunca acredita que vai acontecer que vai acontecer com um filho meu. A gente vê na televisão, vê de um jeito. Quando acontece com a gente é totalmente diferente”, comentou.


O OUTRO LADO
Nas suas redes sociais, a Liga Desportiva Região das Águas Thermais, organizadora da competição Caldas Cup, manifestou apoio ao atleta e se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e que repudia qualquer ato de desrespeito e ato discriminatório aos atletas e participantes do evento e que o acusado está suspenso até a conclusão dos fatos.

“A organização lembra que não há espaço para o racismo no futebol, na sociedade ou em nossas vidas, e que se empenha contra todo ato de discriminação. Lembra ainda que o futebol tem a magia de aproximar as pessoas pelo amor ao esporte e à vida, tudo que se privilegia no Caldas Cup”.

Em contato com o advogado de defesa do acusado, Vladimir da Costa Nunes informou que seu cliente não falou nada de cunho racista, argumentando que em um campo de futebol, se alguém fala algo, uma palavra de agressão, alguém tem que escutar, seja o juiz, outro atleta ou um técnico.

“O técnico estava de lado, eles trabalham de lado. Então isso é uma afirmação absurda. Depois que acabou o jogo o menino saiu chorando e falando que só ele escutou. Na delegacia mesmo um policial perguntou para ele e ele afirmou que ‘só eu escutei, falou só para mim baixinho’.


O advogado informou ainda que o cliente também foi vítima de racismo e que a repercussão está sendo negativa por causa de uma situação que não ocorreu e que vai buscar uma reparação judicial.

“A gente está vendo as pessoas, a imprensa. Vai dar uma repercussão negativa para o nosso cliente e ele vai buscar na justiça uma indenização devida de uma exposição de uma coisa q
ue nem foi comprovada. E durante o tumulto chamou o meu cliente de ‘negão’, porque a direção do Set (clube), são negros.


 
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