12/11/2020 às 11h06min - Atualizada em 12/11/2020 às 11h06min

Especialistas analisam propostas de candidatos a prefeito de Uberlândia

Discurso ideológico, recuperação econômica e desburocratização da administração pública estão entre os pontos comentados

SÍLVIO AZEVEDO
Falta de candidatas à chefia do Executivo de Uberlândia também é apontada como negativa por professor de Política | Foto: Divulgação

Durante as duas últimas semanas, o Diário de Uberlândia trouxe uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Uberlândia nas eleições, que acontecerão no próximo domingo (15). Foram abordados temas como saúde, educação, recuperação da economia, mobilidade urbana, esporte, lazer e cultura.

Após a publicação das entrevistas, a pedido do Diário de Uberlândia, as respostas foram analisadas pelo professor de Direito Constitucional e Política da UFU, Alexandre Walmott Borges, o professor também da mesma área, Ruan Espíndola, e o historiador, advogado, com especialização em Direito Civil, 
e professor de Ciência Política, Weber Abrahão.

Todos os nove candidatos com registro deferido receberam as mesmas perguntas que foram respondidas e publicadas nas versões online e digital do Diário, com o mesmo espaço e destaque, para apresentarem suas propostas ao eleitorado. Confira abaixo a opinião dos especialistas acerca das propostas.

ALEXANDRE WALMOTT BORGES
Tem uma coisa que não está escrita, mas é um problema geral, que é o seguinte: Não tem nenhuma candidata. Isso já é um problema. Como Uberlândia não tem nenhuma candidata? Isso é um negócio sério. Em uma cidade que tem a maioria da população composta por mulheres, o máximo que temos são algumas vices.

Fica bem claro nos candidatos, as linhas gerais das grandes ideologias. Isso é bom, afinal de contas a eleição não deixa de funcionar como um grande palco de opções. Você tem desde o professor Gilberto Cunha (PSTU), que é extrema esquerda, com discurso que segue a linha marxista tradicional, até no outro extremo que tem o Thiago Fernandes (PSL), invocação de elemento religioso. Bem a direita. Então essas linhas gerais de ideologia aparecem e eu acho isso importante. Faz parte do processo de escolha do eleitor, ele saber quem é. Isso contrasta um pouco aquela ideia de que no Brasil as pessoas não votam em ideias e ideologias. Votam e está traduzida ali.

É claro que você tem candidatos mais competitivos que preferem mergulhar para o centro, mas as ideologias ficam bem claras. E esse ponto acaba abraçando curiosamente com outro. Em todos eles teve ideias de generalidade e platitudes. Eu fico muito tranquilo como eleitor que todo mundo vai melhorar a administração pública. Agora, se a gente para um pouquinho e pensa que é o óbvio, todos têm que melhorar a administração pública. Tem uma boa quantidade de generalidades e platitudes que na verdade não esclarecem muito. Na verdade, fala-se muito em boa administração, administração moderna, voltada para a nova realidade social que nós vivemos, mas na verdade, em muitos pontos, ficamos no geral, na amenidade e boas intenções.

RUAN ESPÍNDOLA
Vi que o Adriano, Felipe, Professor Edilson e Placidino são mais propositivos, com mais projetos. O Odelmo falou apenas sobre o que ele já fez. Os demais são mais frases de efeito. Se formos analisar, o professor Gilberto é um candidato para levar a bandeira do PSTU. Ele tem muito mais intenção de divulgar e difundir as ideias do partido, que acredita naquilo, só que seria algo a se fazer a nível nacional, não municipal. Não dá pra fazer uma cidade que não seja capitalista em um país capitalista, não orna o sistema. Essa é a ideia dele, embora que não se parece factível, mas é algo para levar a bandeira. O Thiago está surfando na onda do populismo de direita. Embora ele tenha esses valores e ideologia, a forma de atuação não seria muito diferente. Ele conseguiria jogar o jogo da política, fazer uma administração plausível.

Thiago Fernandes e Felipe Attiê possuem mais frases de efeito. O primeiro com um tom mais de populismo conservador, enquanto o Felipe mais de exaltação pessoal.

Pare recuperação da Economia, Felipe Attiê, Arquimedes e Thiago Fernandes usarão de linha de crédito a pequeno e micro empresário, enquanto Odelmo possui um discurso mais vago. O PTBista é o único que propõe a criação do distrito agroindustrial, instalação de estações fotovoltaicas, inovação da administração da saúde, criação de tele-salas para as escolas.

Outras propostas que dá pra destacar são a da criação do VLT/metrô, do Professor Edilson e Adriano Zago. Quatro candidatos defendem a criação do Samu, sendo eles Thiago Fernandes, Wallace, Adriano Zago e Arquimedes.

A desburocratização da máquina pública também é defendida pelos candidatos Felipe Attiê, Adriano Zago e Thiago Fernandes. Já Gilberto Cunha é o único a defender a criação de conselhos populares, bem como o único a ser completamente refratário a parcerias com a iniciativa privada.

Alguns candidatos também têm propostas que dependem de outras instâncias. Arquimedes e professor Edilson falam em revogação da EC 95. O petista fala também em ter voz política, se tornando líder regional do Triângulo Mineiro para exigir medidas de Romeu Zema e Jair Bolsonaro, bem como, ao lado de Wallace, na manutenção do auxílio emergencial. Odelmo faz planos com o programa habitacional "Casa Verde e Amarela", que ainda não foi criado pelo governo federal.

WEBER ABRAHÃO
O que percebo é que o que nós temos, em primeiro lugar, uma preocupação comum em recuperar economia, valorizar o profissional, garantir verbas, criar estruturas de maior participação política social e, ao mesmo tempo, democratizar a máquina pública. Existe uma questão de fundo e às vezes a gente não enxerga em uma primeira leitura das entrevistas, ou da própria trajetória do candidato, é possível entender duas perspectivas em relação ao poder público. Uma que se desenvolve no discurso de maior liberdade dos agentes econômicos e a outra que aposta em um gerenciamento maior do Estado em relação ao interesse e necessidade da sociedade.

Em todas as falas, a gente percebe uma leitura programática, teórica, daquilo que é administração pública, ao mesmo tempo nós percebemos uma fala associada a programas mais amplos, vinculados à própria concepção partidária a qual cada um pertence.

De qualquer forma, qualquer candidato que vencer a eleição vai enfrentar uma conjuntura nacional e internacional muito difícil e vai ter que apresentar resultados de forma eficiente e rápida. Entendo que por aí, essa situação vai se desenhar.


* O texto foi atualizado às 14h24 desta quinta-feira (12).


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