29/10/2020 às 09h41min - Atualizada em 29/10/2020 às 09h41min

PCdoB vem para a disputa com o Professor Edilson Graciolli

Candidato do PTB, Felipe Attiê é o próximo entrevistado pelo Diário

SÍLVIO AZEVEDO
Edilson Graciolli tem 56 anos, é professor titular de Ciência Política e Sociologia da UFU e vereador em seu primeiro mandato | Foto: Divulgação
Desde a última terça-feira (27), o Diário traz uma série de entrevistas com os candidatos a prefeito de Uberlândia para as eleições que acontecem no dia 15 de novembro. Já foram publicadas as entrevistas com Adriano Zago (PDT) e Arquimedes Ciloni (PT). Seguindo a regra de ordem alfabética, nesta quinta-feira (29), será a vez do Professor Edilson Graciolli (PCdoB).

Na sequência serão publicadas as entrevistas com Felipe Attiê (PTB), Gilberto Cunha (PSTU), Odelmo Leão (PP), Placidino Stábile (MDB), Thiago Fernandes (PSL) e Wallace (PSOL). Caso Lourival Santos (MDB) consiga algum recurso judicial lhe dando o direito de participar do pleito, seu espaço está garantido.

Professor titular de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) há 27 anos, Edilson Graciolli tem 56 anos é o representante do PCdoB nas eleições majoritárias. Atualmente também exerce mandato de vereador. O vice da chapa é Eduardo Araújo Souza, 66 anos, aposentado, ex-conselheiro estadual e municipal de Saúde e tem forte atuação no Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN).

Como é baseado o seu projeto de governo para Uberlândia entre 2021 e 2024?
Nosso Plano de Governo (disponível, além do site Divulga Candidaturas, do TSE, em nosso blog) tem como referência de fundo o Programa do PCdoB e a plataforma do #Movimento65 para cidades democráticas. Em síntese, defendemos um Novo Projeto Nacional de Desenvolvimento, estruturado em desenvolvimento e soberania nacionais, democracia e direitos sociais. No caso específico do Plano de Governo, ele está estruturado em 4 eixos: Desenvolvimento socioeconômico sustentável (com ênfase na inovação, apoio às pequenas empresas, mobilidade urbana, tarifa zero e planejamento urbano); Democracia (aqui incluídas educação, cultura, participação social, interação com a sociedade civil); Justiça Social (SUS adequadamente financiado, gestão pública da saúde, prioridade à atenção primária e ampliação das UBSF, combate às opressões e discriminações, política de moradia com combate à especulação imobiliária, criação da Guarda Civil Municipal, tributos a serviço da população, com IPTU progressivo). Gestão pública (criação da Unidade de diagnóstico, acompanhamento e avaliação de políticas públicas; respeito aos Conselhos Municipais; criação do Conselho Municipal de Desenvolvimento (tripartite), gestão com foco na participação social e eficiência, redução dos cargos comissionados após um diagnóstico sério).

Quais as expectativas para governar uma cidade do porte de Uberlândia em um período final e pós-pandemia?
Levaremos a sério o conhecimento científico e a participação social como instrumentos para que não haja a falsa polarização entre saúde e economia. Atuaremos para que o governo federal, que aportou R$ 1,2 trilhão para o sistema financeiro, passe a agir de forma correta, ou seja, destinando recursos para movimentar a economia.

Quais são as suas propostas para recuperar a economia do Município?
Nossa prioridade imediata será, com base na Lei 123/2006, um tratamento diferenciado, adequado às particularidades das microempresas e as de pequeno porte, de forma que elas possam participar em condições condizentes com suas particularidades das licitações e processos de compra, como vetor para o desenvolvimento econômico local. Mas a grande estratégia será a inovação, para o que parcerias com o capital produtivo e a Universidade Federal de Uberlândia serão decisivas. A mobilidade urbana, com a definição de um grande projeto ou para metrô, ou para VLT, será o carro-chefe para a geração de empregos em atividade de grande porte.

A Saúde é uma das pastas que mais recebe recursos e, também, motiva muitas reclamações por parte dos usuários do sistema público, especialmente quanto ao déficit de leitos. Como diminuir essa insatisfação e melhorar a qualidade dos atendimentos nas unidades de saúde?
Atuaremos para que o SUS seja adequadamente financiado, pela revogação da EC 95 e pela revisão do teto de gastos com procedimentos de alta e média complexidade para Uberlândia, pois todos esses são constrangimentos estruturais, os dois primeiros em termos nacionais e o terceiro específico para a cidade, em decorrência de negligência do prefeito e do secretário de Saúde em 1990. Implantaremos uma gestão pública para a saúde, priorizaremos a atenção primária e ampliaremos as UBSF.

Aposentado e ex-conselheiro estadual e municipal de Saúde, Eduardo Araújo Souza é vice na chapa de Graciolli pelo PCdoB | Foto: Divulgação


A Educação também figura entre os segmentos mais importantes na gestão pública. Quais as principais ações do seu governo propostas para o segmento?
Avaliação das metas alcançadas, ou não, do Plano Municipal de Educação, revisão deste PME na direção de uma educação democrática, inclusiva e sem discriminação, articulação entre educação e cultura e valorização dos profissionais que atuam na rede municipal de ensino, por meio de incremento da formação continuada e recomposição do poder aquisitivo dos salários.

Os setores cultural e esportivo têm sido alguns dos mais afetados pela pandemia da Covid-19. Como auxiliar na retomada e fomentar áreas que, há muito, já vêm sofrendo com cortes de investimentos em todos os âmbitos da Administração Pública?
Além da articulação entre educação e cultura, atuaremos pelo fim das discriminações quanto à cultura periférica, como capoeira, hip hop, dança de rua, tradições afro-brasileiras. Mas quero deixar claro que os desafios da cultura são muito maiores do que o que decorre da pandemia. O Plano Nacional de Cultura vem sendo destruído e precisamos reverter isso. No plano orçamentário aportaremos ao setor pelo menos o que está previsto em Lei para o município (1%), ampliando para 2% progressivamente.
No setor esportivo é prioritário um bom diagnóstico dos projetos que existem e da atuação da Futel, base para um plano municipal de esporte.

Muitos especialistas indicam a urgência de Uberlândia passar a contar com um plano de mobilidade urbana efetivo diante ao crescimento exponencial da cidade. Em seu governo, como o planejamento de tráfego e melhorias no transporte urbano serão tratados?
Nos primeiros 6 meses a 1 ano teremos um robusto processo de seminários e audiências públicas, com especialistas, visando a definição da melhor alternativa para transporte público de qualidade e de massas, se VLT ou metrô. Na sequência, por meio de parcerias com outras esferas do Poder Público e com a iniciativa privada, mas sob o controle da Prefeitura, iniciaremos a construção da alternativa escolhida. Avançaremos, progressivamente, para a tarifa zero, por meio de fontes de financiamento não tarifário para o transporte público, definido, desde 2015, por meio da EC 90, como direito social, ao lado da educação, saúde e segurança pública, serviços que não são tarifados e que devem servir de referência também para o transporte público. No mundo existem 86 cidades e no Brasil 12 que já implantaram a tarifa zero, ou estão finalizando tal migração, demonstrando que é possível esse modelo. O transporte público é o futuro das cidades, seja do ponto de vista da mobilidade, seja em termos de respeito ao meio ambiente.

O candidato gostaria de comentar alguma outra proposta de área específica não tratada nos questionamentos anteriores?
Reformularemos os mecanismos de publicidade e transparência dos dados e documentos da PMU para ampliar acesso e clareza (criação de painéis e repositórios na página da internet da prefeitura).

Considerações finais: por que você acredita que seu plano de governo é melhor do que o dos demais candidatos?
Talvez eu não seja tão conhecido por parte da população de Uberlândia. Mas considero importante registrar que atuo como professor da UFU há 27 anos, além de outros seis no ensino fundamental e médio, em Jundiaí-SP. Portanto, tenho uma longa trajetória na formação de jovens cidadãos e cidadãs, experiência enriquecida por uma comprovada seriedade no trato da coisa pública. Nestas mais de três décadas, o debate público qualificado, valorizando o conhecimento como base para a atuação política, sempre foi o meu foco e penso que isso me credencia a ser instrumento do projeto de cidades democráticas do #Movimento65, feito por pessoas comuns que têm compromisso com mudanças substantivas na política. O Plano de Governo que estamos apresentando nesta campanha é a tradução programática disso tudo.

SERVIÇO
Número na urna:
65
Chapa: PCdoB
Instagram: @professoredilson
Facebook: professoredilson65
Site: professoredilson.com.br
YouTube: Professor Edilson Graciolli 



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