24/10/2020 às 08h30min - Atualizada em 24/10/2020 às 08h30min

Pelé e suas histórias com Uberlândia em 1960 e 1980

Craque esteve na cidade para amistosos com o Verdão duas vezes

IGOR MARTINS
Mesmo aposentado, o Rei teve tratamento especial quando veio a Uberlândia | Foto: Arquivo Futel

Craque, gênio, lenda, rei. São vários os adjetivos direcionados a um dos maiores atletas de todos os tempos. Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, completou 80 anos nesta sexta-feira (23). O seu legado, marcante para o desenvolvimento do esporte em todo o mundo, continua na memória de uberlandenses, que compartilharam histórias de quando o rei esteve na cidade, nas décadas de 60 e 80.

Como lembra o colunista do Diário Alberto Gomide, o antigo estádio do Uberlândia Esporte Clube (UEC), o Juca Ribeiro, já foi palco de um jogo amistoso do Rei, realizado em 8 de janeiro de 1961. A equipe santista marcante do trio Coutinho, Pelé e Pepe encarou o Verdão e conseguiu uma vitória por 6 a 1.

De acordo com Gomide, os veículos de comunicação da época apontavam que o estádio estava lotado mesmo em um dia chuvoso, tudo isso para ver de perto um dos maiores jogadores de futebol da história. Segundo ele, houve até uma provocação ao rei, enquanto a partida ainda estava empatada. “Me parece, pelos documentos da época, que a torcida começou a gritar ‘Cadê a dupla Pelé e Pepe?’ Depois disso, o Santos, que era um timaço, começou a jogar e fazer gols”, disse.

Questionado sobre a influência de Pelé na história da seleção brasileira, Alberto Gomide afirmou que, mesmo que ele não tivesse vestido a camisa canarinha, o Brasil ainda tinha grandes condições de ganhar títulos. “A seleção daquela época tinha um potencial elevado, ótimos jogadores, muitos craques. Didi, Gerson, Rivelino, Zagallo, Tostão, mas é claro que o Pelé foi um somatório que fez o mundo ficar encantado com o futebol brasileiro”, relatou o colunista.
 
TRATAMENTO ESPECIAL
O mineiro nascido em Três Corações voltou a Uberlândia em 1980, quando já era aposentado. Depois de pendurar as chuteiras, o rei foi convidado para ser o relações públicas do extinto New York Cosmos, clube pelo qual Pelé jogou ao final de sua carreira, marcando 64 gols em 106 jogos, aproximadamente.

No dia 16 de março de 1980, o time novaiorquino desembarcou na cidade para fazer um amistoso com o UEC, também no Juca Ribeiro. Mesmo sem a presença de Pelé no gramado, o time, de acordo com o jornalista Odival Ferreira, era uma atração à parte. Isso porque grandes figuras do futebol mundial defendiam a equipe naquele ano, como Romerito, Chinaglia e o alemão Franz Beckenbauer, tricampeão da UEFA Champions League e duas vezes campeão da Copa do Mundo, sendo uma como jogador e outra como treinador.

“O Cosmos era uma verdadeira constelação, com grandes craques de várias nacionalidades, e todos eram grandes atrações. Mesmo com o Pelé aposentado, houve um tratamento todo especial para o rei, como um convite para visitar o Praia Clube na época.”, disse Ferreira.

Quem se lembra muito bem deste dia é Altamir Vicente Ferreira Júnior, também conhecido como Juninho. Atualmente com 50 anos, o preparador físico que atua no Verdão tinha 10 anos em 1980. Em entrevista ao Diário, ele contou que no dia da partida entre New York Cosmos e Uberlândia, sua mãe havia comprado uma bola para que ele a levasse até o hotel onde a delegação do time norte-americano estava hospedada.

“Eu estava na porta do hotel, na hora do jantar, e o Pelé chegou. Eu me lembro que tinha muita gente na porta pedindo autógrafos, muita gente da imprensa, e todos foram de encontro ao rei, mas eu fiz o caminho inverso, fui para a escada de entrada para os quartos. Ele foi se desvencilhando do pessoal e veio ao meu encontro. Quando ele me viu, ele abriu um sorriso tão grande... ele tinha um prazer enorme com o futebol”, disse.


Juninho teve bola autografada do Pelé em 1980 | Foto: Arquivo Pessoal

Depois disso, Juninho disse que o rei pegou a bola, a assinou, o abraçou e disse: “Vamos lá comigo para pegar mais autógrafos. Para mim, foi como se eu tivesse ganhado a Copa do Mundo. Eu subi e todos estavam no restaurante jantando. Fui de mesa em mesa, o Pelé me apresentou a todos os jogadores e peguei a assinatura deles”, lembrou.
 
FICHA TÉCNICA:
 
SANTOS (1116 jogos e 1091 gols)
 
Títulos:

  • Campeonato Brasileiro Série A: 1961, 1962, 1963, 1964, 1965, 19968

  • Copa Libertadores da América: 1962, 1963

  • Copa Intercontinental: 1962, 1963

  • Recopa dos Campeões Intercontinentais: 1968

  • Campeonato Paulista: 1958, 1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968, 1969 e 1973

  • Torneio Rio-São Paulo: 1959, 1963 e 1964

 
NEW YORK COSMOS (106 jogos e 64 gols)
Títulos:

  • North American Soccer League: 1977

 
SELEÇÃO BRASILEIRA (92 jogos e 77 gols)
Títulos:

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