01/10/2020 às 10h47min - Atualizada em 01/10/2020 às 10h47min

Setor de eventos cobra retorno de pequenas atividades em Uberlândia

Há mais de seis meses parada, categoria contabiliza prejuízos e demissões em massa

BRUNA MERLIN
Jenyffer Rodrigues, dona de empresa de buffet, pede que setor volte de forma gradativa | Foto: Arquivo Pessoal

Empresários e trabalhadores do setor de eventos estão pedindo o retorno de pequenas atividades em Uberlândia. A categoria já está há mais de seis meses parada e sem previsão de retomada do segmento econômico, devido à pandemia do novo coronavírus, e soma inúmeros prejuízos, além de sofrer com as demissões em massa.
 
A procura por apoio da Prefeitura de Uberlândia acontece desde o mês de abril, segundo a empresária Jenyffer Rodrigues. Ela, que está à frente do movimento da categoria para tentar retomar os serviços, é proprietária de uma empresa de buffet e decoração.
 
De acordo com Jenyffer, representantes do setor realizaram diversas reuniões com o Comitê Municipal de Enfrentamento à Covid-19 para tentar traçar soluções, mas até o momento nada foi resolvido. A expectativa é de que o setor possa voltar de forma gradativa e com a liberação de cerimônias de até 50 a 70 pessoas.
 
“Eles não nos dão um posicionamento. Estamos no escuro sem entender o que vai acontecer. Não existe uma expectativa de quando iremos poder voltar e ninguém está fazendo esforço para que isso aconteça”, detalhou.
 
A empreendedora demonstrou indignação com o cenário e explicou que a retomada de pequenos eventos irá ajudar e desafogar os problemas de muitas pessoas. “Não queremos nada bagunçado porque somos todos responsáveis e temos um nome a zelar. Mas queremos a oportunidade de nos reerguermos, seguindo todas as recomendações de segurança estipuladas pela Organização Mundial de Saúde (OMS)”, concluiu.
 
O próximo passo é representar junto ao Ministério Público Estadual (MPE) solicitando soluções ao setor. Os representantes da categoria também pretendem conversar com o governador de Minas Gerais Romeu Zema e realizar uma reunião com a Câmara Municipal neste mês.  
 
O Diário de Uberlândia entrou em contato com a Prefeitura e solicitou um posicionamento sobre a falta de respostas alegada pelo setor. Por meio de nota, o Executivo informou que, junto ao Comitê Municipal de Enfrentamento ao Coronavírus, está atento aos dados de incidência da Covid-19 na cidade e que por meio deles o Comitê avalia criteriosamente e diariamente quais setores podem ou não atuar, estando com canais de comunicação abertos com os representantes das áreas.

“Conforme avaliado e publicado nos boletins informativos dos últimos dias, a incidência de novos casos positivos permanece elevada para abertura imediata de atividades que exigem maior restrição, conforme protocolos de segurança adotados em todo Brasil e no mundo”.
 
TENTATIVA DE SOLUÇÕES
Stela Alves Fernandes é proprietária de uma empresa de salões de festa, buffet e decoração, e não realiza eventos desde o dia 14 de março. Por causa dos contratos cancelados e adiados, a empresária teve que dispensar funcionários e até vender um dos espaços para conseguir pagar as contas.
 
“Tinha dois espaços para a realização dos eventos. Precisei entregar um porque não estava conseguindo manter as despesas. É uma situação muito difícil”, frisou.
 
A empresária também teve que pedir um empréstimo de R$ 100 mil ao banco para manter os salões e quitar dívidas pessoais que foram acumulando. Stela contou ainda que durante os últimos seis meses conseguiu somente uma renda de R$ 150 com a venda de comidas e decorações na época das festas juninas.
 

“É muito triste ver que ninguém está preocupado com a nossa situação. São diversas pessoas que perderam o emprego e não estão conseguindo manter as famílias. Seis meses é muito tempo”, ressaltou.

 
A Jenyffer Rodrigues também compartilha dos mesmos problemas enfrentados pelos colegas de profissão. A empresária, que teve diversas festas canceladas e mais de 250 funcionários demitidos, optou por tentar vender marmitas, mas acabou acumulando mais prejuízos.
 
“Tentei essa solução para conseguir manter um pouco de renda, mas tudo ficou pior. O preço dos alimentos aumentou, a procura não era grande e tudo foi desandando”, lamentou.
 
INDIGNAÇÃO
O descaso com o setor está gerando indignação entre os empresários. A Patrícia Rodrigues, dona de uma empresa que fornece serviços de entretenimento para festas, acredita que falta compreensão e uma melhor avaliação por parte dos órgãos competentes sobre o retorno dos eventos já que outros serviços que foram liberados, como bares e restaurantes, também apresentam perigo de contaminação do coronavírus.
 

“É muito injusto ver que festas clandestinas e outros comércios estão proporcionando a aglomeração de centenas pessoas e não existe nenhuma fiscalização para isso”, destacou.

 
A empreendedora também teve muitas dificuldades ao longo dos últimos seis meses. Segundo ela, a empresa existe há 17 anos e nunca passou por uma situação dessa.

A renda da empresa foi completamente zerada e 17 trabalhadores, entre funcionários fixos e freelancers, foram dispensados. Além disso, Patrícia teve que vender bens próprios para conseguir pagar algumas contas atrasadas.
 
“Eu ainda encontrei algumas formas para driblar a situação, mas imagina esses trabalhadores que não conseguem? As pessoas estão passando por dificuldades sérias e ninguém está vendo isso”, finalizou.


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