24/07/2020 às 09h22min - Atualizada em 24/07/2020 às 09h22min

Detentos e internos produzem máscaras para a rede de saúde em Uberlândia

Ação para enfrentamento ao coronavírus ocorre em centro socioeducativo e unidades prisionais da cidade; itens também são doados a outras instituições públicas

BRUNA MERLIN
Treze presos do Presídio Professor Jacy de Assis participam da produção de máscaras | Foto: Divulgação

A demanda por máscaras, que auxiliam na proteção contra o novo coronavírus, cresce a cada dia que passa. Com isso, penitenciárias, presídios e centros socioeducativos abraçaram a oportunidade e levaram oficinas de produção do equipamento aos detentos e internos. Em Uberlândia, o Presídio Professor Jacy de Assis recebe a atividade desde o início do mês de abril.
 
Ao todo, 13 presos do sexo masculino, escolhidos através de uma classificação, trabalham na confecção das máscaras. Segundo o diretor regional da Polícia Penal, Luciano Cunha, os tecidos e maquinários foram fornecidos pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e, atualmente, cerca de mil máscaras são fabricadas por dia.
 
Toda a produção é distribuída para órgãos de segurança da cidade como Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, unidades prisionais da 9° Região Integrada de Segurança Pública (Risp) e outras instituições estaduais.
 
“A oficina é oferecida todos os dias, incluindo os fins de semana, e os detentos se revezam. No início, eles eram acompanhados por um profissional da área, mas agora conseguem fazer tudo sozinhos”, explicou.
 
A atividade também é realizada na Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga em Uberlândia. Doze presos, também do sexo masculino, praticam a oficina e produzem cerca de 600 máscaras por dia, desde o mês de maio.
 
Neste caso, os insumos são doados pela Prefeitura de Uberlândia. Todas as máscaras fabricadas são entregues aos profissionais e pacientes das unidades municipais de saúde como Unidades de Atendimento Integrado (UAIs), Hospital Municipal e Unidades Básicas de Saúde Familiar (UBSFs).
 
REDUÇÃO DE PENA
Além de trazer benefícios à sociedade e instituições, as oficinas ofertadas no presídio e na penitenciária garantem muitos benefícios aos presos que participam da produção. Um deles é a redução de pena por dias trabalhados. “O esquema é o mesmo para os dois complexos prisionais. A cada três dias trabalhados o detento tem um dia reduzido da pena. É uma oportunidade muito boa para eles”, detalhou Luciano Cunha.
 
O diretor regional ressaltou ainda que as oficinas oferecem aprendizado e mais oportunidade de ressocialização na sociedade aos detentos. Além disso, a atividade afasta a ansiedade e promove o trabalho em equipe. “Esse aprendizado pode ser levado para fora quando eles concluírem a pena. Poderão aplicar o conhecimento para conseguir um emprego ou criarem o próprio negócio”, finalizou.
 
CENTRO SOCIOEDUCATIVO


Adolescentes fabricam máscaras para servidores e familiares | Foto: Divulgação

 
O Centro Socioeducativo de Uberlândia, que recebe adolescentes de 12 a 18 anos, também implantou uma oficina de produção de máscaras. A atividade começou no início deste mês de julho e aproximadamente 50 equipamentos são produzidos por dia.
 
Segundo o diretor-geral da instituição, Gilson Gonçalves Rodrigues, a oficina se baseia em duas vertentes. A primeira é o auxílio no combate da Covid-19 e a segunda é ofertar aprendizado e conhecimento aos adolescentes participantes. “Nosso objetivo é fornecer oportunidades para expandir o conhecimento deles. Abrir portas para uma vida profissional no futuro”, ressaltou.
 
Atualmente, quatro adolescentes do sexo masculino fazem parte da oficina, mas a previsão que o número de voluntários chegue a oito. Eles trabalham na fabricação todos os dias, exceto às terças-feiras, no período do contraturno do horário escolar, e cada um é responsável por uma função como cortar o tecido, costurar e passar. Todo o material utilizado é concedido pela Sejusp.
 
As máscaras confeccionadas são distribuídas aos servidores do Centro Socioeducativo, aos próprios adolescentes e familiares deles. “Eles estão empenhados e fazendo tudo com muito cuidado e capricho, zelando pela qualidade final dos produtos. Também se preocupam com o trabalho e querem incentivar a família para que todos usem as máscaras nesse período”.
 
Gilson conta que o trabalho já resulta em diferenças significativas e perceptíveis no comportamento dos adolescentes. O diretor-geral também acredita que o trabalho de confecção realizado por homens desmistifica o pensamento de que somente mulheres podem realizar costura.
 
“São muitos benefícios, tanto intelectuais quanto comportamentais, que eles recebem. O trabalho em equipe também ajuda uma nova construção de pensamentos a eles”, concluiu o representante do Centro.

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