20/07/2020 às 15h09min - Atualizada em 20/07/2020 às 15h09min

Empresários apostam no e-commerce para garantir vendas na pandemia

Comerciantes de Uberlândia investem em estratégias digitais e parcerias para ampliar negócios

DHIEGO BORGES
Proprietário de loja de presentes e decoração passou a investir mais online | Foto: Arquivo Pessoal
Vender pela internet não é uma novidade, mas os tempos de isolamento social têm mostrado que o comércio online pode abrir um grande leque de oportunidades para ampliar os negócios. A pandemia do coronavírus fez com que os empresários voltassem os olhos para o chamado e-commerce. Segundo um levantamento do movimento Compre&Confie, o e-commerce brasileiro faturou R$ 9,4 bilhões em abril, um crescimento de 81% se comparado ao mesmo período de 2019.

Em Uberlândia, empresas têm investido cada vez mais no setor. Com as restrições para o funcionamento do comércio, as vendas online se tornaram não apenas uma alternativa, mas um negócio promissor que para muitos ainda não era tido como foco. Foi o caso dos empresários Felipe Rodrigues e Ana Luiza Tinoco, sócios da loja Paper Store, que possui duas unidades em dois shoppings de Uberlândia e uma em Ribeirão Preto (SP). 

Com o fechamento do comércio, a empresa, que comercializa artigos de decoração, presentes e papelaria, teve que acelerar os planos de posicionamento digital para atuar com as vendas online. O sócio Felipe Rodrigues conta que começou a investir em uma plataforma online no fim de abril como teste e as vendas superaram as expectativas. 

Em apenas dois meses e meio de operação, ele diz que a loja vem dobrando o faturamento a cada mês. “Com os resultados, vimos a necessidade estruturar. Criamos um site e passamos a investir em redes sociais. Em junho, dobramos o faturamento de maio e julho já superou o mês de junho inteiro”, destaca.

Para conseguir atender à demanda e ampliar as vendas, os empresários buscaram parcerias com market places, transportadora e com os Correios. Além do site, os produtos são comercializados via aplicativo do WhatsApp e pelas redes sociais. Com as unidades físicas fechadas, os dois também investiram em embalagens personalizadas e passaram a despachar os pedidos dos clientes de casa mesmo. 

Felipe revela que também tem investido em anúncios para atingir mais clientes e já pensa em ampliar o serviço. “Mesmo após a reabertura das lojas físicas, em breve a gente deve investir em um espaço para fazer um estoque da loja virtual e tocar como um outro negócio”. 

Quem também passou a investir nas vendas online foi a empresária Vanessa Lício, que é proprietária da Van Acessórios, uma loja de artigos femininos que fica na região sul de Uberlândia. A empreendedora conta que a loja tinha um site, mas até o surgimento da pandemia o e-commerce não era considerado um foco. 

Empresária do ramo de artigos femininos transformou escritório em depósito de produtos | Foto: Arquivo Pessoal

 
Sem a possibilidade de realizar o comércio de forma física, a saída então foi investir nos canais digitais. “Procurei novos canais como os market places, no site e comecei a dar maior atenção aos clientes que não visitavam muito o nosso site fazendo contato por meio do WhatsApp e redes sociais. Também passamos a usar e-mail marketing e mais estratégias de comunicação”, afirma.

Vanessa também revela que outra estratégia foram os cupons de desconto anunciados nos market places como forma de atrair os clientes para a loja. Os produtos passaram a ser embalados no escritório da loja, que acabou se transformando em um depósito. Junto com duas funcionárias, ela mesma prepara os pedidos e as entregas locais são entregues por um profissional terceirizado. As demandas de outras regiões são direcionadas pelos Correios.

A empresária revela ainda que a principal vantagem foi a possibilidade de direcionar custos e ampliar a oferta dos produtos. “Foi uma oportunidade de encontrar mais pessoas interessadas em nossos produtos e atender mais pessoas com uma estrutura mais reduzida”, conta.

ESTRATÉGIA
Empresário passou a vender máscaras personalizadas online | Foto: Arquivo Pessoal

Enquanto uns choram, outros vendem lenços. No caso do empreendedor Alexandre Serafim, não foram os lenços, mas as máscaras que fizeram o empreendedor alavancar o seu negócio mesmo com a pandemia. 

Serafim, que desde 2016 mantém uma loja online de presentes e decoração chamada de ‘Com Amor Presentes’ passou a criar máscaras personalizadas com estampas para atender à procura em tempos de pandemia. O empresário revela que a estratégia foi uma forma de conseguir atrair clientes e converter as vendas também para os produtos já disponibilizados na loja. 

De acordo com o empreendedor, a procura pelas máscaras se intensificou em abril, mas com o tempo os clientes também passaram a buscar outros produtos que ele já comercializava. Um dos artigos mais procurados foram os quadros com criações próprias. Segundo Alexandre, as vendas cresceram em torno de 15% a 20%. 

“Hoje, as pessoas acessam o site buscando a máscara, mas elas também compram outros produtos. Com a pandemia, passei a receber demandas de outras regiões e consigo atender a nível nacional”, conta. 

PLAYERS
Grandes players do mercado também registraram crescimento na procura por produtos no último trimestre. Em Uberlândia, o número médio de acessos no site e-Fácil, voltado para o e-commerce, saltou de 700 mil para 2,8 milhões. 

De acordo com o gerente de e-commerce, Eduardo Souza Pimentel, a taxa de conversão em vendas também teve crescimento. Segundo o responsável, antes da pandemia, de cada cem pessoas que visitavam o site, 1,4 compravam. Hoje, esse número está em 1,8. 

Segundo o gerente, as categorias que mais registraram procura foram informática e utilidades domésticas. Entre os itens mais vendidos, smartphones, por exemplo, tiveram crescimento superior a 300%. Eletrodomésticos, como refrigeradores, máquinas de lavar e outros também registraram procura acima de 100%. 

O gerente conta que para atender a demanda, a empresa fez novos investimentos. “Tivemos que investir mais em tecnologia, contratar mais pessoas para garantir o atendimento ao cliente por telefone. Além disso, reforçamos equipes comerciais e de marketing e na parte de logística também contratamos novos transportadores”, revela.

Segundo o responsável, somente para o setor de callcenter, o site aumentou em 25% o número de atendentes. Além das contratações, a empresa também passou a oferecer a categoria supermercado, que até o início da pandemia ainda não era disponibilizada. “Vimos a necessidade de também colocar esse mix para que as pessoas pudessem fazer uma compra mais planejada e receber as compras no conforto do lar”, revela Eduardo. 



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