21/10/2019 às 12h00min - Atualizada em 21/10/2019 às 15h11min

Disputa pela Prefeitura de Uberlândia aquece cenário político

Diário apurou que se as eleições fossem hoje, Uberlândia teria ao menos oito candidatos para o Executivo

VINÍCIUS LEMOS
Odelmo Leão deve tentar o quarto mandato | Foto: PMU/Divulgação
Aberta a contagem regressiva de um ano para as Eleições Municipais, o cenário que desponta no momento em Uberlândia é de crescimento de candidaturas na disputa à Prefeitura. Em 2012, a cidade teve apenas três candidatos a prefeito, já em 2016 foram cinco.

Se as eleições municipais fossem hoje, pelo menos oito candidatos entrariam na disputa pela cadeira de prefeito de Uberlândia, segundo sondagem feita pelo Diário. Num cenário ainda distante do pleito, porém já de intensa movimentação nos bastidores políticos, apenas três nomes são apontados como certos como pré-candidatos, o atual chefe do Executivo, Odelmo Leão (PP), e os vereadores Michele Bretas (Avante) e Adriano Zago, que está no MDB mas já deixou claro que vai deixar a legenda assim que possível. O mais certo é que ele migre para o PDT para a disputa municipal. Partidos como PSL, NOVO, REDE, PT e Cidadania também articulam ou sinalizam que poderão trazer nomes para 2020, ainda que não revelem quem seriam os possíveis candidatos.

Pré-candidato natural, o prefeito Odelmo Leão e seu partido adotam a estratégia de cautela nesse momento quando questionados sobre a disputa por um quarto mandato à frente da Prefeitura de Uberlândia nas eleições de outubro do próximo ano. À frente do PP local, a primeira-dama e secretária de Governo, Ana Paula Junqueira, explicou ao Diário que a corrida em si será deixada para o próximo ano e que não pretende “antecipar o período eleitoral”.

“Esse é um dos maiores erros que pode acontecer no Brasil e com isso se atrapalha a administração pública. O partido está tranquilo, temos nossas estratégias e estamos filiando pessoas”, disse. Ana Paula Junqueira também não descarta a possibilidade de composição com outros partidos para uma coligação nas eleições majoritárias, mesmo que não revele como está a costura desse grupo. Ao mesmo tempo, o PP também busca nomes para disputar cadeiras no Legislativo. Nas eleições proporcionais do próximo ano, entretanto, não serão permitidas coligações.

 
Adriano Zago deve se filiar ao PDT | Foto: CMU/Divulgação


Ainda sem oficializar a mudança de legenda, Adriano Zago, por sua vez, admite que deverá se lançar na disputa. A negociação está mais avançada com o PDT. Há até uma agenda de Ciro Gomes, nome mais proeminente da legenda, marcada para o dia 18 de novembro em Uberlândia, quando o nome de Zago poderá ser anunciado como pré-candidato junto como a oficialização de sua filiação ao partido.

Ao Diário, o vereador afirmou que houve conversas com partidos como a Rede, Podemos e outros. “O MDB foi minha casa por longos anos, no entanto, para esse novo momento na minha carreira política, preciso de um espaço mais afinado com meu pensamento atual. Isso já está ajustado com o presidente, deputado Leonídio (Bouças, do MDB). Sim, sou pré-candidato. Avaliamos que esse é o momento certo para oferecer à cidade um projeto inteligentemente democrático”, afirmou Zago.

Michele Bretas, que teve sua pré-candidatura à Prefeitura oficializada pela direção do Avante no último dia 11, afirmou que o fato de haver vários nomes na disputa é salutar para o processo. “A gente sabe que o cenário político se desenha a partir do ano que vem, e eu vejo com bons olhos (a variedade de possíveis candidatos). Por muito tempo Uberlândia ficou presa a nomes de um grupo político e econômico. Nossa representatividade política foi perdida por ficarmos presos (a esse grupo)”, disse.

Ainda da Câmara Municipal poderá surgir um terceiro nome na corrida à sucessão municipal de 2020. Nome citado desde abril entre aqueles que poderiam sair como candidatos do Legislativo de Uberlândia, o vereador Vico (sem partido) tem filiação acertada com o Cidadania. Ele, contudo, adota o discurso da cautela sobre a eventual pré-candidatura. “Até início de novembro o partido será oficializado em Uberlândia. Temos que ter um pouco de calma, precisa ser alicerçada (a candidatura), mas o partido discute ter candidato e ter uma proposta. Esperamos lideranças em âmbitos estadual e federal. Coloco meu nome à disposição, mas a decisão é do partido”, afirmou. Vico acredita que o partido também possa fazer coligação com outras legendas na eleição majoritária, havendo ou não candidato próprio.

 
Michele Bretas já oficializou candidatura | Foto: CMU/Divulgação 

NOME
Dentre os partidos que já manifestaram intenção de disputar a Prefeitura, mas ainda não fecharam consenso em torno de um nome, o NOVO é o que aparece com um dos maiores rumores de bastidor. O empresário Luiz Alexandre Garcia, do grupo Algar e recentemente convidado para ser o secretário de Desenvolvimento Econômico no Governo de Minas Gerais, também já teria sido sondado pelo partido como potencial indicação para a disputa municipal. Segundo apuração do Diário, ele ainda não estaria dentro do processo seletivo pelo qual os pré-selecionados do NOVO precisam passar, mas se tornaria um nome forte dentro da legenda para 2020. Procurado por meio de sua assessoria de imprensa, o hoje presidente do Conselho de Administração do grupo Algar informou que “possui prioridades corporativas e não irá comentar o assunto”.

Quatro nomes hoje estão oficialmente no processo da legenda, sendo dois empresários, dos ramos imobiliário e agropecuária, um ex-executivo e um administrador. Há ainda um terceiro empresário que também conversaria com o partido com boa abertura para a disputa interna.
 
Executiva local
O NOVO trabalha agora para organizar a sua executiva local, que deve ser lançada até janeiro de 2020. Para isso, a legenda precisa ter mais de 150 filiados ativos e se instalar em um Município com pelo menos 300 mil habitantes. Além disso, o diretório municipal estima conseguir R$ 60 mil entre os filiados até o fim de outubro. “O partido não usa fundo partidário e essa seria uma quantia mínima para podermos preparar as pessoas para a campanha. São metas que temos quer atingir para o diretório em janeiro. Temos participação de vários filiados e ajuda para isso”, disse a presidente do núcleo do NOVO atualmente, Analuiza Skaf. A agrônoma se tornará presidente do partido assim que o diretório for formalizado no município.

A legenda ainda não abriu inscrições para possíveis nomes que irão compor a chapa de pré-candidatos a vereador. Já a análise dos nomes para o Executivo local segue em aberto até o dia 30 deste mês, quando terminam as inscrições. A análise do partido se dá por currículo e por entrevistas.
 
LEGENDAS PEQUENAS
As legendas PSL, PT e REDE também garantem ter interesse real em lançar nomes na disputa pela Prefeitura de Uberlândia em 2020. No entanto, nenhuma delas abre os nomes sondados até o momento.

O PSL – que também é o partido do presidente Jair Bolsonaro - é o que se mostra mais adiantado nesse sentido, mesmo mantendo o mistério. De acordo com o presidente do PSL Uberlândia, Arnaldo Samora, o partido virá com chapa pura e já tem nomes em conversa adiantada para o pleito do ano que vem. “Vamos ter candidato sim, temos bons nomes e conversamos com pessoas sem problemas, mas a princípio é prematuro divulgar qualquer nome. Até seguindo uma orientação do presidente Bolsonaro, que não é viável divulgar agora candidatos a prefeito no momento. Faremos uma campanha bem tranquila, sem falar mal de governo. Vamos apresentar plano viável para ser colocado em prática”, disse.

O atual cenário de ânimos acalorados entre membros da cúpula do PSL e o presidente Jair Bolsonaro traz preocupação ao diretório local sobre o futuro das eleições municipais. Samora espera que a crise interna seja resolvida logo, mas diz que ainda não é possível mensurar o quanto o racha na legenda em âmbito federal poderá influenciar localmente.

No PT, a ordem no momento é aguardar os congressos estadual e nacional da legenda, em novembro, e só depois focar nas eleições municipais. O partido, que nas duas últimas décadas sempre teve candidatos a prefeito em Uberlândia, acha importante ter um nome na disputa no próximo ano para puxar a briga por vagas no Legislativo. Representantes ouvidos pela reportagem disseram que “provavelmente” a legenda virá com chapa pura.

Outra legenda que avalia a possibilidade de ter candidatura própria é a REDE. Novos membros do partido, que deixaram o PRTB, já discutem um nome para a Prefeitura. O nome não foi apontado ao Diário a pedido do próprio interessado por motivos pessoais e por ainda não haver entendimento de que ele seria o concorrente pela REDE.

O fato é que ainda há muita conversa a ser afinada faltando praticamente um ano das eleições. Segundo correligionários, a própria REDE não descarta a possibilidade de uma composição com outras siglas, como o PDT e o PCdoB, para lançarem juntos apenas um candidato.
 
ANÁLISE
A proibição de coligações para as eleições ao Legislativo é visto pelo cientista político Leonardo Barbosa como razão para que um número maior de pequenos partidos também entrem na disputa pela Prefeitura. "Essa novidade deixou os partidos um pouco perdidos, e eles não sabem o impacto disso a médio e longo prazos. Os pequenos não sabem quanto tempo durarão sozinhos. Sendo assim, vão tentar alavancar as candidaturas próprias para prefeito e alavancar as candidaturas para vereadores", disse.

Segundo ele, isso pode gerar outro problema aos partidos, principalmente para os menores. "Pode ser uma tática arriscada para quem tem uma expressão e que vai puxar votos para vereador, mas que na disputa para prefeito não receba tantos votos. Assim você esvazia a vereância do partido", afirmou Barbosa.





 

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