05/10/2019 às 08h35min - Atualizada em 05/10/2019 às 08h35min

Carreira na Esquadrilha da Fumaça dura apenas cinco anos

Esquadrão da Força Aérea Brasileira (FAB) se apresentou em Uberlândia e Araguari neste fim de semana

SÍLVIO AZEVEDO
Como fumaceiro, major Juliano Augusto Sousa Nunes se aproxima da 90ª apresentação | Foto: Sílvio Azevedo
A vida dos fumaceiros, como são conhecidos os pilotos da Esquadrilha da Fumaça, é curta. Cada piloto passa apenas cinco anos no grupo e depois segue com suas atividades administrativas dentro da Aeronáutica. O esquadrão da Força Área Brasileira (FAB) fez apresentações em Uberlândia e Araguari neste fim de semana e o Diário de Uberlândia aproveitou para conhecer um pouco mais sobre a carreira desses oficiais. 

Atualmente, 14 pilotos integram a Esquadrilha, mas toda a equipe é composta por 65 membros, somando os mecânicos, conhecidos como Anjos da Guarda, e a parte administrativa.

Em seu terceiro ano atuando como fumaceiro, o Major Juliano Augusto Sousa Nunes já está chegando nas 90 apresentações. Começou cedo na Força Aérea Brasileira. Ingressou na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (EPCAR) em 1999. Já rodou boa parte do país como piloto e atua como instrutor na Academia da Força Aérea (AFA) e na Comunicação Social da Esquadrilha da Fumaça.

Dentro desses 20 anos de FAB, fica difícil puxar um momento mais marcante da carreira militar. “A academia é um momento muito marcante, pois tem um curso bastante puxado. Tem também o primeiro solo de um avião, tem a formatura. Tem o tempo que fiquei na Amazônia, que eu pousava em pelotão de fronteira, super relevante para manter os esquadrões do exército lá. Além dos voos de instrução e as missões da Fumaça”.

Antes da apresentação de ontem, Major Nunes conversou um pouco com o Diário de Uberlândia sobre a vida dos fumaceiros. Confira abaixo.
 

Esquadrilha se apresentou em Uberlândia durante a tarde desta sexta-feira (4) | Foto: Sílvio Azevedo

DIÁRIO DE UBERLÂNDIA - Além de piloto, os fumaceiros têm alguma função na aeronáutica?
MAJOR NUNES - Somos sediados em Pirassununga (SP). Todos nós da Fumaça temos uma função administrativa. Além de piloto, sou chefe da sessão comunicação social do grupo.
 
Qual a parte mais difícil de ser piloto da Esquadrilha da Fumaça? O medo?
Todo mundo pergunta sobre o medo. Mas é uma coisa interessante. Tudo é muito bem treinado. São bastante missões que você faz até chegar no nível. Não é muito medo. Você trabalha a concentração. Acho que ninguém tem medo do que faz, mas tem que se policiar para estar concentrado para cada voo.
 
Como é o treinamento dos pilotos da Fumaça?
O ingresso tem um treinamento extenso. Quem não é piloto do avião faz 80 horas de voo para se ambientar ao avião. Quem já é, vai direto para o curso. Antes disso, a gente tem os critérios para o ingresso. Então já pega alguém com certa experiência para facilitar esse processo. Eu não era piloto desse avião, era piloto de transporte, então fiz 80 horas de avião para depois fazer 80 missões. Depois disso você já está apto. Aprende a voar no dorso, a entrar na posição. Começa voando sozinho, depois com dois aviões, aí vai para as posições específicas. É um processo gradativo.
 
Já passou por algum susto no ar?
Na parte de formação. Mais por ver coisas novas, mesmo com o instrutor ali. Porém não chamaria de susto, mas uma adaptação ao voo, um desconforto. Voar de cabeça pra baixo, por exemplo, é desconfortável no início, mas depois trata com naturalidade. 

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