29/09/2019 às 10h02min - Atualizada em 29/09/2019 às 10h02min

Uberlândia é a 4ª cidade mais inteligente de Minas Gerais

Município se destaca entre os 100 melhores do País em três dos 11 itens avaliados

VINÍCIUS LEMOS
No Estado de Minas Gerais, Uberlândia ocupa a quarta posição | Foto: PMU/Divulgação
Uberlândia foi classificada na 57ª posição no Ranking Connected Smart Cities de 2019. O estudo avalia as cidades brasileiras em relação ao desenvolvimento inteligente, sustentável, humano e conectado. Além do resultado geral, o município ainda aparece como uma das 100 cidades mais bem posicionadas no País em três recortes dos 11 utilizados na avaliação: Mobilidade e Acessibilidade, Meio Ambiente e Tecnologia e Inovação.

Ainda que a avaliação exista desde 2014, não é possível fazer o comparativo com ranqueamento do Município com anos anteriores, uma vez que os dados para avaliação foram mudados para o ano de 2019. No Estado de Minas Gerais, Uberlândia ocupa a quarta posição, atrás da capital, Belo Horizonte, em 13º lugar, a vizinha Uberaba, que figurou na 28ª posição, e Juiz de Fora, na 32ª colocação.

De acordo com o pesquisador responsável pelo Ranking Connected Smart Cities, Willian Rigon, ainda que a cidade tenha uma das maiores projeções populacionais e econômicas do Estado, os critérios da avaliação levam em consideração aspectos inter-relacionados e se um deles não tem o mesmo desenvolvimento que os demais, isso pode afetar todo o conjunto. Como Uberlândia apresenta apenas três dos 11 eixos temáticos do levantamento entre os 100 melhores na avaliação de quase 700 municípios, isso pode levar à perda de posições na avaliação dentro do conceito de cidade inteligente.

“Quando eu não desenvolvo, por exemplo, a educação, eu tenho dificuldade no empreendedorismo, menor abertura para desenvolvimento de tecnologia. O meio ambiente afeta a saúde e há impacto econômico, por exemplo, com mais gente doente do que produzindo”, explicou o pesquisador.

A cidade não está avaliada entre as 100 melhores no eixo temático da economia, por exemplo. Um dos principais motivos que levam a isso, de acordo com Rigon, é a renda média baixa para os profissionais da cidade em comparação a outros mercados. Isso indica que não desenvolveu empregos mais qualificados condizentes com o potencial tecnológico e de inovação da cidade, segundo explica o pesquisador. A média salarial encontrada é de R$ 2,5 mil em Uberlândia, sendo que outras localidades de mesmo porte têm média salarial de R$ 3,2 mil. A informalidade contribui para essa constatação. Ao mesmo tempo, na outra ponta o Município como um todo tem baixa dependência do setor público para criação de empregos, com 95% das vagas vindas do setor privado.
 
OS BONS RECORTES
O pesquisador Willian Rigon durante apresentação do ranking de 2019 | Foto: Divulgação

A melhor colocação entre os recortes de estudo em Uberlândia é na área de Tecnologia e Inovação, na qual Uberlândia ocupa a 24ª posição. Entre os fatores que levaram o Município a este patamar está a infraestrutura tecnológica oferecida, que, segundo a pesquisa, provê resultados importantes para o desenvolvimento da área. Também contribuíram a boa cobertura de internet por meio de fibra ótica e facilidade de acesso a esse tipo de serviço, boa qualificação de profissionais e a existência de incubadoras de empresas.

Entre os fatores que poderia levar a um desenvolvimento ainda maior do potencial da cidade está a existência de um parque tecnológico menos industrial, e mais voltado para inovação tecnológica.

Em relação ao Meio Ambiente, Uberlândia foi posicionada no 57º lugar entre as cidades inteligentes. Pesaram para essa classificação avaliações como o fato de 100% da zona urbana ser atendida pelo fornecimento de água, além de 99,4% dessa mesma área ter atendimento de coleta de esgoto. Nesse sentido não estão contadas áreas de invasão no perímetro urbano ainda não regularizadas.

O terceiro e último item em que Uberlândia figura no ranking por eixo temático é o de Mobilidade e Acessibilidade, no qual o Município ficou em 95º lugar. A avaliação mostrou que a frota local tem idade média de 13,9 anos, muitas conexões interestaduais, 217 delas, mas poucas ciclovias, sendo um número irrisório na proporção de quilômetros para cada 100 mil habitantes. Além de 10 destinos aeroviários partindo diretamente daqui.
 
A PESQUISA
Concebido em torno de 11 eixos temáticos e tendo a Qualidade de Vida como eixo transversal a todos eles, o Ranking Connected Smart Cities abrange praticamente todos os segmentos discutidos na concepção de cidades inteligentes, à exceção do tema de Lazer e Entretenimento, que ainda não foi possível transportar à pesquisa por meio de indicadores nacionais.

Os 11 eixos temáticos discutidos são: Mobilidade e Acessibilidade; Urbanismo; Meio Ambiente; Economia; Governança; Tecnologia e Inovação; Empreendedorismo; Educação; Saúde; Segurança e Energia, compreendendo desde questões de infraestrutura da cidade, serviços públicos oferecidos, instrumentos de planejamento, transparência, capital humano, espaços de geração de conhecimento, comunicação, entre outros temas.
 
Prefeitura não se manifestou
Ainda que figure em um ranking que traz cidades consideradas de desenvolvimento inteligente, procurada na quarta-feira (25), a Prefeitura de Uberlândia não retornou o pedido da reportagem para comentar aspectos positivos e de melhora na governança.

Uberlândia teve representantes no evento da Urban Systems desse ano em que foi apresentado o ranking, mas até o fechamento dessa edição, na sexta (29), a Secretaria de Comunicação não deu retorno sobre uma possível entrevista ou mesmo nota comentando o estudo.
 
ANÁLISE
O resultado alcançado por Uberlândia no item Tecnologia e Inovação dentro do Ranking Connected Smart Cities de 2019 é visto como fruto de um trabalho que tem força na cidade há décadas e que nos últimos anos passou a se organizar e ampliar. A visão do empresário e diretor de relações institucionais do Sindicato das Empresas de Tecnologia (SindTI), Robson Xavier, é baseada em uma série de ações do segmento e de investimento nesse sentido.

“Temos muitas empresas startups, empresas de olho em área de inovação, a Aciub criando Câmara de Inovação, mais um Instituto de Ciência e Tecnologia voltado para inovação e tecnologia em criação. Investimentos na área de saúde que vão da compra de robôs para cirurgias até o uso do blockchain (tecnologia de registro) voltado para prevenção de infartos na cidade. Temos muita coisa acontecendo”, afirmou.

O pesquisador Willian Rigon afirmou que Uberlândia tem grandes âncoras de tecnologia em telecomunicações há muito tempo, e o que falta para que a cidade vá mais à frente é o setor público envolvido para que surja empreendedorismo em comunidades.

“O setor público poderia criar espaços e trazer atores que propiciem isso, seja com a criação de um parque tecnológico associado a uma universidade pública e os demais atores como entes federais e estaduais. O Município seria um grande link entre aqueles que poderiam desenvolver esse tipo de ambiente”, disse.

Em julho, a Prefeitura atualizou o projeto do Parque Tecnológico Sul, lançado em 2012 e que ainda não foi implementado. Para Xavier, o projeto é importante, mas teria que ganhar capilaridade. “Deve existir, mas não só um (polo). Não posso obrigar um cara a deslocar de outros bairros distantes para um espaço como esse para poder conviver em ambiente de conhecimento tecnológico. Acredito que devemos ter vários polos. Por ser da Prefeitura talvez seja uma condição especial para empresas, mas há que se dar condições para que haja outros em ambientes públicos em outros bairros”, afirmou. Ele avalia que ainda exista um gargalo na formação de novos profissionais na área de tecnologia, seja nas universidades ou mesmo em cursos técnicos.
 
EMPREENDEDORISMO
Um dado que chama a atenção no Ranking Connected Smart Cities de 2019 é que mesmo estando bem posicionado em inovação tecnológica, Uberlândia não figurou entre os melhores em Empreendedorismo. Na visão do analista de negócios do Sebrae-MG, Fabiano Alves, isso se deve às fontes de informação da pesquisa, cujos dados foram colhidos entre anos de 2016 e 2017 em dois dos cinco indicadores.

“Tínhamos 25 mil MEIs (Microempreendedores Individuais) ainda, e de lá para cá tivemos mais 1,5 mil em 2018 e teve uma continuidade em 2019. Isso pode nos favorecer um melhor ranqueamento posteriormente. Tivemos um ‘boom’ nas startups, um aumento de quatro vezes e temos mais de 200 atualmente. Esses são casos que ainda não foram detectados nos critérios da avaliação”, disse. Alves ainda lembra que o empreendedorismo é uma vocação de Uberlândia, mas ainda há muita informalidade. Estima-se que haja 70 mil empresas legalizadas em Uberlândia e outras 35 mil informais.

Para os próximos meses, o objetivo do Sebrae é que outros envolvidos no desenvolvimento da cidade, como Prefeitura, Fiemg, Aciub, CDL, iniciativa privada, UFU e agentes de segurança pública usem as informações  do Ranking e outras informações trazidas pelos próprios envolvidos para a criação de um plano de planejamento do desenvolvimento de Uberlândia.
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