02/09/2019 às 18h27min - Atualizada em 02/09/2019 às 18h27min

População vê com cautela construção de trincheira no bairro Taiaman

Prometida em outras ocasiões, obras iniciaram em julho e seguem o cronograma em Uberlândia

VINÍCIUS LEMOS
Obras na região do Taiaman, no perímetro urbano da BR-365, têm previsão de conclusão em janeiro de 2021 | Foto: Vinícius Lemos
Iniciadas em julho, as obras da trincheira do bairro Taiaman na BR-365 seguem cronograma e têm prazo de finalização em janeiro de 2021. A população, no entanto, ainda vê com cautela o cumprimento do atual prazo. Reforçam a opinião dos moradores da região os atrasos para início da execução do projeto, já anunciado pelo menos outras duas vezes, e o fato de outras obras na rodovia ainda não terem previsão de início ou estarem atrasadas, como é o caso do alargamento da pista sob o viaduto da rua Rio Grande do Sul.

Com um orçamento de pouco mais de R$ 30 milhões, o trabalho no Taiaman no momento envolve drenagem, limpeza do terreno e execução de serviços como armação e concretagem. O andamento no canteiro de obras segue para o segundo mês e não existe qualquer atraso, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

O projeto prevê o cruzamento das vias que vão ligar os bairros Taiaman, Dona Zulmira e Jardim Patrícia, além do Luizote de Freitas, passando pela BR-365, semelhante ao que existe entre os bairros Tibery e Custódio Pereira, na BR-050. As ligações, que servirão de passagem para veículos e pedestres, serão feitas por dois viadutos, cada um com um sentido, e passarão por cima da rodovia, que segue sem interrupção.

Ainda de acordo com informações do Dnit, os projetos foram revisados e não poderão ser contestados como já aconteceu em outros momentos. Além do mais, o orçamento para a construção está reservado e os valores serão pagos à medida que ocorrerem as medições. Ou seja, em tese, a obra deve ser entregue em torno dos 18 meses previstos, caso não haja fatores externos. A única revisão prevista é de orçamento de acordo com a inflação, o que é comum em obras desse tipo.
 
FATORES EXTERNOS
Com previsão de ser finalizada até o fim de setembro, a ampliação da BR-365 sob o viaduto recém-entregue da rua Rio Grande do Sul está atrasada em quase um ano. A expectativa era de conclusão entre os meses de outubro e novembro de 2018. A construção foi interrompida por mais de uma vez em decorrência de uma série de problemas ocasionados principalmente pelas chuvas, como desabamento de parte do terreno, de muros, casas danificadas e até o soterramento de um trabalhador.

O viaduto propriamente já está liberado desde abril, mas a obra completa, com a construção das duas pistas da BR-365, irá facilitar o trânsito, evitando a divisão do fluxo como acontece hoje. Para finalização das obras, o trânsito está desviado em ambos os sentidos. Os custos das obras devem ficar em R$ 5,5 milhões.
 
SEM PREVISÃO
Outras duas obras esperadas na BR-365, e que fazem parte do pacote de intervenções no trecho urbano da rodovia, não têm previsão de início. O segundo viaduto que passa sobre a via e dá prosseguimento à avenida Monsenhor Eduardo está orçado em cerca de R$ 6 milhões para ser refeito no mesmo modelo daquele na rua Rio Grande do Sul, só que não há disponibilidade financeira no momento.

Outra pendência está nas obras envolvendo o trevo Osvaldo Oliveira, que recebe o trânsito da avenida Marcos de Freitas Costa e ruas do bairro Osvaldo Rezende. Esse projeto está orçado em R$ 12 milhões e ainda depende de desapropriações de uma empresa e de residências ao lado da rodovia. Segundo o Dnit, a responsabilidade da desapropriação é da Prefeitura de Uberlândia e, portanto, só após o cumprimento dessa etapa é que a verba poderá ser requisitada.

Já a Prefeitura de Uberlândia informou que, para iniciar os processos de desapropriações, aguarda a comprovação da existência de recursos empenhados para a construção do trevo por parte do Dnit.
 
VER PARA CRER
Quando o comediante Francisco Jerônimo de Melo se mudou para o bairro Taiaman, a BR-365 era delimitada por eucaliptos. Agora, ele espera ver em breve uma obra pronta no mesmo local. “Graças a Deus agora 'tá' rendendo, pelo menos dessa vez”, disse sobre a construção da trincheira.

Ele ressalta, no entanto, que ainda há o receio justamente de haver qualquer problema que paralise a execução do projeto. “A gente fica com medo, porque vê a obra andar e tem muitas por aqui que já pararam desse mesmo jeito”, afirmou. A desconfiança é compartilhada com outro morador, Nivaldo Clarimundo, que afirmou só acreditar que o problema de travessia dos bairros cortados pela rodovia seja resolvido quando a trincheira for inaugurada. “Recentemente prometeram e colocaram máquinas aqui, daí sumiu tudo. Agora voltou. Vamos ver”, disse.
 
HISTÓRICO
Em 2012, o Dnit fez a contratação de oito obras no trecho urbano de Uberlândia que previam tanto a trincheira do Taiaman como também o trevo do Oswaldo de Oliveira e a Ponte do Vau. As obras abrangem uma passagem inferior na BR-050, na avenida Afonso Pena, passagem inferior na avenida Amazonas - que depois acabou sendo excluída do pacote - e outras passagens inferiores na rua Claudemiro José Barbosa e na rua Alagoas, além da demolição e reconstrução de dois viadutos na rua Rio Grande do Sul e na avenida Monsenhor Eduardo.

A passagem inferior da avenida Afonso Pena foi feita e a execução das passagens inferiores nas ruas Claudemiro e Alagoas iniciaram, mas paralisaram em seguida por quase dois anos. Diante disso, em o MPF ingressou com ação civil pública contra o Dnit e a União, em 2016, para que a obra fosse retomada.

O Dnit então reincidiu o contrato com a construtora Araguaia e convocou a segunda colocada que é a empresa Gomes Lourenço (Transvias), que deu prosseguimento aos trabalhos. As passagens foram entregues em 2017 e falta ainda resolver o problema das vias marginais do viaduto Virgílio Mineiro, na Rio Grande do Sul e iniciar as demais obras. No caso do trevo Oswaldo de Oliveira, ainda sem previsão, há a necessidade de desapropriação de alguns imóveis e captação de novos recursos para que a obra seja executada.

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