31/08/2019 às 07h40min - Atualizada em 31/08/2019 às 07h40min

Solidariedade

DRA. GENI DE ARAÚJO COSTA

Segundo Sêneca, filósofo romano de mais de 2000 anos, “Não há bem que nos delicie se nós não compartilhamos”. São com essas belas e profundas palavras que gostaria de iniciar este artigo, abordando a temática que permeia esta edição – solidariedade. A palavra solidariedade, além de elegante, tem grande significado, especialmente quando a vemos verdadeiramente em ação.

Ela tem sua origem no francês solidarité, que pode remeter a uma responsabilidade recíproca. Em muitos casos, não significa apenas reconhecer a situação precária de uma pessoa ou de um grupo social. Consiste também no ato de ajudar os necessitados.

O ato da solidariedade vem da essência permeada pelo amor, aquele que não necessita de palmas nem palco. Resultará em um compromisso genuíno, de respeito mútuo, de admiração, de reconhecimento de que algo semelhante pode nos acontecer de fato. Pode resultar, também, um sentimento de compaixão, de gratidão.

É indispensável viver a solidariedade para possibilitar que as práticas sociais e políticas recuperem a sua inteireza. Por permitir ressignificar as relações humanas, podemos reconstruir o embaçado tecido da cidadania e torná-lo acessível a todos. Por isso, é imperioso fazer referência, propor iniciativas e refletir sobre a solidariedade em todos os seus possíveis alcances.

A solidariedade é uma virtude moral que precisa ser experimentada continuamente para se tornar um hábito e, quando incorporada, fazer parte da rotina de toda a vida. É, também, um princípio primoroso, comprometido com o bem comum. Vivenciá-la é investir na construção de uma conjuntura nova e a melhor forma de ver a vida na coletividade.

Desde muito cedo devemos considerar a importância do OUTRO – aquele do convívio diário, os mais distantes, os desvalidos, os sofredores. Não podemos enxergar apenas aquilo que nos completa. Devemos sair da zona de conforto e abrir os olhos a ponto de nos sensibilizar com as lamúrias ao nosso redor. Jamais poderemos ser indiferentes às dores e aos suplícios da humanidade.

Uma das formas de justificar a ausência do ato solidário é a correria do mundo moderno. São tantas coisas para fazer e poucas horas disponíveis para realizá-las. Uma vida desenfreada, sem tempo para o convívio familiar e para os amigos, com cobranças infindáveis. Tudo isso favorece uma vida egoísta, solitária, descompassada e totalmente distanciada da convivência entre pares. Lastimável!

Finalizando, parafraseamos o sábio poeta Carlos Drummond, quando diz:

“Importa é nos sentirmos vivos. E alvoroçados mais uma vez, e revestidos de beleza,
A exata beleza que vem dos gestos espontâneos. E do profundo instinto de subsistir
Enquanto as coisas em redor se derretem e somem. Como nuvens errantes no universo estável. Prosseguimos. Reinauguramos. Abrimos os olhos gulosos
A um sol diferente que nos acorda para os descobrimentos.
Esta é a magia do tempo.”


Tempo esse que celebramos, prosseguimos e reinauguramos.
É assim que nos sentimos em Uberlândia, cidade promissora e solidária que acolhe e seduz. Amanhã, 31 de agosto de 2019, ela completa 131 anos de progresso e muita luz.

Parabéns, Uberlândia!

Profa. Titular Dra. Geni de Araújo Costa – (UFU)
Palestrante, comunicadora, escritora e apresentadora do quadro “Vida Ativa”, da Rádio Universitária

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