22/08/2019 às 13h52min - Atualizada em 22/08/2019 às 13h52min

Lojistas comemoram corte em IPI no setor de games

Apesar da redução, empresários de Uberlândia também esperavam por um corte maior e mais amplo no setor

VINÍCIUS LEMOS
Segundo Thiago Cézar, gerente de compras, demanda por redução de impostos no setor é antiga | Foto: Vinícius Lemos
Para o mercado de Uberlândia, a redução na alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) relacionados a consoles de videogames e acessórios para jogos eletrônicos, anunciada pelo governo Bolsonaro neste mês, deve gerar uma redução entre 5% e 8% no valor final dos produtos. O segmento local comemorou a medida, ainda que esperasse mais do anúncio do Governo Federal.

Mesmo com a diminuição da alíquota do IPI, os impostos equivalem a aproximadamente 70% do valor pago por um console em Minas Gerais, segundo o empresariado ouvido pelo Diário. Em contrapartida, a redução também gera um certo temor de que produtos comprados antes do decreto, ou seja, mais caros, acabem encalhando nos estoques.

O decreto que reduziu a alíquota foi publicado no último dia 15 no Diário Oficial da União. O IPI, dessa forma, que antes variava entre 20% e 50%, agora passa a ficar entre 16% e 40%, dependendo do tipo de produto. Sendo assim, consoles e máquinas de jogos de vídeo tiveram alíquota alterada de 50% para 40%. As partes e os acessórios dos consoles e das máquinas de jogos cujas imagens são reproduzidas numa televisão, num monitor ou noutra tela ou superfície externa, receberam redução do imposto de 40% para 32%. Já os portáteis e suas partes tiveram a alíquota alterada de 20% para 16%. O Governo estima abrir mão de R$ 50 milhões com as mudanças. Impostos sobre jogos propriamente não foram alterados.

Os cortes são vistos com bons olhos por empresários de Uberlândia, contudo, os rumores anteriores à publicação eram de uma redução ainda mais forte. “Foi bem modesta e a tarifação continua muito alta. Esses jogos são considerados como se fossem de azar no País e por isso o IPI é alto. Claro que reduções melhoram o mercado, mas poderia baixar mais”, disse Elso Batista de Oliveira Júnior, dono de uma loja especializada em venda de jogos e consoles.

Já Thiago Cézar, chefe de compras de uma loja de eletrônicos da cidade, contou que a reivindicação de redução de impostos é antiga. Ele concorda que se tratou de um corte pequeno, mas acredita que já pode ajudar. “Não impacta tanto na venda. O preço de custo cai cerca de 7%, mas o preço para o cliente não chega imediatamente, pois a redução do IPI é apenas para compras novas, e ainda temos estoque antigo”, explicou.

Os entrevistados esperam que a redução de preço na ponta da cadeia seja percebida ainda na segunda quinzena de setembro, o que pode servir de propaganda para vendas para o Dia das Crianças, em outubro próximo, grande data comercial. Pelos cálculos de Thiago Cézar, é estimada uma queda de R$ 250 em um console como o PlayStation 4, por exemplo, que sairia por cerca de R$ 2,4 mil, incluindo alguns jogos e assinatura gratuita por três meses na rede de serviços online da marca.

Impostos como o de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), PIS/Cofins, além da substituição tributária seguem incidindo sem alteração sobre os equipamentos. Dessa forma, 70% dos preços dos produtos são para cobrir as demais cobranças, já levando em consideração os cortes de IPI. Na avaliação dos entrevistados, ainda é uma porcentagem alta para um tipo de equipamento usado para lazer.
 
JOGOS
A não inclusão dos jogos no decreto pode fazer com que a decisão não dê muito retorno aos lojistas | Foto: Vinícius Lemos

O termo “partes”, usado pelo Governo, pode gerar interpretação incorreta do decreto, como se jogos estivessem incluídos, mas ele faz referência apenas às peças que compõem os aparelhos de videogames, equipamentos como placas-mães e leitores.

A não inclusão dos jogos no decreto, por sua vez, pode fazer com que o decreto não dê muito retorno aos lojistas, que têm volume de rendimento e venda justamente nos games, bem acima dos consoles. “O aparelho deixa margem muita baixa, beirando ao ridículo, fora que há parcelamentos e taxas dos cartões. Os consoles deveriam ter uma redução ainda maior para ser justo”, disse Elso Júnior.

Um dos receios dos lojistas é que o atual estoque empaque nas prateleiras, enquanto os descontos do IPI não são repassados para os clientes. O corretor Ernani Álvaro, por exemplo, contou ao Diário de Uberlândia que procurava um novo videogame para comprar, mas que agora pretende esperar mais algumas semanas. “Vou monitorar para conseguir um preço mais barato. Não sei se compensa consertar o meu videogame agora [que está com problemas há duas semanas], pretendia já comprar outro. Agora, com certeza, devo conseguir um desconto no mesmo console, só que novo”, disse.
 

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