12/06/2019 às 18h16min - Atualizada em 13/06/2019 às 09h22min

Advogadas e estudantes se unem para prestar assessoria a vítimas de violência

Projeto “Todas por Ela” oferece atendimento jurídico gratuito para mulheres e outros grupos vulneráveis em Uberlândia

CAROLINE ALEIXO
Projeto reúne advogadas e estagiárias no núcleo jurídico da UFU | Foto: Reprodução/Facebook
Um atendimento mais humanizado e um olhar diferente para tratar casos de mulheres que se encontram em situação de violência doméstica. É deste ponto de vista que começa o trabalho voluntário desenvolvido por cinco advogadas e vinte estudantes de Direito da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), integrantes do projeto “Todas por Ela”. Os atendimentos à população ocorrem desde 2016.

A iniciativa foi da advogada Amanda Thaylassa Gondim Ferreira, de 30 anos, que após se formar na Faculdade de Direito pela universidade teve o interesse de fazer um pouco mais pela causa, alinhando conhecimento com o social.

“Há uma questão minha como mulher mesmo, de trabalhar em todos os enfrentamentos na questão dos direitos das mulheres. Principalmente por conta dos altos índices de violência e todas as formas que a gente enfrenta de violência, todos os dias”, comentou a jurista.

Ela então apresentou a proposta para a coordenadora do Escritório de Assessoria Jurídica Popular (Esajup), que foi aceita prontamente pela professora Neiva Flávia. As ações do projeto chegam por demanda espontânea ou por encaminhamento de grupos como o SOS Mulher e Família e ainda de órgãos oficiais como Defensoria Pública, da Delegacia de Atendimento à Mulher e o próprio Ministério Público.

Amanda contou que o interesse em atuar na defesa de grupos vulneráveis como mulheres, público LGBT e pessoas com deficiência, por exemplo, surgiu a partir do momento em que ela começou a lidar diretamente com o Direito Penal.

 
“Eu tive contato com situações que me fizeram querer tratá-las de uma forma que eu pudesse dar um retorno social, pra gente poder contribuir com a comunidade de alguma forma e formar profissionais capacitados para atuar na advocacia com um olhar diferente, multidisciplinar e ativista em defesa das mulheres”, reforçou Gondim.

Além de auxiliar na defesa dessas vítimas perante o Judiciário, o Todas por Ela promove eventos, atividades de conscientização e inclusão ao longo do ano e mantém uma parceria com o núcleo Nuavidas, para atendimento a vítimas de crimes sexuais.

O intuito é promover orientação e tentar preencher uma lacuna quanto à falta de denúncias e de respaldo às vítimas. “Um dos grandes problemas da violência doméstica é a subnotificação. Os dados nem sempre projetam a realidade. É um entrave pra mulher ter acesso aos órgãos, entidades e em reconhecer que ela se encontra em uma situação de violência”, finalizou.

O projeto funciona no Bloco 5V do campus Santa Mônica da UFU, às terças e quintas-feiras. Além de Amanda, o grupo conta com as advogadas Bruna Souza, Ana Vitória Guzman, Olivia Evaristo e Ana Clara Naves, estando aberto a receber novas advogadas que queiram integrar o projeto social. As interessadas podem procurar a coordenação no local, pelo e-mail todasporela@gmail.com, na página oficial do Todas por Ela no Facebook ou ainda pelo Instagram do projeto. 

Grupo está aberto a receber outras advogadas que queiram se voluntariar | Foto: Todas por Ela/Divulgação
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