21/05/2019 às 18h45min - Atualizada em 21/05/2019 às 18h45min

Réu acusado pela morte de adolescente é absolvido do crime em Araguari

Julgamento de Eurípedes Martins, conhecido por “maníaco de Araguari”, ocorreu na tarde desta terça-feira (21); ele tinha sido apontado como autor da morte de Lara Rodrigues

DA REDAÇÃO
Julgamento ocorreu nesta terça-feira (21) no fórum de Araguari | Foto: Gazeta do Triângulo

Foi absolvido pelo júri popular, nesta terça-feira (21), o carroceiro Eurípedes Martins. Ele foi acusado pela morte da adolescente Lara Rodrigues Caetano Pereira, de 13 anos, na cidade de Araguari. O homem, apontado como “maníaco de Araguari”, foi investigado em pelo menos oito mortes de mulheres, tendo confessado a autoria em alguns deles.

O julgamento durou cerca de oito horas no fórum da comarca de Araguari e foram ouvidas, além do réu, duas testemunhas de defesa e uma de acusação. Lara foi assassinada em 2004, sendo este um dos crimes confessados pelo autor em outra ocasião.

Durante o depoimento no Tribunal do Júri, nesta tarde, Eurípedes disse que teria sido pressionado a assumir a autoria da morte de Lara. Testemunhas de defesa também alegaram que ele seria incapaz de cometer o assassinato uma vez que também tinha problemas de mobilidade. Da sentença ainda cabe recurso por parte da Promotoria de Justiça. 

ENTENDA
A adolescente Lara foi a primeira vítima do chamado “Maníaco de Araguari”, um dos casos de maior repercussão no Brasil entre os anos 2004 e 2005. Eurípedes, apontado como o autor dos crimes, é acusado em mais cinco crimes da mesma natureza e suspeito em outros dois. ​O homem, de 53 anos, ainda é acusado em outros cinco homicídios e responde às acusações em liberdade.

Entre os anos de 2004 e 2005 oito mulheres foram encontradas assassinadas de forma misteriosa, algumas teriam sofrido abusos sexuais e foram achadas nuas. As investigações duraram mais de um ano e três pessoas foram presas como suspeitas. Ao final, o Departamento de Homicídios e Crimes Contra a Pessoa de Belo Horizonte, designado para investigar os casos, apontou o carroceiro como autor dos crimes. Os outros foram soltos por falta de provas.

Conforme as investigações, as vítimas eram atraídas sob a promessa de receberem dinheiro ou drogas e, levadas para matagais nos arredores, eram mortas com crueldade. Uma das linhas de investigações na época apontou que as mortes faziam parte de ritual de magia negra, hipótese descartada pela polícia. Um dos suspeitos, preso por vários dias, era pai de santo num centro de umbanda.

Lara, primeira vítima do suposto maníaco, desapareceu no dia 24 de agosto de 2004, e seu corpo foi encontrado quatro dias depois, num matagal próximo ao bairro de Fátima, seminu e com sinais de violência sexual. Ela era usuária de drogas. A Polícia Civil concluiu que ela e as outras mulheres teriam sido vítimas de um maníaco sexual após o achado dos corpos, um a um num curto espaço de tempo, numa mesma região, e com as características semelhantes.

Eurípedes foi pronunciado em seis dos homicídios e negou participação nos outros dois. Em 2014 ele chegou a ser levado a júri popular pela morte da primeira vítima, mas o julgamento foi suspenso depois de iniciado. A defesa alegou a ausência do exame de sanidade mental do réu. Na época, a tese do defensor era negativa de autoria. Desde então o carroceiro nega os crimes e diz que os confessou sob pressão. O caso teve repercussão nacional. 


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