07/03/2019 às 13h26min - Atualizada em 07/03/2019 às 13h26min

Carnaval com blocos é aprovado por foliões em Uberlândia

Espaço do antigo fórum concentrou os foliões durante três dias de festa; PM e organização avaliam evento

DANIEL POMPEU
Foliões se concentraram no antigo fórum no Centro de Uberlândia | Foto: Ana Luiza Quintas/Divulgação
Passado o Carnaval, é momento do folião avaliar a festa que marca o início de ano. Em Uberlândia, o evento tem se transformado nos últimos dois anos, com o surgimento de blocos de rua e a crescente adesão da população local. O coletivo Abre Alas, que tem o objetivo de promover o Carnaval popular na cidade, foi o responsável por articular a programação de blocos e suprir as exigências do poder público para realizar a festa “Karnaval não oficial do Udão".

“O nome foi pra destacar que apesar do apoio, o Carnaval não estava sendo organizado pela Prefeitura. ‘Karnaval’ não oficial até escrito com K pra ficar menos oficial ainda”, explica Luiz Gustavo Miotto, um dos coordenadores do coletivo.

De acordo com Miotto, o coletivo resolveu promover a folia ao notar o terreno fértil que se tornou Uberlândia para o carnaval de rua. “Uberlândia é a segunda maior cidade de Minas, então aqui tem um potencial regional grande. A gente vê que na medida em que as capitais estão superlotando de turistas, a tendência é que as pessoas procurem destinos alternativos, que sigam a lógica do carnaval de rua, mas estejam em proporção menor.”

A expectativa era de que passassem pela festa cerca de 3 mil pessoas durante os três dias. A organização chegou a reconhecer que o público foi maior do que o esperado e a Polícia Militar (PM) estimou 5 mil pessoas só na última segunda-feira. 

Com base na experiência, a aposta para os próximos anos é de que a festa se expanda. Miotto, entretanto, destaca que para isso é preciso maior apoio e envolvimento do poder público.
“É necessário que a Prefeitura construa um projeto de Carnaval pra cidade. Porque o que nós fizemos agora não foi em consonância com um projeto público. Na verdade, a gente teve muita resistência e muitas exigências, as quais nós arcamos”, explica.

Entre as dificuldades citadas, estão a falta de auxílio financeiro e a demora para o início do diálogo com a Prefeitura sobre a organização da festa, que de acordo com ele, começou apenas em janeiro deste ano. Mas de uma forma em geral, ele avalia como positiva a adesão e recepção do público, o que motiva os organizadores a realizarem as próximas edições.

Quem geralmente utilizava o Carnaval para descansar ou viajar, esse ano acabou se rendendo à folia uberlandense. Foi o caso de Janayna Martins, de 43 anos, que levou a família para curtir a festa no domingo no espaço do antigo Fórum, durante o bloco “Brilha Brilha Espassim”.
“Foi bem organizado. Porque Uberlândia era só os desfiles de escolas de samba antigamente. Com o surgimento dos blocos fica mais democrático. Por ser perto do terminal também ficou mais acessível para as pessoas irem”, diz Martins.

Thiago Resende, de 29 anos, participou de todos os blocos do “Karnaval não oficial do Udão” e acha que a cidade tem condições de ter uma festa à altura das grandes capitais. “Foi tranquilo, valor da bebida, tudo muito adequado. Gostei bastante, é uma tendência ótima. Tenho certeza que vai só crescer”, diz Resende.

Apesar da aprovação, o folião diz que preferia se os blocos fossem mais pulverizados e itinerantes, como é o caso de carnavais como os de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Sobre essa questão, Miotto declara que o objetivo do coletivo Abre Alas é que a festa ocorresse dessa forma, o que não foi possível devido às atuais exigências dos órgãos públicos da cidade.



Foliões se concentraram no Centro durante 3 dias de festa | Foto: Marco Crepaldi/Secom/PMU

SEGURANÇA
Apesar de um princípio de tumulto na região do entorno do espaço na segunda-feira (5), o coronel Cláudio Vitor, comandante da 9ª RPM, ressalta que não houve grandes problemas relacionados ao Carnaval durante o feriado. “No Carnaval nós não tivemos incidentes, a não ser o princípio de confronto no antigo fórum, mas tudo resolvido, tudo sem maiores consequências”.

O comandante ressalta que no período o policiamento foi intensificado e o efetivo de homens na cidade aumentou cerca de 10%. “Tudo isso favoreceu [para o êxito do Carnaval], bem como um apoio da Prefeitura com relação à definição dos locais do evento”, disse o coronel.

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