18/02/2019 às 13h26min - Atualizada em 18/02/2019 às 13h26min

Manifestantes reclamam de mudanças no transporte escolar da zona rural

Servidores, pais e motoristas fizeram protesto na Câmara de Uberlândia nesta segunda-feira (18)

VINÍCIUS LEMOS
Manifestação de pais, motoristas e servidores ocorreu no plenário da Câmara de Uberlândia | Foto: Vinícius Lemos
Dezenas de servidores de escolas municipais da zona rural, pais e motoristas de vans escolares fizeram uma manifestação na Câmara Municipal de Uberlândia na manhã desta segunda-feira (18) por conta das mudanças previstas no transporte de trabalhadores e alunos para o início das aulas. Deslocamentos até linhas mestras e também até os terminais para que ônibus façam os traslados, além do valor oferecido pelo Município aos proprietários de vans, são os maiores problemas segundo os manifestantes.
 
O ano letivo nas escolas municipais começou nesta segunda-feira (18). Na zona rural, as aulas estão previstas para iniciar na quarta-feira (20). Enquanto isso, os trabalhadores e pais de alunos que estudam nas escolas rurais aproveitaram o tempo extra para fazerem o protesto.

A concentração aconteceu na praça cívica ao lado do Centro Administrativo e da Câmara. Depois, os manifestantes foram recebidos no Plenário do Legislativo, onde conversaram com vereadores que compõem a base e também a oposição ao Executivo.

Segundo a mesa de negociação ligada ao Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal de Uberlândia (Sintrasp), pode ser que professores não voltem ao trabalho nesta semana.

“Nosso objetivo é fazer o prefeito ter a consciência que da forma como foi proposto o transporte não vai funcionar. É um retrocesso, voltamos 40 anos. Não vamos aceitar. Deliberamos sábado (16) que se o transporte não for normalizado, não retornaremos”, disse o representante da comissão de negociação, Ronaldo Amélio Ferreira.
 
MUDANÇAS
Segundo o que foi passado à categoria, professores e demais servidores da rede municipal de ensino que trabalham em escolas da zona rural deverão se deslocar até perto de 5h da manhã para terminais na zona urbana de Uberlândia para que, dali, ônibus se desloquem para as escolas rurais com os servidores.

Ao mesmo tempo, pais ou responsáveis devem levar seus filhos para pontos específicos de linhas mestras onde mais ônibus pegarão os estudantes e os deixarão nas instituições de ensino.
 
Os deslocamentos são vistos como fator impossibilitador pelos grupos, uma vez que gera custo extra e demanda tempo.

No caso dos servidores, a dificuldade se dá ainda por não haver transporte público correndo a depender do horário que eles saírem de casa. Para os pais, o deslocamento seria em meio a área de fazendas e, em alguns casos, por quilômetros na madrugada.

“Vou ter que andar uns quatro quilômetros até na linha mestra. Como ponho uma menina de 4 anos para fazer isso?”, questionou a mãe de três crianças de idades entre 4 e 12 anos, Elizáida de Jesus Santos. A

As filhas dela estudam na Escola Municipal Dom Bosco, às margens da BR-365, na saída para Ituiutaba. Ela ainda tem uma sobrinha de 14 anos que depende do transporte do Município para ir à Escola Estadual Bueno Brandão, no Centro da cidade.

Esse é o mesmo problema que afeta a Carla Aparecida Ribeiro e a filha de 6 anos, que moram na região do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos. “É um direito que estão querendo tirar de nós”, afirmou em tribuna no Legislativo a mãe que teria que andar cerca de cinco quilômetros até chegar à linha mestra.
 
Anteriormente, as vans buscavam a todos em casa e um dos motoristas que fazia esse trabalho nos últimos 15 anos, João Batista Fernandes, afirmou que o serviço ficou inviável.

"Por uma conta por alto sobraria até R$ 800 por motorista. Eu tenho uma van que custou 120 mil, financiada. Ninguém tem condições de trabalhar assim. Eu até procurei (a contratação individual), mas pelas conta eu vou pagar para trabalhar. Fora a contratação de monitor. Como vou pagar esse funcionário?”.

Na última sessão de fevereiro na Câmara, no dia 15, houve outra manifestação apenas dos motoristas.
 
PREFEITURA
Em nota, a Prefeitura de Uberlândia informou que, “para garantir o transporte escolar aos alunos da zona rural, elaborou uma alternativa temporária até que todas as vans necessárias para o serviço estejam cadastradas dentro do novo modelo de contratação individual de vanzeiros adotada neste ano. Para isso, na próxima quarta (20), além das vans que já constam habilitadas, o Município contará transitoriamente com ônibus contratados emergencialmente para atender tanto estudantes quanto servidores que necessitam de deslocamento para as escolas fora do perímetro urbano”
 
A nota ainda disse que em 2019 adotou a nova modalidade de contratação de vans em atendimento à uma recomendação do Ministério Público Estadual (MPE). A orientação indicou que o Executivo não deveria mais oferecer o serviço tradicionalmente realizado por uma cooperativa. Desta forma, o edital de contratação individual foi aberto e continua em andamento por não ter a adesão total de vanzeiros para atendimento na zona rural até o momento.

No edital inicial, em janeiro, a Prefeitura dividiu em quatro lotes as 242 vagas para contratação dos motoristas tanto para o transporte escolar quanto administrativo, com fornecimento de mão de obra e veículos. Uma segunda chamada foi feita ainda no último mês, quando mais de 100 vagas ainda estavam abertas em três.
 
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