15/02/2019 às 12h12min - Atualizada em 15/02/2019 às 12h12min

Motoristas se reúnem na Câmara contra contratações individuais

Prefeitura de Uberlândia acatou recomendação do MPE e cooperados alegam desvantagens

VINÍCIUS LEMOS
O motorista Welington Ferreira falou em nome da categoria na sessão da Câmara | Foto: Vinícius Lemos
Motoristas que fazem parte da Cooperativa dos Transportadores de Passageiros e Cargas de Uberlândia (Coopass) participaram de uma reunião com vereadores na manhã dessa sexta-feira (15) e pediram ajuda para que o Município reveja a decisão de contratação individual para o transporte escolar neste ano. Eles alegam dificuldade de manutenção do trabalho por conta dos valores oferecidos. Acatando uma recomendação do Ministério Público Estadual (MPE), o Município passou a fazer contratos individuais com os transportadores em 2019.

O motorista Welington Ferreira pôde falar na tribuna do Legislativo durante a última sessão do mês de fevereiro, anteriormente à reunião. A principal reclamação, segundo ele, é que os ganhos na nova modalidade de contratação não passariam de R$ 1,2 mil, o que seria menos da metade esperado pela categoria.

“Pela planilha vai ser pago R$ 1,79 o KM rodado e precisa ser contratado um monitor. Como você vai manter um veículo de R$ 90 mil? Se você for comprar um veículo hoje, a prestação é de R$ 2,5 mil e assim a gente não tem condições de trabalhar”, afirmou o transportador.

Ele afirmou que não se credenciou a uma vaga de transporte em 2019 depois de décadas prestando o serviço. Outros trabalhadores que conversaram com a reportagem também disseram ter feito o mesmo. Ao todo, 292 motoristas estão na Coopass. A Cooperativa tem valores a serem ressarcidos desde 2016, ainda do governo Gilmar Machado, e também dos últimos meses de 2018, já no governo Odelmo Leão. Segundo os motoristas, uma recomposição no valor do KM rodado, que passou de R$ 1,62 para R$ 1,68 em agosto de 2018, nunca foi paga.

De acordo com o vereador Alexandre Nogueira (PSD), que durante as sessões deste mês fez críticas em tribuna à nova forma de contratação de motoristas, o objetivo é demonstrar que a categoria está insatisfeita com os contratos individuais e que o serviço anterior era prestado de maneira positiva. Ele ainda salientou que há mudanças que podem ser preocupantes, como a transferência de alunos da zona rural de vans para ônibus em parte do trecho.

“O transporte da zona rural sempre foi prestado por vans em sua maioria. Agora querem usar ônibus na linha mestre, com o ‘vanzeiros’ buscando alunos e os colocando (nos ônibus) na linha mestre. Além de fazer uma baldeação que pode ser perigosa, os alunos estarão sujeitos à chuva e ao sol, fora o risco nas rodovias em que podem ficar expostos”, afirmou Nogueira.

No edital inicial, em janeiro, a Prefeitura dividiu em quatro lotes as 242 vagas para contratação dos motoristas tanto para o transporte escolar quanto administrativo, com fornecimento de mão de obra e veículos. Uma segunda chamada foi feita ainda no último mês, quando mais de 100 vagas ainda estavam abertas em três. As aulas na rede municipal de ensino voltam na próxima segunda-feira (18).

O Diário de Uberlândia entrou em contato com a Prefeitura de Uberlândia e aguarda retorno sobre o assunto. 
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