14/12/2018 às 07h44min - Atualizada em 14/12/2018 às 07h44min

Bolsões ainda são opção para escoamento de água

Cidade tem 26 estruturas do tipo, que são alternativas para áreas menos densas

CAROLINA PORTILHO
Bolsões circundam o bairro Novo Mundo, na zona leste de Uberlândia | Foto: Divulgação
Criados no passado para facilitar o escoamento da água das chuvas, os bolsões continuam a ser levados em consideração como opção para evitar enchentes em algumas partes da cidade, graças ao seu custo baixo de implementação e manutenção. A alternativa vale, no entanto, para áreas mais abertas e menos densas, não podendo ser aplicada em muitas regiões onde os alagamentos são recorrentes, como nas avenidas Anselmo Alves dos Santos, Monsenhor Eduardo e Rondon Pacheco, onde o escoamento da água da chuva é feito diretamente na rede pluvial.

A função do bolsão, tanque que pode ser de até cinco metros de profundidade, é reter a água da chuva e liberar esse volume de forma gradativa em rios e córregos, por exemplo. De acordo com o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae), a responsabilidade pela construção dos bolsões é das construtoras à frente de novos loteamentos, cabendo à autarquia realizar a manutenção desses espaços após dois anos de inauguração.

Uberlândia conta com 26 bolsões entre o Custódio Pereira e o centro empresarial leste. Juntos, eles são capazes de armazenar 460 mil m³ de águas pluviais que, segundo o diretor-geral do Dmae, Paulo Sérgio Ferreira, significa reservar o consumo de água de 10 dias da cidade. De acordo com ele, os bolsões chegam a 156 mil m² de extensão, se somados. Pequena parte da água que fica armazenada no tanque é absorvida e o restante é liberado em córregos e rios.

“Os bolsões são importantes para resolver problemas de inundações e enchentes, mas a medida vale para os locais que já contam com esse investimento. Não tem como implementar bolsões em pontos críticos de alagamentos por conta de espaço, são pontos totalmente ocupados. Nesses casos temos investido em melhorias na rede pluvial para resolver esses problemas pontuais, como na avenida Segismundo Pereira e próximo à ponte que dá acesso ao bairro Cidade Jardim”, disse Paulo Sérgio.

O diretor reforça que a cada loteamento novo é feito um projeto de drenagem pluvial onde é apontado se o local precisará ou não de bolsões. A análise é feita pensando não somente onde o investimento será construído, mas na redondeza. Além disso, Paulo Sérgio disse que constantemente são feitas análises para identificar a necessidade de novos bolsões para solucionar o problema de escoamento da água da chuva.

“Identificamos um ponto urgente na cidade com condições de se fazer um bolsão, que é o caso do bairro Morumbi. Há uma demanda pequena lá, mas se chover em grande volume em um curto espaço de tempo corre o risco de alagamentos, onde a chuva pode chegar ao meio-fio, causando transtornos aos moradores e quem circula pelo local.”

MANUTENÇÃO

Os bolsões são abertos para receber a água da chuva e revestidos ao redor por gramas, além de serem cercado com alambrados. A ação humana, às vezes, degrada esses bolsões, que constantemente precisam passar por manutenção cuja responsabilidade é do Dmae, após dois anos em que infraestrutura foi entregue pela construtora. De acordo com o engenheiro civil, Walter Buiatti, caso seja preciso, o ideal é executar esse serviço uma vez por ano.

“Os bolsões diminuem o impacto das chuvas de grande intensidade e a falta de manutenção e os furtos dos materiais de apoio desses bolsões podem expor as pessoas ao risco. Importante cortar a grama e evitar que o mato se aproxime. É preciso ter zelo como em qualquer outro tipo de equipamento público e a população precisa ter consciência que é importante ajudar na preservação. A limpeza é simples e as vezes leva apenas um dia. Além do mato, há locais com lixos como latas e garrafas pets e que estão sem os alambrados e cercas de proteção”, disse.

Walter destaca que os bolsões não são investimentos caros, o que tem sido levado em consideração na hora de elaborar projetos de escoamento e drenagem da água da chuva. As construtoras estão incluindo essa demanda nos novos loteamentos, caso tenham a necessidade, devido à consciência do quanto o serviço é importante.

Quanto à limpeza desses locais, o Dmae disse que faz constantemente esse serviço e que não é possível mensurar o valor gasto, já que o trabalho é executado dentro do cronograma geral de manutenção de água e esgoto feito pela autarquia.
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