30/11/2018 às 07h51min - Atualizada em 30/11/2018 às 07h51min

Homicídio de mãe e filha foi atípico, diz delegado

Crime foi cometido por pai e marido das vítimas no dia 17

VINÍCIUS LEMOS
Delegado diz que autor tinha perfil mais introspectivo e falava pouco sobre problemas pessoais | Foto: Vinícius Lemos
O perfil traçado pela Polícia Civil (PC) em Araguari para Thiago José de Aquino Marques mostra um homem calmo e sem históricos de violência contra a família. Justamente por isso, a PC considerada atípico o duplo assassinato cometido por ele, que vitimou a esposa, Mariana Barbosa Paranhos, de 33 anos, e a filha, Valentina Paranhos, de 4 anos. Segundo as investigações, os homicídios podem estar ligados a problemas psicológicos do empresário e também no casamento. Thiago Aquino se suicidou após o crime, que aconteceu na madrugada do dia 17 deste mês.

Em entrevista coletiva em Araguari, realizada na manhã de ontem, o delegado de homicídios Felipe Oliveira Monteiro chamou o caso de “fora dos padrões” para a PC, já que não existia nenhum tipo de registro policial contra o empresário em relação a ameaças ou agressões à mulher ou filha. Nos depoimentos, familiares e amigos da família também informaram que não existia qualquer reclamação de violência doméstica ou qualquer outro abuso anterior à noite do crime. O autor era considerado introspectivo e falava pouco sobre os próprios problemas, segundo informaram pessoas próximas.

Ao mesmo tempo, tanto a delegacia de Homicídios como a da Mulher em Araguari buscou informações a respeito do perfil de Thiago Aquino. As informações levantadas mostraram que ele tinha conflitos de ordem pessoal, chegou a passar rapidamente por tratamento psicológico, que foi abandonado. O principal efeito percebido em relação a Aquino foi que ele passou a beber mais do que o normal nos últimos seis anos. As causas desses problemas foram resumidas pela polícia como sendo apenas de ordem pessoal.

Ainda de acordo com as investigações, o casamento dele com Mariana Paranhos vinha tendo problemas desde o nascimento da filha, pelo menos. Eles eram casados desde 2010. Tiveram uma breve separação após o nascimento, mas reataram o relacionamento. O casal seguia junto, segundo o que a PC pôde apurar, por conta da filha, com o intuito de evitar que a menina passasse por um processo de divórcio dos pais.

MADRUGADA DO CRIME

A Polícia Civil aponta que, entre o dia anterior e a madrugada do dia 17 de novembro, houve uma briga entre o casal, mas esse não seria o motivo específico para o crime. O que levou o empresário a matar a esposa e a filha, segundo o delegado Felipe Monteiro, teria acontecido entre o momento em que ela, que era médica, foi deixada na Santa Casa de Misericórdia em Araguari para o plantão e a volta de Aquino para Uberlândia, onde a família morava.

Imagens de câmeras de segurança mostraram que Aquino chegou nervoso ao hospital e pediu várias vezes para que Mariana saísse e conversasse com ele. A médica não aceitou a situação, inicialmente, pois estava em horário de trabalho e só foi ao encontro do marido depois que ele disse que a filha estava doente. A PC ainda descobriu que no deslocamento de Thiago Aquino para Araguari, ele teria dito à mulher que se não o recebesse, poderia matar a criança.

DINÂMICA

Mais imagens de câmeras de segurança captaram o momento em que Mariana Paranhos entra no carro do marido, conversa rapidamente com ele e liga a luz do carro para ver Valentina, sentada em uma cadeirinha no banco de trás. Posteriormente, o veículo deixa o local. Em algum momento entre a Santa Casa e a rua Marechal Deodoro, Aquino agrediu a mulher, mas sem esfaqueá-la. A vítima deixou o carro e pediu socorro aos moradores, que tentaram impedir mais agressões. O marido, então, voltou ao veículo e tentou atropelar a esposa duas vezes, batendo em muretas e portões de casas.

Na segunda residência, onde a vítima tentou ajuda, Aquino a alcançou e desferiu os golpes de faca. Em seguida, foi até o automóvel e esfaqueou a filha. Depois, já na calçada, ele se suicidou, também com facadas, no peito.

A FACA

Apesar de a faca ter sido levada por Aquino de Uberlândia para Araguari, a delegacia de Homicídios descarta premeditação de longo prazo. Recentemente, ele teria negociado um carro para que a mulher pudesse ir trabalhar sozinha, além de ter feito planos de ampliação de seus negócios no ramo alimentício.

Segundo a Polícia Civil, a decisão do crime teria sido tomada durante a madrugada. “Independentemente do que provocou [o crime], se uma conversa no WhatsApp ou por telefone, tenho a convicção que a motivação foi o contexto de conflito entre o casal. Agora, o que especificamente o levou a cometer o ato, isso é irrelevante porque a motivação é bastante clara pra gente”, disse o delegado Monteiro, que ainda levantou a possibilidade de um surto psicótico a partir de algo que aconteceu entre o casal.

INQUÉRITO

O inquérito ainda não foi finalizado e a PC de Araguari aguarda exames para comprovar se Thiago Aquino ingeriu bebida alcoólica no dia do crime, além de esperar pela finalização da perícia no celular de Mariana Paranhos. O delegado ainda afirmou que dispensou tomar depoimento do psicólogo que chegou a atender o empresário.
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