28/11/2018 às 08h00min - Atualizada em 28/11/2018 às 08h00min

Maioria vai usar 13º para pagar dívidas

Dados da CDL Uberlândia apontam que 88% dos entrevistados querem utilizar benefício para sair do vermelho

CAROLINA PORTILHO
Em todo país, 13º irá injetar R$ 211 bi na economia; parte desse dinheiro, irá para quitar débitos | Foto: Carolina Portilho
Uma pesquisa apresentada pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Uberlândia aponta que 88% dos consumidores entrevistados pretendem utilizar o 13º salário para quitar dívidas ou poupar. Os demais, 12%, disseram que utilizarão a quantia para as compras de Natal. Para o presidente da instituição, Cícero Heraldo Novaes, esse interesse dos inadimplentes gera uma boa oportunidade para as empresas negociarem essas dívidas.

“Você dá a oportunidade de o consumidor sair do sufoco negociando suas dívidas, seja reduzindo os juros ou oferecendo parcelas que ele consegue pagar mês a mês, e com isso abre as portas para que ele se sinta seguro em fazer novas compras. Além dessa intenção em usar o 13º para honrar seus compromissos, há ainda a retomada da confiança na volta da geração de emprego e da aceleração na economia para o próximo ano. Usar esses argumentos é uma ótima chance para recuperar valores que muitas vezes avaliamos como perdidos”, disse.

Cícero reforça que as dívidas contraídas na cidade são generalizadas, de diversos setores, mas que o cheque especial está no topo da lista por conta dos juros altos. “É uma prática abusiva que acaba dificultando ainda mais o consumidor a sair da dívida.”

NEGATIVADO

A situação do estudante de design gráfico, Matheus Mororó Nascimento de Oliveira, de 22 anos, não está relacionada ao cheque especial, mas ao Programa de Financiamento Estudantil (Fies), adquirido há quatro anos quando ingressou no Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH). Por problemas pessoais, ele teve que trancar a faculdade e, a partir daí, teve seu nome negativado, situação que permanece até hoje.

“Consegui o Fies da Caixa. Quando tranquei a faculdade, fiquei sabendo que o banco não tinha pago o semestre por causa de um problema no Fies, do qual não fui alertado e nem sabia o que estava acontecendo. Achei que era uma situação interna e que logo se resolveria. Vim morar em Uberlândia e comecei a estudar em outra faculdade e quase um ano depois recebi uma ligação falando que eu estava devendo um semestre na UniBH no valor de aproximadamente R$ 6.000”, disse.

Matheus diz que eles tentaram negociar, mas que as condições apresentadas não foram compatíveis. “Eu quero pagar, mas ainda não consigo e com isso afeta minha vida, pois tudo que preciso adquirir eu não consigo, como um cartão de crédito. O nome negativado dificulta bastante as coisas e espero um dia sair dessa situação”.

Apesar de a maioria ter o interesse em pagar as dívidas, Cícero vê essa iniciativa positiva inclusive para as vendas no Natal. “Mesmo que ele não compre na mesma intensidade que gostaria, negociar as dívidas dá a oportunidade de o consumidor voltar ativamente para o mercado com crédito em mãos para novas compras. O consumidor volta a ter mais confiança e consequentemente passa a ter o desejo de adquirir algo para ele, para presentear e até mesmo para casa.”
 
SEMANA DE CRÉDITO
Atividades gratuitas são oferecidas ao empresariado

 
O Sebrae oferece amanhã (28) atividades voltadas à Semana Nacional de Crédito, a partir das 19h, na sede da instituição que fica na avenida João Naves de Ávila, 2.627. Entre os assuntos que serão tratados no evento, um deles é sobre educação financeira com Teco Medina, colunista da CBN e consultor financeiro. Tecnologia em serviços financeiros também faz parte da programação com Ariane Pelicioli, CEO do Boletão - solução que une todos os boletos do usuário em um só, e em uma única data mensalmente.

“Queremos mostrar a importância de um bom planejamento financeiro, visando a redução de gastos e dívidas. A taxa de inadimplência é alta entre os pequenos e médios empresários e queremos que esse quadro seja revertido”, disse a assistente de projetos do Sebrae, Camila Alves.

A atividade conta ainda com um Giro de Crédito com a participação de sete bancos já cadastrados e com a discussão sobre o cenário macroeconômico com dois palestrantes: Benito Salomão, que é mestre em Economia e pesquisador sobre o tema, e Leo Medina, da Unidade de Acesso a Serviços Financeiros do Sebrae Minas. Os interessados podem se inscrever por meio do site Sympla [www.sympla.com.br]. As vagas são limitadas a 128 participantes.
 
BRASIL
Benefício será pago a 84,5 mi de trabalhadores

 
O pagamento do 13º salário vai injetar R$ 211,2 bilhões na economia brasileira até dezembro. O valor representa cerca de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, beneficiando cerca de 84,5 milhões de trabalhadores do mercado formal, inclusive aposentados, pensionistas e empregados domésticos.

Os trabalhadores do mercado formal representam 48,7 milhões, ou 57,6% do total beneficiados pelo pagamento do 13º salário. Os empregados domésticos são 1,8 milhão, ou 2,2% do total. Os aposentados e pensionistas representam 34,8 milhões, ou 41,2% do total. Dos R$ 211,2 bilhões pagos, os empregados do mercado formal ficarão com 66%, ou R$ 139,4 bilhões. Os aposentados e pensionistas receberão R$ 71,8 bilhões, ou 34%.

Os estados da região Sudeste ficarão com 49,1% do pagamento do 13º salário, seguido pelos estados do sul com 16,6%, Nordeste com 16%, Centro-oeste com 8,9% e Norte com 4,7%. O beneficiário com o maior valor médio (R$ 4.278,00) será pago no Distrito Federal e o menor no Maranhão (R$ 1.560,00) e Piauí (R$ 1.585,00).

A maior parcela que será paga aos assalariados do setor de serviços (incluindo administração pública), que receberão R$ 137,1 bilhões, ou 64,1% do total destinado ao mercado formal. Os empregados da indústria receberão 17,4%, os comerciários 13,3%, enquanto que os da construção civil ficarão com 3,1% e da agropecuária com 2,1%. O valor médio do 13º salário do setor formal ficará em R$ 2.927,21, sendo que a maior média será paga aos trabalhadores do setor de serviços com valor de R$ 3.338,81 e o menor para os trabalhadores do setor primário da economia, com R$ 1.794,86.
 
 
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