26/11/2018 às 18h50min - Atualizada em 26/11/2018 às 16h50min

Ação usa “checklist” no combate ao Aedes aegypti

Vinícius Lemos
O Município de Uberlândia testa uma lista de checagem para que moradores peçam ajuda, via mensagens por celular, para recolhimento de materiais que possam ajudar na reprodução do mosquito Aedes aegypti. Com mais de 1,5 mil casos prováveis registrados na cidade neste ano, segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), o programa municipal de combate ao transmissor da dengue já usou o método em um bairro e deverá seguir para outros pontos do Município como forma de intensificação do trabalho de prevenção durante o período de chuva.

A lista é deixada nas residências com os donos ou mesmo na caixa de correios de casas visitadas em momentos em que moradores não estavam. O documento estimula que as pessoas verifiquem a área residencial, anotem problemas encontrados e marquem no papel. Posteriormente, é possível tirar uma foto com um smartphone e enviá-la para um número de WhatsApp apresentado na lista de checagem. Com o endereço informado, é possível à Prefeitura não só verificar problemas relatados como buscar objetos como pneus ou vasos que poderiam ser criadouros do Aedes.
Segundo o coordenador do programa de combate ao mosquito, José Humberto Arruda, é possível estabelecer um horário para esse tipo de visita. “Esse checklist enviado se transforma em um tipo de ordem de serviço disparada para a Zoonoses”, afirmou. O teste foi feito no bairro Guarani, na zona oeste, mas em breve poderá ser estendido por conta dos resultados considerados bons.

CHUVA

A medida extra entra no conjunto de trabalhos para época chuvosa na prevenção à dengue. Atualmente, há 300 agentes para fazer visitações às casas em Uberlândia. “É meio que básico para a estação chuvosa. Desde outubro buscamos fazer mais visitas e damos atenção especial a locais onde armadilhas armadas mostram mais presença do mosquito”, afirmou Arruda. 

Ainda que haja 1.504 casos de dengue no Município, não há mortes confirmadas pela doença no ano de 2018. Em todo o Estado de Minas Gerais, contudo, há oito óbitos confirmados, sendo Uberaba e Ituiutaba as localidades mais próximas com uma morte por dengue cada.
Atualmente, Uberlândia registra queda de 17% no número de casos. O último Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) apontava taxa de infestação de 1%. Em todo caso, Arruda já espera que os números relativos à doença e também à proliferação do mosquito cresçam nos próximos meses por causa dos aumentos das chuvas e, por consequência, de criadouros. Desde o mês passado, apenas nos bairros Guarani e Tubalina, mais de 380 focos de Aedes foram eliminados.

CAIXAS D’ÁGUA

Atualmente, entre 75% e 90% dos focos são encontrados dentro das casas. Uma particularidade nesses casos, de acordo com a Zoonoses, é que tem sido comum encontrar caixas d’água de fibra abertas, o que atrai mosquitos para botar ovos. 
Arruda explicou que as antigas caixas de cimento e amianto eram tapadas pela própria Prefeitura quando a situação era flagrada. Números do Município apontam para mais de 20 mil delas entre os anos 2008 e 2012. Todavia, as caixas de fibra não suportam as tampas fornecidas pela Prefeitura, o que leva a mais um item a ser verificado com cuidado pelos moradores.

Moradora do bairro Pacaembu, na zona norte de Uberlândia, a aposentada Nalva Coelho afirmou que se preocupa em manter o quintal limpo até porque, recentemente, uma de suas netas foi diagnosticada com dengue. “Já tive vizinhos que juntavam muito lixo e a gente fica preocupada se lá há local para o mosquito se reproduzir”, disse.

O motorista Ricardo Servo foi surpreendido por ter encontrado larvas em uma de suas plantas, também no Pacaembu. “Eu nem imaginava, agora vou verificar com mais cuidado. [A larva] Estava dentro do vaso e não no prato, que é onde normalmente acumula água”, afirmou.

MOSQUITO
Ministério inicia semana nacional de combate

O Ministério da Saúde iniciou no domingo a Semana Nacional de Combate ao Aedes nos estados e municípios.  No total, 210 mil unidades públicas e privadas de todo o país estão sendo mobilizadas, sendo 146 mil escolas da rede básica, 11 mil Centros de Assistência Social e 53 mil Unidades Básicas de Saúde (UBS).  A semana fecha com o Dia D de Combate ao Aedes, marcado para a sexta-feira (30), com a realização de mutirões de limpeza em todos os espaços, incluindo os órgãos públicos.
A Sala Nacional de Coordenação e Controle (SNCC) do Ministério da Saúde orientou estados e municípios a realizarem atividades para instruir as comunidades sobre a importância da prevenção e combate ao mosquito. Entre as atividades planejadas estão visitas domiciliares, distribuição de materiais informativos e educativos, murais, rodas de conversa com a comunidade, oficinas, teatros e gincanas.
“O verão é o período que requer maior atenção e intensificação dos esforços para não deixar o mosquito nascer. No caso da população, além dos cuidados, como não deixar água parada nos vasos de plantas, é possível verificar melhor as residências, apoiando o trabalho dos agentes de endemias. Esses profissionais utilizam técnicas simples e diferenciadas para vistoriar as casas, apartamentos e espaços abertos”, explica o coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, Divino Martins.

MINAS

Em Minas Gerais, o governo estadual, por meio do Comitê Gestor Estadual de Enfrentamento ao Aedes, que é coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde, participa e reforça as ações, dando continuidade com a campanha do ano passado "Com o Aedes não se brinca".
A Secretaria de Estado de Educação e a Secretaria de Estado de Saúde (SES) elaboraram uma nota técnica em conjunto que será enviada para as Superintendências Regionais de Ensino (SREs) e escolas estaduais orientando nos cuidados e ações em conjunto nas escolas com as Unidades Básicas de Saúde.
Conforme dados da SES, até o momento Minas Gerais registrou 26.155 casos prováveis (confirmados + suspeitos) de dengue. Em 2018, até o momento, oito óbitos foram confirmados por dengue, residentes nos municípios de Araújos, Arcos, Conceição do Pará, Contagem, Ituiutaba, Lagoa da Prata, Moema e Uberaba. Há 11 óbitos em investigação por dengue. 
Em relação à Febre Chikungunya, Minas Gerais registrou 11.660 casos prováveis da doença, concentrados na região do Vale do Aço. Até o momento, foi confirmado um óbito por Chikungunya no município de Coronel Fabriciano em 2018; há dois óbitos em investigação.
Já em relação à Zika, foram registrados 157 casos prováveis da doença em 2018.

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