18/11/2018 às 07h22min - Atualizada em 18/11/2018 às 07h22min

Prado promete posição “pauta a pauta”

Único deputado federal de Uberlândia eleito para o mandato 2019-2022 diverge de parte das propostas de Bolsonaro

VINÍCIUS LEMOS
Reeleito, em 2018, com 129,2 mil votos, aproximadamente, Weliton Prado (Pros) conquistou no último pleito pouco mais da metade do apoio recebido em 2010, quando foi eleito pela primeira vez graças a 234,4 mil eleitores. Apesar dessa queda, ele será o único político de Uberlândia na Câmara dos Deputados no mandato 2019-2022. O que chama atenção em sua reeleição é que Prado é um nome ligado ao movimento estudantil em suas origens políticas e teve votação relativamente expressiva mesmo em um cenário de renovação e de guinada conservadora no Congresso. Em entrevista exclusiva ao Diário de Uberlândia, ele afirmou que o posicionamento frente a determinadas propostas do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), será adotado pauta a pauta, concordando ou não com elas.

Para Prado, o atual momento é de grave crise de confiança em instituições e lideranças políticas, o que teria levado o eleitorado a optar por mudanças. “Porém, uma parcela [dos políticos] recebeu a aprovação do povo para continuar”, disse. Segundo o deputado, o próprio presidente eleito vai depender de apoio e pressão popular para aprovar pautas prometidas em campanha, ainda que no Congresso o partido de Bolsonaro tenha uma das maiores bancadas. “Acredito que o presidente eleito terá facilidade em aprovar projetos que realmente sejam bons e estejam em sintonia com a vontade geral da nação, que sejam mais consensuais, como por exemplo, as medidas para endurecer a legislação na aérea da segurança pública e no combate à corrupção, que terão meu apoio”, disse.

O deputado reeleito, por sua vez, prevê maior ponderação em projetos que exigem maioria qualificada, como dois terços ou três quintos da casa legislativa federal. Os exemplos dados são os Projetos de Emenda Constitucional (PEC) ou aqueles que mudam direitos sociais. Nesses casos, ele se posiciona contra a Reforma da Previdência e também à extinção de alguns ministérios, como o do Trabalho. 

Ao mesmo tempo, Prado diz ser favorável ao enxugamento da máquina do Governo junto ao melhoramento de mecanismos para aumentar a arrecadação, entre os quais ele cita a taxação de grandes fortunas, de bancos e o combate à sonegação fiscal de grandes grupos econômicos, além do corte de privilégios.

“Minha postura sempre foi e sempre será a mesma desde o início da minha trajetória política. Não preciso me adaptar, mas sim continuar cumprindo com o compromisso público que assumi e registrei em cartório. Comigo, o eleitor nunca será pego de surpresa ou sofrerá decepções, pois minha posição é clara e conhecida por todos, por isso irei manter a coerência e franqueza em todas as minhas ações”, disse. 

Fora do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2015, sigla pela qual tinha iniciado a carreira política, ainda como vereador em Uberlândia, no ano de 2000, Weliton Prado deixou a legenda sob a justifica de diferenças em votações de projetos na Câmara. A saída aconteceu semanas antes do pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff ser aceito pela presidência da Casa. Entre os anos de 2015 e 2017, Prado esteve no Partido da Mulher Brasileira (PMB) e, ainda no ano passado, se filiou ao Partido Republicano da Ordem Social (Pros).

Em pelo menos dois momentos da entrevista, Prado citou ser favorável à formação de Constituinte Exclusiva para a realização da Reforma Política, sendo que, para ele, os participantes não poderiam se candidatar a cargos políticos na eleição subsequente.

COBRANÇA
Na semana seguinte ao pleito, o Diário de Uberlândia trouxe uma reportagem que mostrava que os 73 candidatos a deputado federal e estadual com domicílio eleitoral em Uberlândia tiveram que dividir os votos dos eleitores locais com outros 1.599 candidatos de outras cidades. Ao todo, foram 230.513 votos para concorrentes de fora, o que representa 56% dos 408.600 votos recebidos pelos candidatos de Uberlândia só na cidade. Por isso, Weliton Prado disse que os eleitores devem cobrar também ajuda de deputados eleitos de outras cidades para pautas de interesse de Uberlândia. “(Nos) Preocupamos em fazer o nosso trabalho sério e estamos aqui para contribuir com Uberlândia, com a região e com o Estado. Mas o eleitor não pode fazer como se fosse Copa do Mundo, que participa a cada quatro anos e depois não faz nada”, disse.

Desde 2010, Uberlândia costumava eleger três deputados federais, entre eles o próprio Prado, Tenente Lúcio, o ex-prefeito Gilmar Machado e o atual prefeito Odelmo Leão. Fato que, pelo menos em tese, ajuda na aprovação de emendas para aporte de recursos para a cidade. Agora, com apenas um nome local em Brasília, o Município tem menor chance de receber apoio no Congresso, o que em uma crise como a que Uberlândia passa, pode ser mais um desafio para a Prefeitura. Questionado sobre o diálogo com Odelmo Leão, Prado afirmou que sempre esteve aberto a conversas.

FOCO
Deputado quer retomada de obras paradas

Até o início deste semestre, Uberlândia tinha R$ 580 milhões gastos ou ainda a serem aplicados em obras paralisadas, em situação de atraso ou até mesmo com dívidas empenhadas. Parte desse valor estava ligado ao Governo Federal e dependia de uma série de fatores, como a Justiça e pressão política, para serem liberados. Das 18 obras, parte foi retomada, teve o aporte financeiro destinado ou foi finalizada com fontes alternativas.

Entre os objetivos para o próximo mandato, Prado cita como especial a questão do atraso da entrega da ampliação do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU). “Está paralisada por causa de uma briga jurídica. Enquanto não resolvermos esse imbróglio jurídico, nós ficamos praticamente de mãos e braços atados. Mas assim que for resolvido, já avisei ao reitor que uma das prioridades do mandato será brigar pela retomada da construção do novo Pronto-Socorro, que vai aumentar os leitos e atender toda a população de Uberlândia e região”, disse. O orçamento inicial da ampliação era de R$ 100 milhões.

Recentemente, houve o aporte financeiro de R$ 22 milhões para construção da trincheira do bairro Taiaman, na BR-365, obra aguardada dentro de um pacote de melhorias no perímetro urbano de Uberlândia. Chegou-se a posicionar maquinário no local, mas, após as eleições as máquinas deixaram o ponto sem qualquer alteração. Ao todo, o pacote de mudanças da rodovia era estimado entre R$ 48 milhões e R$ 68 milhões, valores que não estão atualizados. Prado também disse que poderá atuar na aceleração destes trabalhos fazendo pressão junto ao Governo Federal.
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