09/11/2018 às 08h03min - Atualizada em 09/11/2018 às 08h03min

Botijão de gás já pode ser encontrado por até R$ 85

Reajuste de 8,5% estipulado pela Petrobras já foi aplicado no comércio local

NÚBIA MOTA -
Osvaldir acredita que reajuste irá provocar uma queda nas vendas em função da crise | Foto: Núbia Mota
Em Uberlândia, o preço do botijão de gás de 13 Kg já pode ser encontrado por valores que variam de R$ 75 a R$ 85, segundo pesquisa feita pelo Diário de Uberlândia. Os novos valores se devem ao aumento de 8,5% estipulado pela Petrobras, anunciado na última segunda-feira (5) e justificado pela desvalorização do real frente ao dólar e a elevações nas cotações internacionais do GLP. Até ontem, era possível encontrar o produto de no mínimo R$ 65, mas, a partir de hoje, o consumidor deve pagar, em média, R$ 80, na maior parte dos estabelecimentos.

Segundo Osvaldir José Mendes, dono de uma distribuidora que atende no varejo e no atacado, além do reajuste da Petrobras, as empresas ainda estão repassando o valor do dissídio ocorrido em setembro entre as revendedoras de gás de cozinha. “Nesse dissídio coletivo foi decidido que teria um aumento de R$ 2. Já era para o gás estar mais caro há mais tempo, mas como teve a paralisação dos caminhoneiros e a demanda foi muito grande, as empresas estocaram e caíram as vendas e os preços, por causa da concorrência”, disse.

Com o intuito de não perder as vendas mensais, Osvaldir disse que não vai reajustar em 8,5% o produto, senão, o gás iria para R$ 81,37. Na distribuidora dele, que atende Uberlândia e Araguari, ele irá vender por R$ 75 – o preço antigo era R$ 65 -, mas acredita que em muitas lojas da cidade o preço médio será de R$ 80. “Como o país passa por uma situação difícil, para fazer a empresa rodar temos que tirar da nossa própria margem de lucro para botar um preço mais acessível ao pessoal, mas deve ter uma queda nas vendas”, disse o empresário.

Essa mesma queda nas vendas é esperada também pelos profissionais que dependem do gás de cozinha para trabalhar. A confeiteira Elaine Borges Silva faz entre 40 e 50 bolos e tortas por mês, além de pão de queijo e broa, e para isso compra cerca de 3 botijões. Ela ainda estuda a possibilidade de aumentar os preços dos produtos, mas está com receio, porque há um tempo já vem percebendo uma mudança de comportamento dos clientes, como forma de economizar. “Eles estão comprando bolos simbólicos, pequenos, só para cantar parabéns mesmo e fazendo festas íntimas, para poucas pessoas. Está complicado, porque se eu reajustar o valor do produto, caem as vendas, e se eu não aumentar, vou ter um lucro menor porque o gás está mais caro”, disse Elaine.

A confeiteira tem recorrido a algumas formas para economizar. Recentemente, ela investiu em uma derretedeira elétrica, ao invés de derreter o chocolate em banho maria, e ainda tem usado mais a panela de pressão na hora de fazer a comida para sua família, o que ajuda a diminuir o tempo de cozimento.
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