04/10/2018 às 07h44min - Atualizada em 04/10/2018 às 07h44min

Mulheres relatam ataques com agulhas em ônibus

Três vítimas denunciam agressões; polícia diz que não há suspeitos

VINÍCIUS LEMOS
Um dos ataques foi registrado na Estação 1, na avenida João Naves de Ávila | Foto: Vinícius Lemos
Relatos em redes sociais de mulheres atacadas com agulhas dentro de ônibus que fazem linhas em direção ao Terminal Central têm gerado repercussão em Uberlândia. São pelo menos três deles, sendo o primeiro do último dia 27 de setembro. Apenas uma das vítimas registrou o caso junto à Polícia Militar (PM), por meio de boletim de ocorrência, mas todas elas procuraram unidades de saúde para se precaverem de qualquer contaminação.

O Diário de Uberlândia conversou com duas das jovens que fizeram textos em seus perfis do Facebook em que afirmaram terem sido furaras pelo que julgam ser agulhas. No primeiro dos relatos, a universitária T.S.P. disse ter sido espetada perto das 13h30 na linha T131, mas que não chegou a ver quem foi o autor. À reportagem, ela disse que nem chegou a se virar no momento em que sentiu o que seria a agulhada. Questionada porque não registrou o caso na PM, ela contou que pretende se preservar. “Não quero aparecer em nada”, afirmou, e reiterou que não pretende procurar posteriormente a polícia.

No mesmo dia, ela foi atendida na Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Roosevelt, onde fez uma série de exames e passou a tomar medicamentos por pelo menos 28 dias. Nenhum dos exames mostrou contaminação. Em 40 dias ela deve repetir parte dos exames. “Acho que essa pessoa é louca”, afirmou a estudante sobre a possibilidade, aventada nas redes sociais, de que o ataque foi uma brincadeira de mau gosto.

OUTRO CASO

No dia 1º deste mês, segundo Fernanda Rodrigues, ela também foi vítima desse tipo de ação, tendo um dos braços furados com uma agulha. Ela estava na linha T132 e descia na estação 1 do corredor da avenida João Naves de Ávila, quando sentiu uma picada. A vítima contou que o ônibus estava cheio e o máximo que ela viu foi um grupo de pessoas do qual não pôde apontar nenhum suspeito. “Cheguei a ir ao emprego, abri o sacolão e depois fui para a UAI Pampulha, sendo encaminhada para a UAI Roosevelt. Depois que fiz o BO na polícia”, afirmou.

Foi indicado que ela tomasse vários medicamentos. Após o relato na internet, boatos foram levantados sobre possível contaminação pelo vírus HIV, o que ela nega graças ao laudo, entregue na UAI, que não detectou o vírus. Depois disso, Fernanda Rodrigues não foi mais trabalhar de ônibus e contou que tem se deslocado de carona.

Não há informações de que a terceira vítima tenha registrado boletim de ocorrência, mas ela também teria sido atendida por médicos na UAI Roosevelt. Não foi possível conseguir informações sobre o laudo dos exames. Procurada, a PM informou que ainda há poucos dados sobre os casos, até pela falta de registros. Também por conta disso, não há suspeitos, ainda que boatos dão conta da prisão de uma pessoa, o que não foi confirmado.

Ao Diário, o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Triângulo Mineiro (Sindett) disse que trabalha para o bom funcionamento do transporte coletivo na cidade. “As empresas ainda reforçam que estão à disposição para ceder as imagens de segurança dos veículos, caso auxilie as autoridades na investigação.”
 
 
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