25/09/2018 às 07h54min - Atualizada em 25/09/2018 às 07h54min

O combustível mais caro da região

Levantamento do Diário aponta que valor da gasolina e do etanol em Uberlândia bate o praticado em cidades vizinhas

NÚBIA MOTA
Há uma semana, o consumidor de Uberlândia foi pego de surpresa com o preço da gasolina, que subiu de R$ 4,99 para R$ 5,29, um aumento de 6%, e do álcool, que passou de R$ 2,99 para R$ 3,29, um reajuste de 10%. Apesar da cidade contar com uma central de distribuição de combustíveis, o preço praticado por boa parte dos postos uberlandenses é um dos mais caros da região, segundo consulta realizada pelo Diário de Uberlândia. O mais barato é o de Monte Alegre de Minas, a 68 km, onde a gasolina está a R$ 4,89, e o etanol, a R$ 2,85, em média. A explicação para a diferença, segundo os donos e gerentes dos estabelecimentos, está no alto custo do empreendimento, atualmente com uma margem de lucro pequena, e na maior concorrência, já que quando um posto sobe ou desce a tabela na cidade, todos os outros tendem a acompanhá-lo.

Nessa realidade, os pequenos empresários do setor são os mais prejudicados, já que as grandes redes conseguem comprar das distribuidoras uma quantidade maior de combustível e, por isso, recebem descontos tanto no produto quanto no frete. Para não perder o freguês, os pequenos empresários seguem o preço do concorrente, mesmo pagando mais pelo produto.

É o caso, por exemplo, de Adolfo Ferreira, que há 22 anos é proprietário do Auto Posto Melo Viana, em Araguari, a 38 km, onde a gasolina está a R$ 4,99, e o álcool, a R$ 2,99. “Meus vizinhos não subiram e eu não posso subir. Mas os preços de Uberlândia não estão errados, aqui também teria que ser assim, mas o pessoal de Araguari gosta de rasgar dinheiro. Não estou tendo lucro praticamente nenhum, porque tenho só esse posto, e se eu pudesse, eu nunca teria outro”, afirmou.


No posto Melo Viana, em Araguari, o preço da gasolina está a R$ 4,99 e do álcool a R$ 2,99 | Foto: Divulgação

Na última compra feita à distribuidora, Adolfo pagou adiantado R$ 4,42 pelo litro da gasolina e R$ 2,40 pelo do álcool, o que poderia gerar lucro de R$ 0,57 e R$ 0,59 por litro, respectivamente. Mas ele disse que está difícil encontrar etanol e, nesta semana, deve fazer nova compra, já com o produto reajustado a R$ 2,60. No estabelecimento de bandeira branca, ele tem 13 funcionários e só com folha de pagamento, gasta, por mês, quase R$ 40 mil. “Dono de posto está vivendo para comer arroz e feijão. É um empreendimento caríssimo, com muitos problemas e que não ganha nada. É um mercado onde rola muito dinheiro, onde se lava dinheiro, com gente comprando combustível roubado”, afirmou.

Segundo o gerente do Posto Shopping Park, em Uberlândia, Paulo Henrique Jorge, se no estabelecimento onde ele trabalha os preços da gasolina e do álcool fossem iguais ao de Araguari, por exemplo, ele fecharia as contas do mês no vermelho. Além da margem de lucro baixa, ele contou que, com o aumento no valor dos produtos, há uma semana, o movimento no local diminuiu em cerca de 30%. “Se as pessoas acham que esse aumento é bom para o posto, se enganam, porque os clientes acabam arrumando outras alternativas. Pegam ônibus, andam de moto. Para a gente, é péssimo. Toda vez que o combustível aumenta, diminui muito nosso movimento”, disse Pedro Henrique

Em Uberaba, em um posto pertencente a uma rede com nove estabelecimentos distribuídos em outras cidades, é possível encontrar a gasolina a R$ 5,34 e o álcool a R$ 3,34. Mas em outro local, também em Uberaba, o Diário cotou os produtos a R$ 5,09 e R$ 3,09.

Já em Monte Alegre de Minas, os valores nesta mesma rede são de R$ 4,89 e R$ 2,85. “Em estados diferentes não dá para comparar porque o ICMS é outro, em Goiás, por exemplo, o imposto é bem mais barato do que Minas. Já no mesmo estado o que muda é o frete, a concorrência e o aperto do dono do posto. Se o colega põe um preço menor, você é obrigado a diminuir para não perder o cliente e os dois morrem abraçados. Vira uma guerra”, afirmou o dono da rede, que pediu para não ter o nome divulgado.

FRETE

Como em Uberlândia é um centro de distribuição de combustível e o frete é medido por quilometragem, a lógica seria que o valor do produto fosse menor na cidade. Mas, segundo o gerente Paulo Henrique Jorge, o preço do frete depende de vários fatores, como, por exemplo, da quantidade de combustível comprada. Ele disse ainda que nem sempre os estabelecimentos de Uberlândia fazem compra na cidade, porque acham um melhor preço em outro Estado, principalmente em relação ao etanol, o que acaba deixando o transporte da carga mais cara. “O frete influencia muito pouco. O que pesa mesmo é o valor do dólar e a política de preço da Petrobras. Hoje, estamos trabalhando com uma margem mínima de lucro”, disse.
 
MERCADO LOCAL
Concorrência coloca o preço igual, diz economista


O economista Fábio Terra disse que não há uma explicação objetiva para que o preço do combustível de Uberlândia esteja mais alto, por exemplo, do que o de Araguari, a pouco mais de 30 km, onde a gasolina foi encontra por R$ 0,30 de diferença. “Tem que olhar o custo da mão de obra, mas entre as duas cidades essa diferença deve ser desprezível, porque é muito próximo e as pessoas transitam muito fácil de um lugar para o outro”, disse.

Pelos relatos dos donos de postos feitos ao Diário de Uberlândia e repassados ao especialista, ele acredita que Uberlândia esteja com um preço mais realista, considerando o aumento do barril de petróleo e do câmbio. “Talvez, alguém lá em Araguari esteja com um estoque grande ou comprou por um preço menor. Em Araxá, por exemplo, temos dois grandes distribuidores de petróleo, o Zema e o Rio Branco, que cedem combustível para os postos da rede deles, inclusive em Uberlândia. Por isso, eles têm o poder competitivo muito forte e acabam definindo qual é preço praticado na cidade”, disse Fábio.

Em um dos Postos Zema, em Araxá, o preço da gasolina está a R$ 5,13, e do álcool, a R$ 3,22.  Já o atendente do Posto Rio Branco daquela cidade não quis passar o orçamento por telefone. Em um Posto Ipiranga também de Araxá, o valor da gasolina está a R$ 4,99 e o álcool a R$ 3,09. “A concorrência coloca o preço igual.  Quando o vizinho aumenta, você tem a chance de aumentar. Você pode manter ou aumentar um pouco menos, o que pode levar o vizinho a diminuir o preço dele também”, afirmou o economista.
 
GOVERNO FEDERAL
Petrobras anuncia redução de preço em refinarias

 
Depois de dez dias de estabilidade, a Petrobras reduzirá hoje o preço da gasolina em suas refinarias, para R$ 2,2381 por litro, 0,6% a menos do que o valor vigente. Nas bombas, a gasolina atingiu na semana passada o maior preço desde janeiro de 2008. A escalada em período eleitoral joga pressão sobre a política de preços dos combustíveis no país.

Desde o último dia 14, a Petrobras mantinha a gasolina em suas refinarias em R$ 2,2514 por litro, o maior valor desde que a empresa passou a adotar reajustes diários, devido ao impacto da desvalorização do real e do aumento das cotações internacionais. A estabilidade era resultado do mecanismo de proteção anunciado pela estatal no dia 6 de setembro, que permite à sua área comercial segurar os preços por 15 dias em caso de pressões externas, como desvalorização cambial abrupta ou catástrofes naturais. O preço das refinarias da Petrobras representa cerca de 35% do valor final de venda da gasolina nos postos, que atingiu na semana passada a média nacional de R$ 4,65 por litro, alta de 0,5% com relação à semana anterior.
 
VALORES MÍNIMOS ENCONTRADOS

                                                            Gasolina              Álcool
Araguari                                              R$ 4,99                 R$ 2,99
Monte Alegre de Minas                       R$ 4,89                 R$ 2,85
Tupaciguara                                       R$ 5,29                 R$ 3,19
Uberaba                                              R$ 5,09                 R$ 3,09
Nova Ponte                                        R$ 5,26                 R$ 3,23
Monte Carmelo                                   R$ 4,98                R$ 2,89
Ituiutaba                                             R$ 5,09                 R$ 3,04
Indianópolis                                        R$ 5,20                 R$ 3,20
Romaria                                              R$ 4,98                 R$3,12
Prata                                                    R$ 4,81                R$ 2,81
Araxá                                                   R$ 4,99                 R$ 3,09
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