23/08/2018 às 07h53min - Atualizada em 23/08/2018 às 07h53min

Ipês dão colorido à paisagem seca do Cerrado

NÚBIA MOTA | REPÓRTER
Ipê-rosa é o primeiro a florescer, entre oito e dez dias, sempre nos meses de maio e junho | Foto: Adriana Sousa
Todos os anos, do fim de maio até setembro, as flores dos ipês colorem a paisagem monocromática do Cerrado em meio à seca do inverno. As diversas espécies florescem em períodos diferentes da estação. O primeiro a dar o ar da graça é o ipê-rosa, um espetáculo rápido, assim como a florada dos ipês-brancos. Agora, pelas ruas de Uberlândia, o chão e o horizonte estão coloridos de amarelo e não é raro ver nas redes sociais as postagens de quem admira a natureza.

Em junho, a fotógrafa Isabela Lima correu para fotografar o ipê-rosa na praça Sérgio Pacheco, próximo à Casa do Papai Noel. Já neste mês, ela foi às margens do rio Uberabinha fotografar os ipês-amarelos. O interesse surgiu há cerca de 4 anos, como forma de unir os traços da arquitetura que conta a história da cidade e o colorido das árvores. “Os que eu mais fotografo são os ipês-rosa e o amarelo. Gosto muito desse período porque a cidade fica muito mais bonita”, afirmou. 

Lilian Araújo perdeu o pai, Ildeu Araújo, há menos de 3 meses e agora, com a florada dos ipês, mata a saudade dele e do tempo de criança em Araxá, quando viajava de carro com a família e apreciava a vegetação. “Ele nos ensinou a apreciar os ipês na beira da estrada. É uma árvore muito ativa, com uma diversidade tão grande de cores”, disse.

Estas árvores também relembram a infância de Marli Porto em Patos de Minas, quando a tia Glória cantava a música “O Ipê e o prisioneiro”, da dupla Liu e Léo, nas apresentações do grupo escolar. “Adoro ipês. Hoje, eles são para mim uma inspiração, pois são sinônimo de superação. Quando tudo está cinza, lá estão eles, exuberantes”, afirmou Marli.

Segundo o agrônomo Luiz Carlos de Carvalho, o ipê é a árvore símbolo do Brasil, onde há mais variedades, mas pode ser encontrado em quase todo continente americano, desde o México até na Argentina. De acordo com o especialista em arborização urbana e plantas nativas do Cerrado, há uma sequência na florada dos ipês. Primeiro vem os cor-de-rosa, no fim de maio e início de junho, depois vem os brancos e depois os amarelos, que dão várias floradas.

“O rosa é efêmero, dura oito, dez dias, no máximo. Já o amarelo pode ficar até uns 20 dias. O branco é lindo, mas também é muito rápido. Agora tem os amarelos. Eu vi na avenida Segismundo Pereira, no Parque do Sabiá. No meio da paisagem cinza do Cerrado, do nosso inverno, eles se destacam”, afirmou o agrônomo.
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