16/08/2018 às 09h26min - Atualizada em 16/08/2018 às 09h26min

Fazenda Capim Branco será transferida para UFU

Medida faz parte da contrapartida à doação à Cohab da área ocupada no Glória

NÚBIA MOTA | REPÓRTER
Reitor disse que ainda pleiteia, junto à Prefeitura, a posse da fazenda Água Limpa | Foto: Núbia Mota
O reitor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Valder Steffen Júnior, vai assinar o contrato de escritura de parte da fazenda Capim Branco nesta quinta-feira (16), na Secretaria de Patrimônio da União (SPU), em Belo Horizonte. A propriedade de 59 hectares, na BR-365, saída para Ituiutaba, avaliada em R$ 44 milhões, pertence ao Governo Federal e agora passa a fazer parte do patrimônio da universidade, em uma contrapartida à doação da área ocupada no Glória, hoje denominada bairro Élisson Prieto, nome provisório do local que ainda precisa ser oficializado pelo Município.
 
A área da Capim Branco já é utilizada pela UFU, por meio de comodato (empréstimo) com tempo determinado, para projetos de estudo e pesquisa. Hoje, a propriedade tem três donos. Uma parte já é da UFU, outra parte que será transferida à universidade é de propriedade da SPU e a terceira pertence à Fundação de Assistência, Estudo e Pesquisa de Uberlândia (Faepu). Como a área do Glória, ocupada em 2012 pelo Movimento Sem-Teto, é um pouco maior e chega a 65 hectares, a UFU pleiteia, junto a Prefeitura Municipal, a posse da fazenda Água Limpa, na saída para o município de Campo Florido, onde a universidade também faz atividades de pesquisa.
Segundo o reitor Valder Steffen, ainda não há previsão de negociação com o Município, mas para ele a maior preocupação já foi sanada. “O que nos preocupava não é o valor pecuniário e sim as vidas humanas que moram no Glória e não têm preço. A desocupação daquela área por meio de reintegração de posse nunca foi o que queríamos. Felizmente, conseguimos, pelos dispositivos legais, a regularização da área pela Cohab”, afirmou Valder Steffen.
No dia 5 de julho, também na capital mineira, o reitor já havia assinado a escritura de transferência do Glória para o Estado de Minas Gerais. Com o processo de eletrificação iniciado, a regularização da área agora fica sob a responsabilidade da Companhia de Habitação do Estado de Minas Gerais  (Cohab-MG),  com a fiscalização do Fórum de Acompanhamento da Reurb do Glória (FARG).
 
Glória
 

Em dezembro de 2017, representantes do Ministério Público Federal, do Governo do Estado de Minas Gerais, da Cohab, da Associação de Moradores do Bairro Élisson Prieto e da Defensoria Pública da União assinaram um termo de compromisso sobre o processo de regularização fundiária do Glória.  No mês passado, o Diário de Uberlândia esteve no local, onde a Cohab já trabalhava na entrega da posse de pelo menos 500 das 2.200 famílias que lá residem e onde a Cemig e o Departamento de Edificações e Estradas de Rodagem (DEER) também passaram a atuar. Entre o fim de 2017 e o início de 2018, a Cohab também trabalhou com o cadastramento de famílias e o georreferenciamento para organização do setor. O Glória ainda não tem rede de esgoto - a água corrente e o fornecimento de energia elétrica, seja nas ruas ou para as casas, só existem por meio de ligações clandestinas.
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