03/07/2018 às 14h58min - Atualizada em 03/07/2018 às 14h58min

Africano assassinado deve ser sepultado em Uberlândia

Traslado para a República do Congo gira em torno de R$ 30 mil e família não tem como pagar

NÚBIA MOTA | REPÓRTER
Reprodução Facebook
O corpo do africano Jacques Onza Wilinoe, de 30 anos, assassinado na última sexta-feira (29), em um bar no bairro Santa Mônica, deverá ser sepultado em Uberlândia. A reportagem do Diário de Uberlândia procurou a Embaixada da República do Congo no Brasil, em Brasília, e a esposa da vítima, que informaram que a mãe de Jacques deverá vir para a cidade para acompanhar o velório e enterro, sem data ainda marcada.

Jacques Onza era estudante de engenharia mecatrônica da UFU, por meio de um intercâmbio iniciado há 6 anos, mas no mesmo semestre ele abandonou o curso e, desde então, continuou morando em Uberlândia, onde trabalhava em uma empresa de montagem industrial, como mecânico. O africano era formado em engenharia mecânica na África, veio para o Brasil em 2011, onde cursou Línguas na Universidade de Brasília (UnB) para aprender português, já que no país de origem dele o idioma predominante é o francês.

A companheira do engenheiro, a enfermeira Fabiana Araújo Almeida, que estava com o marido na hora do crime, falou que o traslado do corpo de Jacques deve ficar em torno de R$ 30 mil e pelo alto custo, provavelmente, a mãe dele virá para o Brasil, onde o filho será enterrado. “Não consigo falar com ela, porque ela fala só francês, mas provavelmente ela virá para Uberlândia, porque mandar o corpo é muito caro”, disse Fabiana.

Fabiana disse ainda que não sabe sobre a motivação do assassinato, já que o marido não tinha problema com drogas, nem com dívidas e não tinha nenhum desafeto. “Ele era a pessoa mais calma desse mundo”, afirmou. Ainda segundo a mulher da vítima, no momento do crime, ela estava sentada com o marido em uma mesa, quando um rapaz entrou com capuz, atirou três vezes e saiu. “Ele entrou mudo e saiu calado. Não disse absolutamente nada e não tenho o que pensar. Não sei porque ele fez isso”, afirmou. Como ela é enfermeira, chegou a dar os primeiros socorros ao marido, enquanto chegava socorro. “Ele tinha pulso. No fundo eu sabia que ele não ia sobreviver, mas tinha esperança”, afirmou.

Jacques foi morto com dois tiros na cabeça, enquanto jogava sinuca com amigos, em um bar, na avenida Ortízio Borges. O terceiro disparou acertou a mesa de bilhar. A vítima chegou a ser socorrida com vida e morreu no Hospital de Clínicas. Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Civil, o inquérito para investigar o assassinato foi instaurado, mas o delegado de homicídios, Rafael Herrera, não comentará sobre o caso para não atrapalhar as investigações.

O africano era colega de trabalho e amigo do ciclista William Martins de Lima, de 31 anos, atropelado e morto, há menos de um mês, enquanto ia para o trabalho, no Distrito Industrial de Uberlândia.  Jacques deixou uma filha de 10 anos no Congo.
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