27/04/2018 às 08h10min - Atualizada em 27/04/2018 às 08h10min

Causa dos ataques aos ônibus de Uberlândia fica mais evidente

Comandante da PM vê ligação entre incidentes prisionais e ações criminosas; nove pessoas foram detidas

VINÍCIUS LEMOS | REPÓRTER
Polícia Militar deteve 8 suspeitos de ataques realizados na noite de quarta-feira em dois pontos de Uberlândia | Foto: Jorge Alexandre Araújo
 
Autoridades policiais já consideram real a ligação entre os ataques a ônibus ocorridos nos últimos dias em Uberlândia e duas ocorrências registradas nas unidades prisionais da cidade. A Secretaria de Administração Prisional (Seap), por sua vez, diz aguardar a conclusão dos inquéritos.

Um menor, suspeito de participar dos ataques, foi apreendido na tarde de ontem, no Assentamento Maná. De acordo com a Polícia Militar (PM), existem alguns indícios que podem incriminá-lo, como queimaduras em uma das mãos. Além dele, mais oito pessoas foram detidas a partir de quarta-feira (25)

Ontem pela manhã, a direção do presídio Jacy de Assis participou, pela primeira vez, das reuniões que discutem ações para coibir os ataques contra os ônibus do transporte público de Uberlândia. Estiveram na sede da 9ª Região de Segurança Pública representantes das polícias Militar e Civil, além da Prefeitura de Uberlândia e do sindicato das empresas que prestam o serviço de transporte.

O comandante da 9ª Região da Polícia Militar, coronel Cláudio Vitor, afirmou que as ordens de ataques teriam saído de dentro do presídio por conta de uma ação no dia 19, quando a direção determinou que as visitas fossem para o pátio para evitar comportamento inadequado nos corredores, onde vinha acontecendo até mesmo prostituição.

“Foi o cumprimento do regulamento e em razão disso houve revolta, tentaram ‘virar a cadeia’. Houve a identificação de lideranças, que assim foram transferidas para o presídio de Francisco Sá, no Norte de Minas”, disse o comandante da PM local. Foram quatro transferências de detentos, que se mantêm em regime disciplinar diferenciado.

O coronel ainda explicou que no dia 20, na Penitenciária Pimenta da Veiga, um detento tentou agredir um agente e foi necessário o uso de arma com bala de borracha, o que levou o preso a ser internado no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).

A Secretaria de Administração Prisional, por sua vez, disse que ainda não é possível relacionar os ataques com os fatos ocorridos no sistema prisional. A pasta informou aguardar a conclusão das investigações que estão sendo realizadas pela Polícia Civil.

Por meio de nota, a Seap ainda disse que não houve nenhuma situação de motim no Presídio Professor Jacy de Assis. “Na sexta-feira (22), houve uma revista de rotina na unidade. Realocações internas de presos fazem parte da rotina de gestão prisional e não configuram situações de anormalidade. Por fim, informamos que na Jacy de Assis, as visitas de parentes cadastrados são quinzenais e regulamentadas pelo Regulamento e Normas do Sistema Prisional de Minas Gerais (Renp)”.

Ainda na manhã de ontem, foi feita avaliação do trabalho contra os ataques ao transporte público. Hoje, uma nova reunião está marcada para as 11h na 9ª Risp.

A detenção de nove pessoas entre a noite de quarta (25) e madrugada de ontem poderá ajudar no esclarecimento de quem ordenou os ataques. Os detidos, sendo três menores de 16 anos, três jovens de 18 anos e dois de 19, foram ouvidos pela Polícia Civil, mas as informações relativas às oitivas não foram divulgadas.
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