26/04/2018 às 09h00min - Atualizada em 26/04/2018 às 09h00min

Quarta-feira termina com mais dois ônibus queimados em Uberlândia

Clima de terror se instaura na cidade; oito suspeitos foram presos, dos quais, três são menores

JORGE ALEXANDRE ARAÚJO | EDITOR
Em 10 ataques, cinco ônibus ficaram totalmente destruídos; na foto, bombeiros apartam chamas em veículo atacado no bairro Osvaldo Rezende | Foto: Jorge Alexandre Araújo

 
Faltava pouco para acabar a quarta-feira. O que parecia ser um dia de tranquilidade, apesar da tensão que envolveu reuniões do poder constituído para dar uma resposta à sociedade, terminou em uma noite de novos ataques ao sistema de transporte coletivo e à comunidade uberlandense.

Mesmo quem não paga os R$ 4 para avançar pelas catracas dos ônibus para ir e vir, se viu impotente, de novo, diante de uma realidade de violência acesa e repetida que colocou a rotina do município em xeque. A história dos últimos seis dias se repetiu e outros dois ataques a ônibus urbanos foram registrados. Um no bairro Osvaldo Rezende, região central, e outro no Ipanema, zona leste da cidade.

Desta vez, oito pessoas foram presas. Mais cedo, um ataque foi frustrado no bairro Canaã, depois que um homem tentou parar um coletivo jogando uma barra de ferro contra a lateral do veículo. O motorista acelerou e conseguiu deixar o local. Ao todo são 10 ataques, sendo que cinco ônibus foram completamente destruídos nessas ações.

Na terça-feira (24) houve o anúncio da criação de uma força-tarefa, envolvendo as polícias Militar e Civil, além de representantes das empresas de transporte urbano e da Prefeitura de Uberlândia, para tentar conter a onda de vandalismo na cidade. Depois disso, aconteceu a sétima ocorrência de ataques em menos de dez dias envolvendo ônibus, empresas, uma estação do transporte urbano e até uma clínica de saúde.

O fogo deixou novamente usuários do transporte coletivo, funcionários das empresas, e toda a cidade, assustadas com os bandidos. Na Rondon Pacheco, no deslocamento para a cobertura da ocorrência, o cheiro de queimado já era perceptível mesmo a quilômetros de distância do local onde ocorreu o crime. Dois ônibus passaram escoltados pela polícia já na avenida Marcos de Freitas Costa. À frente, barricadas da PM interrompiam o trânsito.

RELATOS

Diante do rescaldo feito pelo corpo de bombeiros, o senhor Régis Antônio estava na porta de casa cobrindo o rosto com uma máscara para amenizar os efeitos da fumaça, que ao fim do fogo ainda deixava a rua branca. Ele aponta para frente, onde fica um posto de combustível gesticulando enquanto relatava o que viu e escutou. "Eu imagino que compraram a gasolina aí em frente. Eu não tenho ideia do que está acontecendo. Está na cidade inteira. É um inferno. O fogo esquentou minhas paredes, os meus vidros", relatou.

O motorista que conduzia o ônibus atacado, Pedro José Moreira, tentava explicar os momentos de terror que passou. "Bateram e pediram pra eu abrir. Quando levantei a cabeça tinha um cara com um galão. Nessa altura já tinha 'abrido' a porta. Tinha outros três na frente dizendo 'desce, desce, desce'. Não acreditava que passaria por isso. Tinha mais duas voltas. Pensava: comigo não, não vou a bairros afastados".

Ele disse ter sido orientado pela empresa se tivesse algo estranho no caminho. "O chefe falou que podia mudar a rota. Mas só tinha um moço no ponto. O cara estava limpinho, bem vestido. Você sempre fica com o pé atrás. Eu estranhei". Depois do atentado ele, que tem 30 anos de profissão, disse: "Eu tenho medo".

PRISÕES

Enquanto as chamas do veículo eram resfriadas, a PM já convocava para a apresentação de suspeitos dos crimes. No 17º batalhão da PM, foram apresentadas as oito pessoas detidas, todas encontradas com galões de gasolina. São jovens do sexo masculino, com idades entre 16 e 19 anos, sendo cinco maiores e três adolescentes.

O comandante da 9ª Região de polícia, coronel Cláudio Vitor, disse que a apuração até aqui mostra organização de uma pessoa ou grupo, sendo que a ligação com fatos ocorridos nas unidades prisionais de Uberlândia se mostra mais próxima. "Nos parece que ações aleatórias são incentivadas por um líder, um criminoso de um bairro. E há pessoas que têm a predisposição de cometer o crime. Muitos deles são aventureiros. (Houve) rigor maior na questão das visitas. Há um caso de um preso baleado dentro do sistema prisional. Não estou afirmando que é o principal fator. Por isso estamos envolvendo todas as autoridades", disse o comandante.

O coronel Cláudio Vitor acrescentou que as polícias estão em contato com o sistema carcerário para ver se há a necessidade de transferência de presos de Uberlândia. "O Estado vai bater forte. Vamos restaurar a tranquilidade", afirmou o comandante da PM local.

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