27/03/2018 às 10h18min - Atualizada em 27/03/2018 às 21h09min

Cinco policiais civis estão foragidos após 5ª fase da Operação Fênix

Dois investigadores e quatro empresários foram detidos nas diligências de hoje

NÚBIA MOTA E VINÍCIUS LEMOS* | REPÓRTERES
Hugo Leonardo Marques de Jesus é um dos policiais que estão foragidos deste a madrugada de terça-feira | Foto: Diário de Uberlândia/Arquivo

Dois delegados e outros três policiais civis estão foragidos depois da deflagração da 5ª fase da Operação Fênix, na manhã desta terça-feira (27), pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Os crimes apurados nesta nova ação envolvem ainda empresários de ferro velho e de garagens de venda de veículos. Ao todo, dois investigadores da PC e quatro empresários foram detidos nas diligências de hoje, que foram feitas em uma série de locais das cidades de Uberlândia e Araxá. Como muitos policiais não foram encontrados, o Ministério Público Estadual (MPE) agora apura se houve vazamento de informações.

Ao todo, 28 mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão foram cumpridos na manhã de terça. Entre os crimes investigados estão o de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e corrupção ativa e corrupção passiva. A base da nova fase da Fênix foi feita por meio de delações e análise de documentos, segundo a promotoria à frente do Gaeco. Os mandos expedidos contra policiais foram cumpridos pela Corregedoria da PC nos dois Municípios, enquanto os empresários de Uberlândia foram presos nos bairros Alto Umuarama e Osvaldo Rezende. Três dos investigados já estavam presos em fases anteriores da operação Fênix.

Os delegados Hugo Leonardo Marques de Jesus, de Uberlândia, e Sandro Montanha de Souza Negrão, de Araxá, além do escrivão, Leandro Marques de Mello (Uberlândia), e os investigadores Alisson Reis Santana e Dioges Martins Ramos (ambos de Araxá) não continuam foragidos. Existe a informação de que Sandro Montanha vai se apresentar em Belo Horizonte nos próximos dias, uma vez que estava em viagem com a família.

As investigações serão encerradas no prazo de dez dias e as denúncias serão oferecidas em até cinco dias, após o encerramento das investigações.

OS CRIMES

De acordo com o Gaeco, cada um dos grupos de delegados, escrivães e investigadores receberam propinas nos valores de R$ 50 mil como acertos “a fim de que omitissem a prática de atos de ofícios ou os praticassem com infringência de dever funcional”. Em Uberlândia, os policiais ainda são acusados montarem supostos esquemas ilegais de na compra e venda de veículos com empresários presos, de lavagem de dinheiro na negociação de um veículo entregue aos policiais civis também como propina, além de falsidade ideológica e prevaricação, ao omitir os reais proprietários de drogas na mesma ocorrência que envolveu o pagamento dos R$ 50 mil.

Em Araxá, o grupo de policiais, além do valor já citado que também teria sido entregue como propina, pesa contra eles suposto crime de obstrução de Justiça, devido à omissão de “interceptações telefônicas realizadas naquela cidade, e que comprovariam o crime de organização criminosa e associação para o tráfico de entorpecentes”, de acordo com a promotoria.

VAZAMENTO

De acordo com a nota emitida, a ação dessa nova fase da Operação pode ter sido prejudicada por vazamento de informações no cumprimento de mandados de prisão, principalmente contra policiais. “O Ministério Público encetará diligências no sentido de apurar eventual vazamento de informações em todas as esferas que tomaram conhecimento das investigações e deflagração da operação”, explicou o texto.

OPERAÇÃO FÊNIX

A Operação Fênix foi deflagrada a primeira vez em dezembro de 2017 e, desde então, mais de 120 pessoas foram detidas.

1ª fase – 19 de dezembro de 2017 - Foram cumpridos, pelo menos, 200 mandados em Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso. Alguns delegados da PC de Uberlândia, Araguari, Patos de Minas e Pouso Alegre foram presos e dispensados de suas funções.

2ª fase - 19 de fevereiro de 2018 – Foram cumpridos mandados de prisão preventiva contra dois advogados de Uberlândia.

3ª fase - 1ª de março de 2018 - Três investigados, que tinham sido liberados, voltaram a ser presos. Entre eles estava o delegado Samuel Barreto, ex-chefe do Departamento de Polícia Civil de Uberlândia.

4ª fase – 2 de março de 2018 - Um advogado foi preso suspeito de corrupção e obstrução de Justiça.
 
(*) Atualizada para acréscimo de informações.

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