06/12/2017 às 17h19min - Atualizada em 06/12/2017 às 17h19min

PF conduz reitor e vice da UFMG para depor sobre desvio de recursos

MARCELO TOLEDO | FOLHAPRESS
Reitor Jaime Arturo Ramirez foi alvo de operação que investiga irregularidades em obras / Foto: UFMG/Divulgação

 

A Polícia Federal (PF) deflagrou hoje a operação Esperança Equilibrista, que investiga o suposto desvio de recursos públicos na construção de uma obra executada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Reitor e vice da instituição foram levados coercitivamente para prestar depoimento.

De acordo com a PF, o alvo foi a construção e implantação do Memorial da Anistia Política do Brasil, obra financiada pelo Ministério da Justiça e executada pela universidade. Além do reitor, Jaime Arturo Ramirez, e a vice-reitora, Sandra Regina Goulart Almeida, também foi alvo de condução coercitiva o presidente da Fundação de Desenvolvimento e Pesquisa (Fundep), Alfredo Gontijo de Oliveira.

Foram gastos, de acordo com a polícia, mais de R$ 19 milhões e, do total repassado à UFMG, cerca de R$ 4 milhões teriam sido desviados por meio de fraudes em pagamentos feitos pela Fundep. A fundação foi contratada para pesquisas de conteúdo e produção de material para a exposição.

Idealizado há nove anos, o projeto do memorial tem como objetivo preservar e difundir a memória política dos períodos de repressão, a partir da reforma do chamado Coleginho, onde seria instalada exposição com obras e materiais históricos. O local teria ainda dois prédios anexos e uma praça de convivência.

Só que, até agora, segundo a PF, apenas os anexos estão "aparentes", ainda inacabados. Ainda conforme a PF, os desvios teriam ocorrido por meio de pagamentos a fornecedores sem elo com o projeto e de bolsas de estágio e extensão.

A operação, desencadeada com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), recebeu o nome de Esperança Equilibrista em alusão à música "O Bêbado e a Equilibrista", de João Bosco e Aldir Blanc.

Participaram da ação 84 policiais federais, 15 auditores da CGU e dois do TCU. Foram cumpridos oito mandados judiciais de condução coercitiva e 11 de busca e apreensão.

A UFMG informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que os autos das diligências foram liberados e que estão sendo analisados, para que a universidade se posicione sobre o assunto.


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