15/11/2017 às 15h37min - Atualizada em 15/11/2017 às 15h37min

Leilão de fábrica de amônia em Uberaba é adiado por 60 dias

DA REDAÇÃO

Foi adiado por 60 dias o leilão de equipamentos da Petrobras que seriam utilizados na implantação de uma fábrica de amônia em Uberaba. A medida foi anunciada pela gerente-geral de Projetos Especiais de Aquisições e Desinvestimentos da Petrobras, Márcia Springer, durante reunião conjunta das Comissões de Minas e Energia e de Agropecuária e Agroindústria da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), realizada na terça-feira (14).

Inicialmente, o leilão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 5 (UFN–V) aconteceria nos próximos dias 21, 22 e 23 de novembro. Agora, será montado um grupo de trabalho, com a participação de representantes do Governo de Minas e da Petrobras, para a avaliação de novas possibilidades para retomada da obra, especialmente a identificação de um potencial investidor para parceria no modelo de sociedade de propósito específico (SPE).

“Estamos com uma expectativa grande de conseguir um final feliz para essa história. O maior gasto feito nessa fábrica foi nosso e nada nos deixaria mais felizes do que encontrar um investidor interessado”, frisou a gerente-geral.

Ainda segundo Márcia, desde o início do projeto, em fevereiro de 2014, uma série de empecilhos dificultaram que o projeto da fábrica saísse do papel. “Primeiro tivemos a postergação da Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) para a construção do gasoduto, que iria de Queluzito (Central) a Uberaba. Depois tivemos a revisão da curva de oferta de gás natural e a consequente suspensão por 120 dias do consórcio. Somados a isso, a Petrobras passou por momentos complicados. Mesmo assim, repensamos o modelo de negócio, mas nenhuma empresa demonstrou interesse em investir”, explicou.

Por fim, a gerente-geral lembrou que a partir de 2015 a Petrobras perdeu grau de investimento e ainda é uma das companhias mais endividadas do mundo. “Naquele ano, geramos R$ 21 bilhões, enquanto tínhamos uma dívida de R$ 132 bilhões. Atualmente pagamos R$ 7 bilhões de dólares em juros em função de nosso endividamento. E os bens da Usina vão sendo depreciados, o custo de manutenção é grande. Não podemos deixar uma planta parada sucateando. O maior interesse nosso é ter um modelo que atenda a todos”, completou.

 

GASODUTO

O diretor comercial da Gasmig, Danilo de Siqueira Campos, garantiu que a companhia não medirá esforços para a construção do gasoduto e o fornecimento do gás para a fábrica de amônia. “Já está viabilizada a linha tronco do gasoduto de Queluzito. Não temos problemas nenhum na parte administrativa, nem de engenharia. Não nos furtaríamos num projeto dessa envergadura”, garantiu. O diretor declarou também que a Iara Fertilizantes teria procurado a Gasmig, interessada em investir na UFN–V.

O prefeito de Uberaba, Paulo Piau Nogueira, falou da importância da unidade para o Triângulo Mineiro e para o agronegócio brasileiro. “Estamos alicerçados no agronegócio e consumimos 80% de fertilizantes estrangeiros. Isso é um absurdo! Essa planta é viável sim e colocá-la em funcionamento só depende de nós”, afirmou.

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Uberaba, Romeu Borges de Araújo Júnior, sugeriu ao prefeito que a Mosaic Fertilizantes, empresa sediada na cidade, possa ser a investidora, contando com incentivos fiscais estaduais. “Se nacionalmente não tivermos apoio, que ele venha de uma empresa da própria região”, ponderou.

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