13/09/2017 às 14h29min - Atualizada em 13/09/2017 às 14h29min

Prejuízo com furtos de cargas chega a R$ 218 mi

Minas Gerais é o terceiro estado em número de ocorrências no Brasil

DA REDAÇÃO
Representantes do setor de cargas cobraram providências ontem na ALMG / Foto: Guilherme Bergamini/ALMG

 

Minas Gerais é o terceiro em casos de furto e roubo de cargas no País, com 10% das incidências desses crimes em todo o Brasil, atrás apenas de São Paulo e Rio de Janeiro. Em 2016, as ocorrências provocaram prejuízo de R$ 218 milhões no estado. Os dados foram apresentados ontem pelo diretor técnico da Federação das Empresas de Transporte de Cargas (Fetcemg), Luciano Medrado, durante audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte.

De acordo com registros da Polícia Civil, em números absolutos, ano passado foram registrados 1.521 furtos e roubos e, neste ano, até julho, foram 852.

Medrado salientou que o problema é grave e não vem recebendo a devida atenção. A Polícia Militar, segundo ele, passou a tratar de roubo de cargas em 2016, por meio do Programa Carga Segura. "Medicamento é o terceiro item mais roubado", completou.

Ele explicou ainda que a federação tem um departamento especializado em segurança patrimonial, com o objetivo de promover a integração entre as forças de segurança, além de gerar um banco de dados de ocorrências. “As polícias têm dificuldade em efetuar o registro real”, disse.

 

LEGISLAÇÃO BRANDA

Medrado alertou que a Polícia Civil não consegue manter os ladrões de cargas presos, já que o crime é considerado brando. Ele relatou, por exemplo, que uma mesma pessoa foi presa seis vezes somente no ano passado. “É preciso dar prioridade ao tema, além da integração das polícias e da sensibilização da sociedade”, pediu.

O assessor de Segurança da Fetcemg, Ivanildo Santos, disse que até 15% da receita das empresas é direcionado à segurança e que, por muito se falar no Rio de Janeiro como local de maior incidência, as quadrilhas estariam migrando para Minas Gerais e Espírito Santo.

A gestora de Risco Corporativo da Profarma Distribuidora de Produtos Farmacêuticos, Byanca Faria Lima, reforçou que o prejuízo é maior em Minas, apesar do número de casos ser maior no Rio. “Somente neste ano, são 12 casos. Apesar de todo o investimento em tecnologia, as quadrilhas parecem estar um passo à frente”, lamentou.

 

CONSEQUÊNCIAS

Roubos elevam custos com seguro das cargas

Durante a audiência de ontem na ALMG, o proprietário da 3G Log Transportes, Luiz Antônio Rosa, afirmou que a categoria está com medo e pode ser obrigada a paralisar o trabalho. De acordo com ele, nos últimos oito meses, a empresa foi assaltada 17 vezes e ninguém foi preso. O diretor executivo da mesma empresa, Edson Zanata, explicou que os custos estão ficando mais altos, já que as seguradoras dificultam a liberação das apólices de seguro.

A coordenadora administrativa da DNG Transportes, Bruna Vieira do Nascimento, relatou que os roubos geraram mais R$ 100 mil de prejuízo para a empresa desde janeiro deste ano, em 11 casos registrados. “As seguradoras exigem cada vez mais. Há investimento em tecnologia de segurança, mas não temos apoio do poder público”, afirmou.

O titular da 2ª Delegacia Especializada de Repressão às Organizações Criminosas, Gustavo de Almeida, reconheceu que o problema é grave e que os quadros da Polícia Civil estão defasados. Segundo ele, até 2015, a delegacia contava com dois delegados e 16 investigadores. Hoje, não há nenhum delegado titular e são apenas 11 investigadores. Ele também defendeu uma legislação mais rigorosa para esse tipo de crime.

 

PARLAMENTARES

"A Polícia Militar e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) mais uma vez estão ausentes no debate. Temos que tratar com eles a questão do roubo de cargas, assim como da subnotificação dos crimes, que estaria mascarando os números da violência no Estado", criticou deputado Sargento Rodrigues (PDT).

Os deputados Cabo Júlio (PMDB) e João Leite (PSDB) destacaram, também, que as transportadoras ainda encontram dificuldade com seguradoras e que o desafio é a falta de efetivo policial. Mais que isso, alertaram que o roubo de cargas gera queda no PIB e na arrecadação de impostos.

O deputado Felipe Attiê relatou que o segmento está em desespero, pois enfrenta quadrilhas especializadas. “Para piorar, as seguradoras estão resistentes em atender as empresas do setor, o que impacta diretamente o preço dos remédios para o consumidor”, disse.


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