25/08/2017 às 05h34min - Atualizada em 25/08/2017 às 05h34min

Ministro da Justiça colhe demandas em Uberlândia

Informações vão ajudar a direcionar o Plano Nacional de Segurança

WALACE TORRES | EDITOR
Torquato Jardim disse que leva de Uberlândia a experiência de uma cidade bem urbanizada / Foto: Valter de Paula/Secom/PMU

 

Em visita às duas maiores cidades do Triângulo Mineiro, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, disse que pretende ouvir das autoridades nos municípios as principais demandas locais antes de colocar em prática o Plano Nacional de Segurança Pública. “A vida pública começa no município. Não podemos pensar numa política de segurança pública, com o consequente Plano de Segurança Pública, sem ouvir o município, prefeito, vereador, deputados, as autoridades policiais. Por mais eficaz que seja um plano a ser executado, quem tem informação é sempre a cidade”, disse, citando o caso do Rio de Janeiro, onde as forças nacionais de segurança tiveram auxílio das autoridades locais para ocupar os espaços e realizar as ações de polícia.

Acompanhado do secretário nacional de segurança pública e de assessores do Ministério, o ministro visitou Uberaba na manhã de ontem e à tarde veio a Uberlândia. Em reunião a portas fechadas na Prefeitura de Uberlândia, a comitiva discutiu questões estratégicas para a região com os chefes das polícias Militar, Civil, Federal, Rodoviária Federal, Bombeiros, além de representantes do Ministério Público e Judiciário. 

Em entrevista coletiva, após o encontro, Torquato Jardim não deu detalhes da reunião, mas sinalizou que deverá ocorrer alguma ação na região envolvendo as forças policiais. “Ações efetivas virão mais tarde, assim que tiver informações suficientes”, disse. “Ações serão feitas, aguardem que vocês verão os acontecimentos que virão para cá. Por isso, a primeira parte da reunião foi a portas fechadas com as autoridades de segurança”, completou o prefeito Odelmo Leão.

Questionado sobre quando o Plano Nacional de Segurança Pública será efetivamente colocado em prática, o ministro disse que as ações já estão sendo implementadas. “O plano concebido em janeiro passado o foi em razão das tragédias que o país vivia naquele momento em prisões de Norte a Sul. Foi um plano de emergência. Precisamos agora de algo mais permanente, e um plano permanente  tem que ter premissas de políticas públicas, são elas que estou procurando saber, qual é ansiedade dos prefeitos, vereadores, da sociedade”, disse Torquato. “Comecei em Minas porque toda política séria no Brasil começa em Minas. Até porque eu morei em Minas”, completou.

O ministro falou ainda sobre a necessidade de investimento em tecnologia e integração entre as polícias. “Precisamos de mais drones, satélite, mais investigação computacional. É preciso que os sistemas de rádio das polícias falem uma linguagem só, hoje temos quatro ou cinco sistemas de rádio comunicação. Temos que ter um software que case essas informações e os bancos de dados”, citou. Sobre a questão orçamentária, o ministro disse que não haverá novos contingenciamentos na área da segurança pública, e que na medida em que houver melhora da atividade econômica os recursos serão liberados.

Em relação a Uberlândia, Torquato disse que leva daqui a experiência de uma cidade “bem urbanizada” e que tem conseguido evitar a favelização. “A favela é sempre ponto de crime. Então, a ação social breve é parte de uma política nacional de segurança pública. Evitar a favelização, eu levo essa experiencia de Uberlândia para Brasília”.

 

COBRANÇAS

Durante a reunião, o ministro da Justiça também foi cobrado das autoridades presentes sobre investimentos em pessoal, estrutura e políticas que priorizem a segurança pública. “A primeira reforma que precisa ser feita no Brasil é a reforma da segurança pública. Da forma como está hoje, com legislação fraca, leniente, que favorece a liberdade de vagabundo, não tem como fazer uma segurança pública efetiva. Não haverá democracia no país consolidada, com desenvolvimento econômico se não houver segurança pública”, disse o comandante da 9ª Região de Polícia Militar, coronel Cláudio Vitor Rodrigues. 

Já a chefe da PRF, inspetora Jane Santos, pediu o reforço  para a corporação na região, que ainda está sem 15 policiais rodoviários federais, presos na operação de combate à corrupção realizada em junho. “Num primeiro momento tivemos reforço para suprir a ausência, mas já cessou, hoje estamos com o efetivo baixo”, disse.


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