21/08/2017 às 05h28min - Atualizada em 21/08/2017 às 05h28min

Sindicomércio quer limitar mandato

Presidente Altamiro fala em alterar estatuto para limitar em dois mandatos o comando da entidade

WALACE TORRES | EDITOR
Osvaldo Ramiro Gomes está no fim do primeiro mandato e pretende tentar mais uma gestão à frente do sindicato

 

Com 74 anos completados agora em agosto, o Sindicato do Comércio de Uberlândia (Sindicomércio) é considerado o maior da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, com 13,5 mil afiliados. A entidade congrega outros sete sindicatos, como dos trabalhadores no transporte rodoviário, panificadores, farmacêuticos, entre outros. Cabe ao Sindicomércio realizar a convenção coletiva que irá definir horários de funcionamento em datas comemorativas e feriados, índices de reajustes, folgas, entre outros benefícios dos trabalhadores ligados ao comércio em geral. A falta de renovação, no entanto, é uma questão que incomoda o setor. Em mais de sete décadas de existência, apenas quatro presidentes assumiram o cargo, um deles com mais quase 25 anos no poder.

O atual presidente, Osvaldo Ramiro Gomes, que está finalizando o primeiro mandato este ano promete mudar o estatuto, mas a partir do próximo mandato. A ideia é limitar em dois mandatos a permanência no cargo. Questionado pelo Diário do Comércio sobre a relação com outras entidades que representam os comerciantes na cidade, como Aciub e CDL, Osvaldo evitou entrar em conflito e ressaltou que cada um atrai os empresários com seus produtos e serviços. Com o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical, o sindicato também já pensa em oferecer produtos aos filiados como forma de se manter financeiramente.

 

Diário - Na sua avaliação, o que muda pra melhor e o que torna mais difícil para o sindicato as novas regras trabalhistas?

Osvaldo Ramiro - A questão trabalhista no nosso país era muito deficitária. A reforma trabalhista vai oportunizar muitas conquistas, otimizar processos e permitir que o empresário tenha maior condições de fomentar seu negócio. Para o sindicato, num primeiro momento haverá uma dificuldade financeira porque foi retirada a contribuição sindical do qual a maioria dos sindicatos era refém dessa questão financeira. Mas ao longo prazo o sindicato vai fortalecer, tanto o laboral como o sindicato empresarial. É interessante que as pessoas entendam a importância que o sindicato vai exercer na economia da cidade, porque é essa relação que vai determinar a convenção coletiva de trabalho, onde vai estar prescrito todo o processo evolutivo do comércio de uma cidade.

 

Nesse primeiro momento como os sindicatos vão suprir os recursos que obtinham através da contribuição?

A nossa intenção será melhorar essa questão de produtos a serem comercializados dentro do sindicato. Até então, no nosso caso, não havia produtos. Nós vivíamos basicamente da contribuição sindical. Agora teremos que colocar alguns produtos, convênios a serem implantados, e a longo prazo possivelmente o governo deve soltar algum decreto para subsidiar o sindicato. É fundamental que nesse momento a gente tenha alguma gordura para conseguir se manter. Então devemos fazer uma projeção financeira de forma a não afetar o funcionamento do sindicato.

 

O comerciante em Uberlândia tem três entidades que o representa: a Aciub, a CDL e o Sindicato do Comércio. Ele entende qual o papel de cada um? E qual o papel do sindicato nesse contexto?

A gente vê isso de uma forma bastante diferente. O sindicato tem afiliados, quando se monta uma empresa ela automaticamente é afiliada a um sindicato patronal. No nosso caso, temos 13,5 mil afiliados. E nós temos a legitimidade de defender os interesses desses empresários. Já as associações atraem pelo produto que elas vendem, pelo serviço que elas prestam, não é necessariamente obrigatório que a empresa seja associada. Tem muitas empresas que não têm os serviços prestados pelas associações e sim somente os serviços prestados pelo sindicato, que é o representante legítimo dessas empresas.

 

Hoje há uma disputa por espaço do sindicato com a CDL e a Aciub?

Trabalhamos da seguinte forma: a CDL tem um serviço que presta com muita eficiência e reconhecido na cidade pela classe empresarial, mas ela presta serviço para indústria, comércio, serviço. No nosso caso, temos um produto específico que ninguém tem, é só nosso, que é a convenção coletiva, e ela é de fundamental importância no funcionamento das empresas, porque é ela que determina a hora que irá fechar, o dia, o feriado, índice de reajuste salarial. São diversas atribuições colocadas na convenção coletiva e que é produto único e exclusivo do sindicato, as associações não tem participação nessas convenções coletivas de trabalho.

 

Algumas informações, como funcionamento do comércio em feriados e datas comemorativas, são divulgadas por mais de uma entidade. Há alguma divergência nessa divulgação?

A legitimidade é do sindicato, mas nada impede que as associações divulguem os horários, desde que divulguem de acordo com o que foi estabelecido na convenção coletiva, porque uma vírgula, uma situação mal colocada pode dar uma interpretação errada da qual vai ser punido tanto a empresa quanto o empregado. Então, na hora de fazer essa divulgação é importante que esteja de acordo com a convenção coletiva. E para isso, nós falamos com as associações que essas informações devem ser colocada para nossa apreciação antes de serem divulgadas. 

 

Os supermercados geralmente abrem nos feriados. Como está esse entendimento em Uberlândia entre patrões e empregados, porque os trabalhadores certamente preferem folga e os empresários querem abrir nesses dias.

Essa questão do supermercado e do funcionamento nos feriados e fins de semana é tratada com muita eficiência na convenção coletiva. O lado laboral faz a suas reivindicações e nós estudamos a possiblidade de atendê-las. Atualmente ela é muito bem elaborada, onde se gratifica muito bem o trabalhador que se disponibiliza a trabalhar no sábado, fora do horário, tudo isso é convencionado e, logicamente, tem benefícios para a categoria. Ele tem hora extra, cesta básica, folga a mais, e outras conquistas feitas ao longo do tempo. Para a empresa funcionar num sábado ou domingo é importante porque agrega no faturamento. Então, se ela vai ganhar mais, nada mais justo que ter o compromisso de gratificar o seu funcionário, que é tão importante para que ela funcione naquele dia.

 

No Centro, especificamente, a gente percebe grandes lojas funcionando aos domingos e feriados, até fazendo promoções. Isso também passa pela convenção ou tem havido desrespeitos em Uberlândia?

O pessoal respeita muito a convenção coletiva, onde é acordado os dias que são facultativos e também os dias que não pode abrir. Esses dias são respeitados. Não temos ocorrência de que alguma empresa desrespeitou a convenção coletiva. Pelo contrário, elas seguem e fazem necessária a sua presença quando a gente vai constituir a comissão para tratar da convenção coletiva. Todas têm ciência do que pode ser feito, o que tem que ser pago e o dia que não pode trabalhar. 

 

Estamos num ano em que há muitos feriados prolongados. Quem perde mais, o empresário ou o trabalhador?

Para o empresário é uma questão de perda, porque menos dias trabalhado, menos faturamento. Para o empregado a questão é mais lucrativa, porque ele vai trabalhar e ganhar hora extra, folga, cesta básica e tudo o que foi convencionado. Essa questão de feriado, um ano é bom para a empresa e ruim para o empregado; no outro ano muda. Neste ano especificamente tem muitos feriados prolongados, a tendência é que exista mais enforcamentos, falta de funcionário, o que deixa a empresa em dificuldade. Mas também não podemos deixar de salientar que na convenção coletiva, o empregado que comparece ganha hora extra, folga, cesta básica, então é interessante se ele tem interesse em aumentar sua receita.

 

O Sindicomércio está completando 74 anos e nesse período teve apenas quatro presidentes. Essa falta de alternância no controle não vai de encontro a um processo democrático? Há alguma intenção de mudar isso?

Essa questão é muito importante. Inclusive a filosofia dessa nova diretoria que está completando o primeiro mandato que vai terminar em 2018 é fazer uma mudança estatutária no próximo mandato, onde devemos estipular o tempo de mandato para cada presidência. Que seja respeitado o máximo de dois mandatos consecutivos ou alternados. A minha filosofia pessoal é que deva existir essas substituições de presidente, diretores, uma inovação, uma democratização, uma oxigenação desse pessoal que venha contribuir para cada vez mais melhorar e fomentar o comércio de nossa cidade. A renovação se faz necessário em todos os processos do nosso país, seja político, econômico e não deixa de ser também no sindicato. Precisamos de pessoas com pensamento novo, com gás novo, com vontade de trabalhar, com inovações. Uberlândia é uma cidade referência justamente pelo seu empreendedorismo, por pessoas capazes e com visão diferente das outras cidades. Então é importante que a gente dê continuidade nesse processo que acontece dentro da própria cidade. Até faço um apelo para que o empresário venha conhecer o sindicato, o nosso trabalho e se tiver interesse, que venha participar conosco. A eleição deve acontecer no fim dezembro ou início de janeiro. Precisamos de mais pessoas, de pessoas que contribuam com esse trabalho, sempre inovando e contribuindo para o fortalecimento do comércio de nossa cidade.

 

E como atrair mais o empresário se ele tem uma ligação com outras entidades representativas, se ele já está associado a outras instituições?

Essa questão é muito pontual. Como disse antes, o principal produto do sindicato é a convenção coletiva. O nosso produto é diferenciado, e aí é preciso a valorização do empresariado. Quando ele souber a importância que tem a convenção coletiva, onde determina horário de funcionamento, feriados, índice salarial, ele logicamente vai querer participar e contribuir, porque ele é que será prejudicado caso não ocorra um acordo coletivo que venha a defender o seu interesse. Já com as associações, ele só irá se filiar através dos serviços que ele tem interesse. A CDL, por exemplo, tem o SPC, consulta de chefes e cobrança, a Aciub tem vários serviços prestados e grande valor político, mas nenhum deles tem a oportunidade de fazer a convenção coletiva que nós fazemos. São serviços distintos. Cada um tem um produto, isso vai do empresário identificar qual seria a melhor solução para ele.

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