21/08/2017 às 05h21min - Atualizada em 21/08/2017 às 05h21min

Arquivo Público ganha espaço em novo prédio

Memórias da cidade estão guardadas em espaço de 1,3 mil metros quadrados

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Carla de Oliveira Rezende Abreu, coordenadora do Arquivo Público Municipal / Foto: Adreana Oliveira

 

Documentos públicos, jornais e fotos que contam boa parte da história de Uberlândia ficam sob os cuidados do Arquivo Público Municipal. Neste espaço, os profissionais trabalham com restauração, organização e digitalização de arquivos para que qualquer cidadão tenha acesso a informações sobre a cidade ou determinado período de sua história. 

E Uberlândia, que comemora 129 anos no dia 31 de agosto, já tem muita história para contar. Tanta que a antiga sede do Arquivo Público Municipal ficou pequena e desde o início da semana que passou está em novo endereço. O prédio no bairro Custódio Pereira tem cerca de 1,3 mil metros quadrados, mais que o dobro do prédio anterior, localizado no bairro Brasil, que contava com 600 metros quadrados.

Aos poucos a equipe que conta com oito pessoas faz os ajustes finais da mudança. Em breve uma estante com um deslizador será colocado no prédio para otimizar ainda mais o espaço. “Outro trabalho também em andamento é o auditório, onde recebemos alunos de escolas interessados em conhecer um pouco mais da história da cidade”, explica Carla de Oliveira Rezende Abreu, coordenadora do Arquivo Público Municipal, onde já trabalha há 16 anos.

É importante lembrar que além do seu espaço físico aberto para a população, profissionais do Arquivo Público visitam escolas e outros espaços da cidade com palestras como a “História de Uberlândia”, que foi apresentada na última quarta-feira na escola Sete de Setembro. “Esse é o projeto ‘Escola e Sociedade’, da Secretaria Municipal de Cultura que conta com o nosso apoio direto. Essas palestras também poderão ser proferidas em breve no nosso novo auditório”, conta Carla de Oliveira.

Segundo ela, nessas oportunidades as crianças ou mesmo os adultos aprendem mais sobre a importância da preservação da história, seja por meio de bens culturais, móveis ou imóveis. “Temos ainda algumas exposições prontas que podemos emprestar para escolas e outras instituições que precisarem”, explica a coordenadora.

 

DIGITALIZAÇÃO

Dezoito mil fotos já foram digitalizadas

Carla de Oliveira afirma que o espaço mais amplo é essencial para manter os documentos e jornais armazenados da forma correta e assim mantê-los o mais conservado possível. “Temos exemplares muito antigos, alguns não é permitido mais o manuseio para não deteriorar mais, já fizemos a digitalização por conta disso”, explica.

José Carlos Batista cuida da digitalização, que no momento está ainda mais centralizada nas fotos. Atualmente, o Arquivo Público tem um acervo de 27 mil fotos. Dessas, 18 mil já foram digitalizadas. “É um processo demorado porque é preciso escanear em três definições diferentes – pequena, média e grande – cada uma para uma finalidade, depende da necessidade do pesquisador”, explica Batista.

A mudança do bairro Brasil para o Custódio Pereira demorou aproximadamente duas semanas. Os caminhões baú fizeram 21 viagens só para o transporte do material, segundo a coordenadora do Arquivo, com cerca de 8 mil caixas de documentos. Só de jornais são 800 volumes e outros 700 volumes de atas e documentos como licitações e até comprovante de pagamento de funcionários. “Muitos nos procuram para reaver documentos que precisam para a aposentadoria, por exemplo”, conta Carla de Oliveira. 

Ela afirma ainda que não há um público específico que procura o arquivo. “Temos desde estudantes universitários a senhores e senhoras que apreciam ler jornais antigos, por exemplo. Aliás, os jornais são os itens mais procurados”, explica a coordenadora.

O espaço precisa seguir algumas regras para o armazenamento dos documentos e segundo Carla de Oliveira, muitos profissionais de arquivos de outros estados elogiaram até mesmo o local onde o Arquivo Público de Uberlândia funcionava antes. “Ainda não temos aqui a climatização mais ideal, mas no que diz respeito ao armazenamento e cuidados com o material estamos dentro das normas. O local, por exemplo, não tem umidade, algo muito prejudicial aos arquivos.

 

CUIDADOS

Documentos só podem sair do local com um profissional de acompanhante

O Arquivo Público de Uberlândia foi inaugurado em 1986 para armazenar e preservar a documentação pública produzida pela Prefeitura e Câmara Municipal de Uberlândia. Além desta documentação, mantém sob sua custódia, importantes coleções constituídas por documentos iconográficos, cartográficos, manuscritos, jornais, fotografias e revistas sobre a cidade, provenientes de instituições ou de particulares.

Dentro do projeto “Depoimentos”, o Arquivo Público dispõe aos pesquisadores, entrevistas gravadas e transcritas, realizadas com pessoas de diversos segmentos da sociedade. Esse material é uma fonte de informações para o estudo da memória e história de Uberlândia. Uma Biblioteca de Apoio, com publicações e trabalhos científicos resultantes de pesquisas realizadas na instituição também faz parte do acervo. O espaço tem um laboratório de conservação e restauração para tratamento dos documentos.

A partir de um inventário muito bem organizado, os funcionários localizam tudo que o pesquisador precisar de forma rápida. Porém, não é permitido xeroxar ou fotografar com flash alguns documentos, para evitar desgaste.

“Lidamos com a história da cidade e por isso temos que seguir algumas normas. Daqui não pode sair nenhum documento, salvo quando é para uso judicial. E mesmo assim, vai acompanhado de um profissional nosso caso precise de, por exemplo, o xerox autenticado de uma reportagem de jornal que vai ajudar em um determinado processo”, explica a coordenadora do Arquivo Público, Carla de Oliveira.


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