13/08/2017 às 05h08min - Atualizada em 13/08/2017 às 05h08min

Segmento de franquias tem crescimento no 1º semestre

Números são positivos no país e no Triângulo Mineiro, aponta associação

VINÍCIUS ROMARIO | REPÓRTER
Denilson Oliva abriu um negócio franqueado há dois meses / Foto: Vinícius Romario

 

Na contramão da crise que afeta diversos setores do país, o mercado de franquias tem registrado crescimento. Comparando o primeiro semestre deste ano com o mesmo período do ano passado, houve acréscimo de 8% no faturamento das franquias espalhadas pelo Brasil, com as unidades arrecadando R$ 74,4 bilhões nos seis primeiros deste ano contra R$ 68,8 no primeiro semestre de 2016. Os dados foram apresentados na última quinta-feira (10), em coletiva de imprensa, pela Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Em relação ao Triângulo Mineiro, os últimos levantamentos do setor fazem referência aos anos de 2015 e 2016, e os dados apontam que também houve aumento de redes e unidades na região. Segundo a ABF, o aumento de redes com unidades abertas no Triângulo Mineiro de 2015 para 2016 foi de 3%, passando de 258 para 267. Já as unidades passaram de 966 em 2015 para 1,1 mil em 2016, um aumento de 14%.

Dentro desses dados, Uberlândia era sede, em 2016, para quase 50% dessas unidades, com 499 franquias. Em todo o estado, a cidade só fica atrás de Belo Horizonte, que, ano passado, contava com 1,7 mil franquias. Ainda na região, Uberaba, com 174 unidades, Patos de Minas, com 78, e Ituiutaba, com 54 franquias, apresentavam boa participação no cenário estadual.

Voltando aos resultados apresentados nesta semana, de acordo com o presidente da ABF, Altino Cristofoletti Junior, aos poucos, o setor vem fortalecendo seu crescimento em termos reais. “Isso é muito importante, visto que no período enfrentamos um mês de deflação e severas incertezas políticas. Esse desempenho mostra a capacidade de reinvenção do setor e os benefícios da operação em rede”, afirmou.

Outro dado positivo trazido pela pesquisa, agora comparando o segundo trimestre deste ano com o mesmo período de 2016, foi a ampliação do número de empregos formais gerados no setor. Houve uma retomada na oferta de novas vagas, que totalizou mais de 1,2 milhão de trabalhadores diretamente empregados no sistema, 1% a mais do que no primeiro trimestre de 2017. Comparativamente, segundo o IBGE, o desemprego no Brasil registrou queda de 0,7% em relação ao trimestre anterior.

Quanto ao movimento de abertura e fechamento de unidades, o levantamento sugere um ritmo moderado. No 2º trimestre deste ano, foram abertos 3,2% pontos de venda na comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando 144.074 unidades de franquia em operação no país, e fechadas 1,3%, resultando num saldo de 1,9%.

 

SEGMENTOS

Maior crescimento é no setor Hotelaria e Turismo

Entre os segmentos, a maior variação de receita trimestral, comparando o segundo trimestre deste ano com o mesmo período do ano passado, foi registrada em Hotelaria e Turismo, com 10,1% de crescimento. Segundo a ABF, o desempenho foi favorecido pela recuperação do segmento em relação ao ano passado, bastante impactado pela crise.

Em segundo lugar ficou Saúde, Beleza e Bem-Estar (9,4%), favorecido pelo aumento da procura por clínicas populares, pelo investimento de grandes redes na multicanalidade, entre outros fatores.

Na terceira posição, está o segmento de Casa e Construção (8,6%), demonstrando uma leve recuperação frente ao mesmo período do ano passado, a exemplo do que ocorreu com o segmento de Hotelaria e Turismo. A seguir vem Entretenimento e Lazer (7%) e Comunicação, Informática e Eletrônicos (6,6%).

Já em relação aos dados apresentados pela ABF referentes ao Triângulo Mineiro, em 2016, o seguimento de Saúde, Beleza e Bem-Estar representava 24% das unidades da região. Em segundo lugar aparecia Alimentação, com 22% das franquias, e em terceiro, Serviços Educacionais, com 13% as unidades. O setor de Hotelaria e Turismo que vem apresentando bons resultados em 2017 representava apenas 2% das franquias do Triângulo Mineiro em 2016.

 

EM UBERLÂNDIA

Empresários destacam orientação da matriz

A empresária Kamila Loureiro Prado e mais dois sócios investiram, há dez anos, em uma franquia de fast food multinacional e, ainda este ano, devem abrir a quinta loja. De acordo com ela, a ideia nasceu após viagens pelo mundo. “A gente notou que sempre que o viajante queria comer e estava em dúvida, escolhia pelo local mais conhecido. Assim, vimos que existia essa demanda em Uberlândia e resolvemos investir”, afirmou Kamila Prado.

Sobre a gestão, Kamila e os sócios apostaram em uma empresa com mais de 38 mil lojas abertas pelo mundo, o que, segundo ela, traz mais facilidade. “A própria empresa oferece cursos para a gente e para o funcionário, o que reflete em melhoria para os clientes. Em relação à evolução do negócio, temos análise e consultoria profissional acompanhando mês a mês”, disse ela.

Já o empresário Denilson Caratta Oliva e mais um sócio resolveram apostar, há dois meses, em uma rede de franquias nacional que apresenta um segmento relativamente novo para a região: chamado self storage, local onde o cliente aluga um espaço monitorado para guardar objetos. “Temos aqui 87 boxes de três tamanhos diferentes que a pessoa aluga para guardar objetos. É muito útil quando você não tem mais espaço em casa, por exemplo. O negócio ainda é novo por aqui, mas já tem atraído clientes”, afirmou Oliva.

Em relação ao crescimento da empresa, Oliva destaca que nos próximos dez meses o negócio ainda deve passar por formatação, mas já projeta crescimento de 30% até o fim do ano. “O que facilita é o modelo de negócio oferecido pelo franqueador. Já temos um padrão a seguir, além dos aprimoramentos oferecidos pela matriz”, ressalta Oliva.

 

ORIENTAÇÃO

Estudo deve vir antes do investimento

Segundo o analista do Sebrae, Ariel Sanchez, quem deseja investir em uma franquia precisa, primeiro, de um estudo para saber se há demanda para aquele serviço. “Não basta simplesmente ter o dinheiro para conseguir uma marca forte, se não houver uma base para que esse negócio cresça”, disse Sanchez.

Ainda segundo ele, atualmente, as franquias têm exigido investimentos consideráveis. “Antes era possível conseguir marcas fortes e de expressão com investimentos entre R$ 200 mil e R$ 400 mil. Agora, franqueador com seis meses no mercado já tem pedido uma média de R$ 150 mil”, ressalta.

Porém, mesmo com essa exigência, tem crescido o número de pessoas que procuram o Sebrae buscando formas de ingressar nesse segmento. “O importante é que o interessado se profissionalize e busque um bom modelo de gestão. Já vimos caso de empresário que abriu uma loja de fast food multinacional na avenida Paulista, em São Paulo, onde passam 5 milhões de pessoas todos os dias, e o negócio fechou”, afirmou Sanchez.


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