12/08/2017 às 06h18min - Atualizada em 12/08/2017 às 06h18min

Partidos mudam nome para atrair eleitor

Atualmente existem 35 partidos em condições de disputar eleições, outros 34 aguardam registro

WALACE TORRES | EDITOR
Tribunal Superior Eleitoral é responsável por analisar e deferir os registros de novos partidos e mudança de nome / Foto: Roberto Jayme/ Ascom /TSE

 

Em meio aos escândalos de corrupção que envolveram dezenas de partidos nos últimos anos, muitas legendas estão adotando novos nomes de olho nas eleições do próximo ano. É o caso do PTN que já virou Podemos (Pode), e do PTdoB que aguarda autorização do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para se transformar em Avante. Tem ainda o PSL que agora quer ser chamado de Livres. Outras legendas estão apostando em nomes que, em tese, teriam maior potencial de impacto para atrair candidatos e, consequentemente, o eleitor. Situação que se enquadram os novatos Muda Brasil (Muda) e Igualdade (IDE), ainda sem autorização para disputar uma eleição.

No momento em que o Congresso Nacional tenta aprovar medidas que restrinjam a atuação de partidos menores e sem expressão, como cláusula de barreira e fim das coligações proporcionais, por outro lado há uma fila de espera para obter o registro da Justiça Eleitoral que praticamente dobraria o número de partidos existentes hoje, caso todos fossem oficializados.

Pelo menos 34 legendas aguardam por aprovação de seus registros no Tribunal Superior Eleitoral, ante 35 partidos já registrados e aptos a disputar o pleito de 2018.

A tendência das novas agremiações é se livrar do estigma de “partido”, desgastado em função do cenário político atual, e adotar a expressão “movimento”. As novas legendas que estão à espera do registro oficial já vêm com esse conceito. Nomes como Patriotas, Renovar, Força Brasil, Igualdade, entre outros, integram a relação dos 34 partidos com pedido de registro.

A estratégia de alterar nomes e conceito não é novidade e foi desencadeada em 2007 com o antigo PFL, que na época trocou o nome para Democratas (DEM). Depois disso vieram o Solidariedade (SD) e a Rede Sustentabilidade (Rede).

 

PRÉ-CANDIDATOS

Por trás do “novo” formato estão antigos conhecidos da política nacional e também nomes que tentam emplacar suas candidaturas em 2018. O antigo PTN, hoje Podemos, já recebeu em seus quadros o senador Álvaro Dias (ex-PSDB e ex-PV), que é um potencial nome para disputar a Presidência em 2018. O Podemos ainda flerta com o deputado federal Romário (PSB), que poderá ser um nome na legenda para disputar o governo do Rio de Janeiro. Outro que pretende trocar de nome é o PEN, que pode se transformar em Patriota, e que já anunciou a intenção de filiar o presidenciável Jair Bolsonaro, atual deputado federal pelo PSC do Rio.

Já o Muda Brasil tem por trás de sua formação o ex-deputado Waldemar Costa Neto (ex-PR), condenado no Mensalão e alvo da Lava Jato.

As novas agremiações já são atuantes nas redes sociais, onde propagam suas ideias e ressaltam nomes. O PSL, por exemplo, já tem até perfil no facebook com o nome Livres, apesar de ainda a troca não ter sido referendada pelo TSE.

Na avaliação do cientista político João Batista Domingues Filho, a percepção geral da opinião pública em relação aos partidos e aos políticos está bastante relacionada à corrupção. “Mudar

nome de partido não muda em nada essa percepção dos eleitores sobre os políticos. Cada eleitor vota de acordo com seu próprio cálculo de autointeresse no momento da eleição”, diz. Ele avalia ainda que propostas dentro da reforma política, como a que restringe a atuação dos pequenos partidos, em tramitação no Congresso Nacional, tem outros interesses por trás que não necessariamente a redução do número de partidos. “Essa reforma política é só a disputa pelo fundo partidário e o tempo de televisão”.


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