11/08/2017 às 05h10min - Atualizada em 11/08/2017 às 05h10min

Distritão teria alterado composição na Câmara

Novo modelo para eleição no legislativo avança no Congresso Nacional

WALACE TORRES | EDITOR
Câmara de Uberlândia teria oito vereadores diferentes caso a eleição passada fosse definida pelo distritão / Foto: Denilton Guimarães/Ascom/CMU

 

A perspectiva de que a próxima eleição seja realizada a partir de um novo modelo eleitoral, que substitui o sistema proporcional pelo chamado distritão na definição dos cargos para o Legislativo, tem movimentado os bastidores políticos. O assunto ganhou destaque ontem, um dia após a proposta do distritão ser aprovada na comissão especial que analisa a reforma política na Câmara dos Deputados. A proposta ainda precisa ser votada no plenário da Câmara e do Senado. Por esse sistema, serão eleitos os candidatos mais votados para o Legislativo, sem levar em conta os votos recebidos pelo conjunto dos candidatos do partido ou coligação, como é o sistema proporcional adotado atualmente.

Em termos gerais, se o novo modelo já tivesse em vigor desde a eleição de 2016, a composição na Câmara Municipal de Uberlândia seria quase um terço diferente da atual representação. Pelo menos oito dos 27 vereadores eleitos teriam ficado de fora da legislatura 2017-2020 e outros nomes teriam assumido as cadeiras (veja relação nesta página). Nesta hipótese, o partido do prefeito Odelmo Leão, o PP, teria três cadeiras  a menos – o partido elegeu quatro vereadores. O Solidariedade (SD) e o PSC ficariam sem representatividade na Câmara,  uma vez que os dois vereadores eleitos em cada uma das legendas não ficaram entre os 27 mais votados. Por outro lado, o PSDB teria dobrado a sua bancada, hoje com dois vereadores. O PT, que elegeu apenas um vereador ano passado, teria alcançado mais duas vagas.

Apesar da mudança, a base aliada do prefeito na Câmara permaneceria com a grande maioria dos parlamentares. Dos oito que entrariam, seis disputaram a última eleição por partidos que declararam apoio ao prefeito, enquanto que dos oito que sairiam somente um não pertence à atual situação.

A ex-vereadora Liza Prado (PROS) foi a 25ª mais votada em 2016, o que lhe garantiria uma cadeira hoje na Câmara se o distritão já tivesse sido colocado em prática. Ela diz que sempre foi contrária a esse novo modelo, mas disse que mudou seu posicionamento depois de ficar entre os cinco mais votados em eleições passadas e não conseguir a vaga para o Legislativo, em função do partido não alcançar o quociente eleitoral. “A população não entende isso, pois ela vota no candidato e não no partido”, diz Liza, reconhecendo que o novo modelo irá dificultar a renovação nas casas legislativas. “Quem está querendo começar na política vai encontrar mais dificuldade. Apesar de haver falhas, sou favorável ao distritão”, diz.

O vereador Thiago Fernandes (PRP) não teria conquistado o primeiro mandato se tivesse disputado as eleições pelo novo modelo. Ele foi o 41º mais votado na eleição de 2016 e acredita que o distritão mais atrapalha do que contribui para a democracia. “Pelo lado positivo, o distritão vai acabar com comércio de votos na hora de montar a chapa, pois hoje tem muito candidato sem poder de eleição que negocia cargos. Por outro lado é prejudicial porque visa a manutenção de quem já tem o mandato”, diz Thiago.

Posição semelhante tem o vereador Ronaldo Alves (PSC), que foi o 43º mais votado ano passado e também não teria sido eleito com o distritão. Ele explica que a análise da eleição pelo modelo novo é diferente do sistema proporcional, que exige um número maior de candidatos para que o partido alcance a representatividade. “Esse novo modelo é um retrocesso, pois fere a proporcionalidade e inibe o surgimento de novas lideranças”, afirma. Segundo avalia, a mudança do sistema eleitoral tem como pano de fundo o alto grau de reprovação popular dos atuais deputados que, pelo novo modelo, teriam mais chances de se reelegerem em função de serem mais conhecidos e terem à disposição emendas parlamentares para distribuir às suas bases. “O sistema proporcional é o sistema mais democrático que o legislador teve a felicidade de aprovar. Mas o cidadão comum só vai entender isso depois da eleição do ano que vem. Os congressistas estão agindo em interesse particular. Vamos pagar um preço grande lá na frente”, disse.


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