02/08/2017 às 05h05min - Atualizada em 02/08/2017 às 05h05min

Alta dos combustíveis motiva protestos de caminhoneiros

Categoria fechou rodovias no país; trecho da BR-050 teve manifestação

VINÍCIUS ROMÁRIO* | REPÓRTER
Manifestação bloqueou pistas na altura do KM 81 / Foto: Divulgação/PRF

 

Caminhoneiros paralisaram diversas rodovias do país ontem em protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis. Em Uberlândia, a manifestação aconteceu na BR-050, próximo ao KM 81. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o bloqueio foi realizado nos dois sentidos e durou cerca de uma hora e meia, sendo finalizado pouco antes das 17h. O protesto foi pacífico e causou aproximadamente dois quilômetros de congestionamento no sentido norte e um quilômetro no sentido sul. As faixas da esquerda ficaram livres para o trânsito de veículos de passeio.

Por volta das 00h30 de ontem, houve o início de um bloqueio no mesmo ponto, mas, segundo a PRF, durou poucos minutos. Há previsão de uma nova paralisação hoje, no mesmo ponto, por volta das 10h.

Além de protestarem contra o aumento do preço dos combustíveis, os caminhoneiros pedem que haja um reajuste sobre o frete. “Hoje, sobem os impostos, sobem os preços de pedágio, sobe o preço do combustível, mas continuamos recebendo por quilômetro rodado em cima de uma tabela de oito anos atrás. Assim fica impossível”, afirmou Ricardo Hulak, caminhoneiro há 13 anos.

Caminhoneiro há oito anos, Cristiano Santos Serafim também espera que a classe seja mais valorizada, já que, segundo ele, o número de profissionais do ramo tem diminuído. “Hoje temos muitos motoristas, mas poucos são profissionais, porque é uma profissão muito desgastante e sem retorno. Antes, em um frete, sobrava R$ 1 mil para as despesas do caminhão, hoje sobra R$ 300. Não dá, precisamos de melhorias, senão vamos paralisar novamente”, disse Serafim.

Além de Minas Gerais, as manifestações também foram registradas em São Paulo, Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Espírito Santo, de acordo com as Polícias Rodoviárias Federais nos estados.

"Na maior parte das interdições, os caminhoneiros em deslocamento são convidados a participar. A PRF continua monitorando possíveis pontos de bloqueio e em tratativas para que se restabeleça o fluxo nos pontos onde as manifestações ocorrem", informou a PRF em nota.

 

BRASIL

Associação prevê aumento de 5% do frete

(*) Agência Brasil | Brasília

Para cumprir a meta fiscal de déficit primário, o governo decidiu aumentar tributos sobre combustíveis, com aumento da alíquota do Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).

A alíquota passou de R$ 0,3816 para R$ 0,7925 para o litro da gasolina e de R$ 0,2480 para R$ 0,4615 para o diesel nas refinarias. Para o litro do etanol, a alíquota passou de R$ 0,12 para R$ 0,1309 para o produtor. Para o distribuidor, a alíquota, atualmente zerada, aumentou para R$ 0,1964.

O transporte terrestre é o predominante no Brasil e 60% das mercadorias são transportadas por caminhões. Nas cidades, essa porcentagem aumenta para 95%, segundo a Agência Nacional de Transporte de Cargas (ANTC). De acordo com a entidade, o combustível representa 40% do custo de um frete e o aumento geralmente é repassado para o preço do transporte. O aumento do imposto do combustível poderá gerar um aumento de até 4% no preço do frete, segundo estimativa da agência.

Em nota divulgada no último dia 27, Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) diz que a solução encontrada pelo setor é aumentar o frete em média 5%, passando o aumento do custo para o contratante. A Abcam afirmou que respeitaria a decisão daqueles que optassem pela greve, "entretanto solicita que a manifestação seja feita em casa, com os transportadores deixando de entregar suas cargas, e não bloqueando as rodovias".

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