14/07/2017 às 05h40min - Atualizada em 14/07/2017 às 05h40min

Rio Uberabinha tem trecho com água ruim

Estudo de aluna da UFU aponta para qualidade média e baixa em trecho de água do rio em período de seca

DA REDAÇÃO
Pesquisa averiguou influência do lançamento de efluente pela ETE Uberabinha sobre o curso de água durante a seca / Foto: Gustavo Santana

 

Uma pesquisa de iniciação científica realizada na Universidade Federal de Uberlândia (UFU) constatou que, neste período seco do ano, a qualidade da água do médio e baixo curso do Rio Uberabinha, localizado em Uberlândia, vai de média a ruim.

O objetivo do trabalho, iniciado em março de 2015 e concluído em fevereiro de 2016, foi averiguar a influência do lançamento de efluente tratado pela Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Uberabinha sobre o curso de água em período de seca, que vai de junho a outubro. Nesse período, os efeitos dos poluentes ficam mais evidentes.

“Todos os limites dos parâmetros preconizados nas legislações devem atender à classe de enquadramento (do rio) e aos padrões de lançamentos de efluentes em condições críticas de vazão”, explica, sobre os indicadores, a mestranda Letícia Martins de Oliveira, do Programa de Pós-graduação em Meio ambiente e Qualidade Ambiental da UFU.

Oliveira, então graduanda do curso Engenharia Ambiental, conduziu a pesquisa sob orientação do professor Márcio Ricardo Salla, da Faculdade de Engenharia Civil. 

As amostras de água foram coletadas, uma vez por mês, em seis pontos ao longo do médio e baixo curso do Rio Uberabinha, assim definidos: Ponte, a montante (antes) da estação de tratamento de esgoto; ETE Uberabinha; Fazenda Capim Branco, a jusante (após) da ETE; Montante do represamento da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) Martins; PCH Martins e Distrito de Martinésia.

Para avaliação, foram analisados os parâmetros de qualidade integrantes do Índice de Qualidade da Água (IQA) – que varia de 0 a 100, adotando-se metodologia proposta pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas. Também foram comparados os níveis de cádmio, chumbo, cobre, cromo e zinco.

Concluiu-se que a qualidade das águas do Rio Uberabinha, no trecho estudado, variou de “média” (IQA entre 50 e 70) a “ruim” (IQA entre 25 e 50), sendo o ponto a montante do lançamento de efluente pela ETE Uberabinha com classificação “média” e os pontos a jusante do lançamento com classificação “ruim”, durante o período seco.

“Os poluentes geralmente são oriundos de atividades industriais, efluentes domésticos sem tratamento e de substâncias químicas utilizados na agricultura. Além de estarem distribuídos naturalmente no ambiente pelos ciclos biogeológicos”, explica Oliveira.

O orientador da pesquisa faz um alerta para possíveis impactos negativos causados por ligações clandestinas de esgoto sanitário no curso de água, trazendo consequências para a vida aquática. Salla também analisa, a partir dos resultados, que o trecho estudado apresenta capacidade de autodepuração à medida que o Uberabinha se aproxima de sua confluência com o Rio Araguari.

A pesquisadora recomenda, para reverter a situação, a identificação e eliminação dos lançamentos irregulares de efluentes ao longo do Rio Uberabinha, bem como o uso de produtos químicos com substâncias menos nocivas ao meio ambiente e de fácil eliminação.

O trabalho, intitulado “Avaliação da qualidade da água no médio e baixo curso do Rio Uberabinha, Triângulo Mineiro”, trouxe subsídios para que os gestores públicos possam melhor gerir os recursos hídricos na bacia hidrográfica do rio.


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