25/06/2017 às 05h27min - Atualizada em 25/06/2017 às 05h27min

Minas tem o maior número de geradores de energia renovável

Estado tem 2.409 ligações, sendo que 10% delas estão em Uberlândia

VINÍCIUS ROMÁRIO | REPÓRTER
Carlos Divino disse que resultado com energia fotovoltaica foi melhor que o esperado / Foto: Vinícius Romario

 

A busca por gerar a própria energia e de forma renovável e sustentável tem crescido em grande escala em todo o Brasil, principalmente em Minas Gerais. Nesse sentido, se destaca a tecnologia fotovoltaica, que capta e converte energia solar em energia elétrica. Segundo especialistas da área, essa forma representa cerca de 95% das geradoras de energia renovável instaladas em todo o País, que conta ainda com outros tipos, como o biogás e a energia eólica.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), atualmente existem 253 unidades geradores de energia em Uberlândia. O número representa 10% do instalado em Minas Gerais, Estado com maior número de geradoras no Brasil - 2.409 ligações. Esse dado reflete 21% do total de geradoras instaladas no País, que tem 11.380 unidades. São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná seguem Minas Gerais nessa lista.

Levantamentos da Aneel mostram um crescimento de aproximadamente 540% entre 2014 e 2016 nesse mercado. Em relação ao número de instalações, o aumento foi de 740% entre 2014 e 2015. Atualmente, segundo a Aneel, o total de geradoras instaladas no Brasil representa 56,6 megawatts (MWp). Levando em consideração que uma residência consome em média 300 kilowatts (kW) por mês, o total seria suficiente para gerar energia para aproximadamente 186 mil residências.

Os dados da Aneel indicam ainda que 42% das unidades geradoras de energia estão instaladas em residências de todo o País, 36,2% em empresas, 16% na indústria, 3,60% no poder público e 1,44% na zona rural.

Seguindo esse conceito, o aposentado Carlos Divino de Lima resolveu instalar a tecnologia fotovoltaica na casa onde vive e, segundo ele, o resultado foi melhor que o esperado. “Eu pagava por mês cerca de R$ 270 em energia, agora, essa conta vem na casa dos R$ 50, que são algumas taxas obrigatórias”, disse Lima.

O empresário Parmênio Soares de Carvalho Neto aproveitou uma parceria entre uma empresa e um banco da cidade e também instalou as placas fotovoltaicas em seu supermercado. “Não tive custo de instalação, mas é como se eu tivesse alugado todo o equipamento, que, após dez anos, será meu”, afirmou Carvalho.

Ainda segundo ele, a economia também agradou. “Minha despesa com energia girava em torno de R$ 8 mil por mês. Com essa geradora instalada, baixou para cerca de R$ 5 mil, mas como tenho o valor do aluguel do equipamento, que é de R$ 1,5 mil, minha economia tem girado em torno de R$ 1 mil, o que já é muito bom”, ressaltou Carvalho.

 

COMO FUNCIONA A GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Muitas vezes, a energia produzida pelo consumidor vai além da que ele consome. A diferença a mais acaba virando uma espécie de crédito, a ser utilizado posteriormente. O cálculo é simples: a energia produzida pela unidade de geração distribuída é injetada na rede da distribuidora, que, por sua vez, repassa esta energia para seu sistema. O consumidor receberá um bônus em kWh, que pode ser abatido no mês seguinte ou ser acumulado. Os créditos de energia continuam válidos por 60 meses.

De acordo com a Aneel, há ainda a possibilidade de o consumidor utilizar esses créditos em outras unidades, previamente cadastradas e dentro da mesma área de concessão da companhia energética. Porém, essa outra unidade precisa estar registrada em um mesmo CPF. “É preciso ficar claro que não se trata de venda de energia. O cliente apenas usa em outro momento a energia que ele produziu e injetou na rede da concessionária”, explica Dênio.

O caso se aplica para o aposentado Carlos Divino de Lima que, desde a  instalação da tecnológica fotovoltaica em sua residência, produziu 600 KW além do que consumiu. “Mas é bom ter essa reserva, já que na época de verão a gente usa mais energia”, afirmou Lima.

 

EXPECTATIVAS

Empresários destacam crescimento do setor

Desde que a lei que passou a permitir que a energia produzida pelo consumidor pudesse ser jogada na rede, em 2012, empresários de Uberlândia vêm se destacando nesse cenário. O fundador e diretor técnico de uma empresa especializada em energias renováveis, fundada em Uberlândia em 2012, Gustavo Malagoli Buiatt, ressalta o pioneirismo e as expectativas do setor. “A procura por sistema de geração distribuída, especialmente a energia fotovoltaica, vem crescendo. O Brasil teve um crescimento de 5,2 vezes de 2015 para 2016 e, em 2017, o número do primeiro semestre já é maior se comparado ao primeiro semestre de 2016”, disse Buiatt.

O crescimento também foi sentido na empresa de Gilberto Camargos, aberta em 2012. “Nos últimos dois anos sentimos um aumento de 60% no mercado, mas a expectativa é ainda maior para esse ano, quando esperamos crescer mais 60%”, afirmou Camargos.

 

INSTALAÇÃO

Buiatt afirma que, em média, o custo para a instalação de uma gerador de energia fotovoltaica gira em torno de R$ 25 mil, que vai gerar em torno 620 KWh por mês. “Porém, com a economia na conta de energia, esse equipamento se paga em cerca de quatro anos, além de ser um sistema que pode durar de 25 a 30 anos, dependendo das condições de uso”, afirmou Buiatt.

Em relação à economia, Buiatt disse que um sistema como o citado acima, em comércio ou residência, traz uma economia média de R$ 500 mensais na conta de energia, o que poderá representar até 90% dependendo do consumo médio. “Para grandes empresas, poderá chegar a 15%, sem fazer investimentos”, ressalta Buiatt.

 

PROJETO GREENPEACE

Escola economizou R$ 20 mil no período de um ano

Em 2015, duas escolas do Brasil foram escolhidas, pela posição geográfica, para receberem o sistema de energia fotovoltaica, por meio do projeto “Greenpeace: Mais sol por um futuro melhor!”. Entre elas, a Escola Municipal Professor Milton de Magalhães Porto, no bairro Segismundo Pereira, na zona Leste de Uberlândia.

De acordo com a diretora da escola, Simone Silveira, o consumo de energia da unidade caiu de 2.514 KWh para 402 KWh no período de abril de 2015, quando o projeto começou, até fevereiro de 2017. Ainda segundo ela, a economia somou ao longo de um ano cerca de R$ 20 mil.

Em contrapartida do projeto, o Greenpeace pede que o dinheiro economizado pela escola com a conta de energia seja retornado para a unidade para que atividades extracurriculares sejam desenvolvidas. “Isso é ótimo, porque quem se beneficia são os alunos. Também desenvolvemos atividades para que eles cresçam com essa ideia de sustentabilidade”, disse Simone Silveira.

Alunos do primeiro ano, Gabriela, Sofia, Kauan e Rhyan, todos de 6 anos, afirmaram que já levam para os país a ideia de energia renovável. “Imagina que legal seria se o sol fosse a fonte de energia para todo mundo”, disse Sofia.


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