21/06/2017 às 05h04min - Atualizada em 21/06/2017 às 05h04min

Força-tarefa vai reforçar ações de fiscalização para coibir queimadas

Donos de terrenos sem manutenção poderão receber duas multas

WALACE TORRES | EDITOR

Mapa mostra focos de incêndios registrados no ano passado pelos Bombeiros em Uberlândia / Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

 

A partir de julho, os proprietários de terrenos baldios que não mantiverem os locais limpos, cercados e com passeio estarão sujeitos a ação de uma força-tarefa envolvendo nove órgãos públicos, que farão fiscalizações nos bairros de Uberlândia visando reduzir o número de queimadas no perímetro urbano. A princípio, patrulhas multidisciplinares irão percorrer as áreas de maior incidência mapeadas pelo Corpo de Bombeiros, com base nas ocorrências dos anos anteriores. A Prefeitura também irá utilizar o sistema de georreferenciamento para identificar e notificar os proprietários de terrenos em situação irregular.

O longo período de estiagem, com temperaturas moderadas e a baixa umidade relativa do ar típicos do inverno na região do Triângulo Mineiro, e que começa hoje em todo o Hemisfério Sul, traz uma preocupação a mais para as autoridades. Além do risco maior de doenças respiratórias, o clima nessa época é propício à proliferação de queimadas, especialmente na área urbana.

Apesar de a situação ser mais crítica nos meses de julho e agosto, o Corpo de Bombeiros em Uberlândia registrou 51 incêndios em lotes vagos somente nos quatro primeiros meses deste ano. Em 2016, foram 468 ocorrências de incêndio em vegetação, das quais 219 somente em lotes vagos.

“Os incêndios no perímetro urbano não são acidentais, são provocados para limpeza de terreno, erroneamente”, diz a tenente Shirley Carvalho Neves, do Corpo de Bombeiros. “Se a vegetação está alta fica perigoso para edificações do entorno, além da poluição atmosférica que pode causar doenças à população”, completa. Provocar incêndio é considerado crime ambiental, com reclusão de três a seis anos e pagamento de multa. A pena ainda pode ser ampliada em um terço se houver dano ao patrimônio público ou de uso público, residência, instalações com material inflamável, pastagens, lavouras, matas e florestas.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbanístico permanece fazendo a limpeza dos terrenos e enviando a conta aos proprietários, que também receberão uma multa do município. A novidade é que o responsável pelo terreno também poderá ser autuado pela Polícia de Meio Ambiente por crime ambiental caso o terreno tenha sido alvo de queimada ou esteja com material que gere um risco de incêndio ou dano ao meio ambiente. “A obrigação de manter o terreno limpo, cercado e com passeio é do proprietário ou responsável. Salvo casos de flagrante, é ele quem será penalizado”, disse o assessor técnico de meio ambiente Anderson Alves de Paula.

Ele explica que nos últimos 40 dias a Secretaria fez um trabalho de conscientização em parceria com outros órgãos ambientais levando orientações por meio de palestras, blitz e outras ações. “A partir do dia 3 de julho, partimos para a fiscalização em conjunto. Hoje temos mais de 60 mil terrenos vagos em Uberlândia e cerca de 40 fiscais”, diz. A patrulha multidisciplinar terá integrantes da Prefeitura, IEF, Polícia de Meio Ambiente, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Superintendência Regional de Meio Ambiente. A Câmara Municipal também irá contribuir levando orientação à comunidade.

 

SANTA MÔNICA

Dona de casa sofre com queimada há 31 anos

Maria Aparecida sofre com a queimada em terreno ao lado de sua residência / Foto: Walace Torres

 

Dona Maria Aparecida Scarpelli Morais sabe muito bem o que é conviver com a fumaça nessa época do ano. Há exatos 31 anos ela mora ao lado de um terreno baldio que não tem cerca, não tem passeio e sempre está com o mato alto, além de muito entulho. “Todo ano tem queimada aqui. Às vezes, a gente tem que sair de casa e ficar fora até passar”, disse a dona de casa. O drama mais recente foi na tarde do último sábado, quando atearam fogo novamente no terreno que fica na rua Atílio Valentim, no bairro Santa Mônica. Ela tinha ido ao supermercado e deixou o marido dormindo. Quando retornou, encontrou a fumaça praticamente “engolindo” a sua residência. “Foi difícil até para abrir a porta. Meu marido acordou e esqueceu de fechar a janela. O chão ficou preto e dentro do guarda-roupa até hoje a gente abre e tem cheiro de fumaça nas roupas”, contou ela ontem. Ainda segundo a dona de casa, além dos transtornos, ela e outros vizinhos ainda fazem uma “vaquinha” para capinar o mato duas vezes por ano porque o proprietário não providencia a limpeza.

O assessor técnico de meio ambiente Anderson Alves esclarece que as chamas não são a solução para acabar com o mato ou eliminar resíduos de roçagem. “O fogo não mata as raízes. Em outras palavras, o calor causa estresse e faz com que as plantas se desenvolvam muito mais rápido do que o normal”, disse. A técnica, também usada para acabar com o que é depositado inadequadamente em lotes vagos, causa outros tipos de transtornos. “O fogo causa o aparecimento de animais peçonhentos nas residências, uma vez que são obrigados a sair de seus esconderijos e procurar um novo abrigo”, disse o assessor técnico.

A multa em caso de terreno não conservado varia de R$ 128 a R$ 1.235, dependendo do tamanho do imóvel. O valor máximo também pode ser cobrado em casos de falta de passeio e cerca no terreno.

 

CLIMA

Inverno terá temperaturas dentro da normalidade para região

Durante o inverno, que começa hoje e vai até 22 de setembro, as temperaturas em Uberlândia e região devem variar entre 12 graus durante a madrugada e 28 graus no período da tarde. A umidade relativa do ar deve permanecer na faixa dos 70% na madrugada e cair para 30% à tarde, segundo o professor de climatologia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Paulo Cézar Mendes. “O inverno na região é marcado por temperaturas amenas e sem precipitação. Teremos manhãs frias e tardes com temperaturas mais elevadas”, diz.

Ele explica que a queda na temperatura sentida pelo uberlandense nas últimas semanas é reflexo de massas de ar frio que vieram do Sul e chegaram à região com mais força no fim do outono. “Isso não significa que teremos um inverno de baixas temperaturas. As massas de ar frio têm duração de dois, três dias”, diz.

A região é caracterizada pelo clima tropical, diferente do Sul do país e também do litoral do Nordeste, regiões onde a chuva é mais frequente nesta época. A última precipitação significativa em Uberlândia foi há um mês, no dia 20 de maio, quando os medidores marcaram um volume pluviométrico de 17 milímetros.

 

Em caso de incêndio, ligue:

193 (Corpo de Bombeiros)

190 (Polícia Militar)

199 (Defesa Civil)

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