15/06/2017 às 06h19min - Atualizada em 15/06/2017 às 06h19min

Iepha-MG cadastra violeiros e luthiers

Projeto visa valorizar e reconhecer o instrumento e sua confecção como patrimônio imaterial mineiro

ADREANA OLIVEIRA | EDITORA
Tarcísio Manuvéi é produtor e tocador de catira e dedica-se à viola há cerca de 20 anos / Foto: Divulgação

 

A viola é um dos principais instrumentos do cancioneiro popular mineiro. Nas rodas de viola das fazendas, no fim de tarde na varanda... Mas já faz tempo que tal viola ultrapassou os limites da vida rural. Ganhou espaço em orquestras e espaço até no meio dos camisas-preta em projetos como o “Moda de Rock”, dos instrumentistas Ricardo Vignini & Zé Helder.

Se há cerca de 20 anos era difícil encontrar um exemplar de viola em uma loja de instrumentos musicais, atualmente elas conquistaram mais espaço, inclusive nas vitrines. O trabalho dos luthiers, que produzem esse instrumento, tem sido cada vez mais procurado e, consequentemente, mais valorizado.

Por essas e por outras, com o objetivo de valorizar os saberes e as expressões ligadas à tradição das violas e dos violeiros, o Instituto Estadual de Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) vai promover um estudo que visa mapear os tocadores e fabricantes de viola. A pesquisa “Violas: o fazer e tocar em Minas” consiste no preenchimento de um cadastro de violeiros e luthiers, que permitirá ampliar os conhecimentos sobre esse patrimônio cultural no estado.

Ao final, o estudo será apresentado ao Conselho Estadual de Patrimônio Cultural (Conep) para solicitar o reconhecimento dos modos de fazer e tocar a viola como patrimônio imaterial de Minas Gerais. Para Tarcísio Manuvéi, músico e produtor cultural - adepto da viola que prefere se intitular tocador de catira e não violeiro - vê a iniciativa com bons olhos. Com cerca de 20 anos dedicados à viola, ele acredita que a pesquisa e o futuro reconhecimento da viola como patrimônio imaterial do estado pode trazer mais fomento para a arte do fazer e tocar viola.

Ele já se cadastrou e esteve em Belo Horizonte quando o projeto começou a ser discutido para falar de um exemplo de Uberlândia, o Raízes do Sertão, que trabalha com crianças da zona rural da região. “Por mim essa iniciativa poderia ter vindo antes. Há alguns anos os principais violeiros que se destacam ou se destacaram pelo país são de Minas Gerais”, afirma o músico. Ele cita, entre eles, o saudoso Tião Carreiro (1934 -1993), natural de Montes Claros, o mestre Renato Andrade (1932-2005), nascido em Abaeté, e Roberto Corrêa, ainda em atividade e que, apesar de estar radicado em Brasília, é natural de Campina Verde. Outro destaque é o uberlandense Marcos Violeiro, que faz dupla com Cleiton Torres.

Entre os luthiers da cidade, Manuvéi destaca o trabalho de Jeziel Carlos dos Santos. “O trabalho dele é muito bom e agrega valor ao instrumento, algo importante hoje em dia. É preciso uma técnica muito apurada para fazer algo artesanal, funcional e bonito.”

 

MULHERES

Além de estar mais presente em outros estilos fora da música caipira, como em música regional, flamenca, no choro, e até mesmo no repertório dos Beatles, como há no trabalho do violeiro Renato Caetano, Tarcísio Manuvéi afirma que a presença da mulher violeira no cenário é algo a se destacar. “Em Uberlândia temos a Nayara Days e devem surgir novos talentos em breve, porque isso inspira outras mulheres”, afirmou o produtor.

Para colaborar com a pesquisa, violeiros e luthiers de Uberlândia precisam preencher o formulário que está disponível na Secretaria Municipal de Cultura (SMC), em Uberlândia, até o dia 31 de julho.


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